quinta-feira, março 23, 2017

Imaginário Extra - Jornal C: Destaque e Entrevista (2016)

Aproveitando a recente referência ao artigo no jornal i, reproduzo agora, volvidos quase quinze meses, o simpático destaque realizado pelo Jornal C (nº65, de Janeiro de 2016), da C.M. de Cascais, à então recente Bedeteca José de Matos-Cruz, na Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana, que foi acompanhado por menção ao conceito de uma biblioteca de banda desenhada (também referenciado em inglês) e ainda de uma breve entrevista.

 
 

quarta-feira, março 22, 2017

IMAGINÁRiO #654

José de Matos-Cruz | 8 Abril 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

TANGÊNCIAS
Por estranho sortilégio, Jacques Tourneur (1904-1977) é um daqueles raros cineastas que, entre o inferno e o firmamento, se consagraram no limbo de Hollywood: usufruindo de um culto intemporal, sem estar cotado entre os mais célebres, tendo embora dirigido algumas obras paradigmáticas em vários géneros - como A Pantera (1943) sobre o drama fantástico, ou O Arrependido (1947) quanto ao film noir. Esta produção de Warren Duff para Robert Sparks, da RKO, baseou-se em Build My Gallows High (1946) de Geoffrey Homes - aliás, Daniel Mainwaring - também autor do argumento com James M. Cain, não creditado no genérico. Mais tarde, Homes reconheceria que, conscientemente, imitou The Maltese Falcon de Dashiell Hammett, transposto por John Huston em Relíquia Macabra (1941), sendo protagonista Humphrey Bogart. Talvez nessa presunção, a RKO pretendia Bogart - à época, contratado pela Warner - para personificar O Arrependido, tendo depois sondado John Garfield e Dick Powell. A escolha acabou por recair em Robert Mitchum - que logrou, segundo a opinião geral, um dos seus melhores desempenhos em mais de cento e trinta fitas. Ora, Homes - cujo romance foi de novo adaptado por Taylor Hackford, em Vidas Em Jogo (1984) com Jeff Bridges - reformulou o seu (anti)herói ao perfil sombrio e trágico de Mitchum. IMAG.55-141-159-272-490-639

CALENDÁRiO

15JUL2016-15JAN2017 - No Porto, Centro Português de Fotografia apresenta Only You - exposição de fotografia de Leonardo Kossoy (Brasil), sendo curador Fernando Azevedo.

07DEZ2016-12MAR2017 - Em Lisboa, Galeria da Avenida da Índia apresenta Red Africa - Things Fall Apart - exposição multidisciplinar por artistas de África, Ásia, América do Norte e Europa, sendo curador Mark Nash.

15DEZ2016-31MAR2017 - Em Lisboa, Palácio Nacional da Ajuda apresenta Um Olhar Real - Obra Artística da Rainha D. Maria Pia (1847-1911) - exposição de aguarela, desenho e fotografia, sendo comissário científico João Vaz. IMAG.153-329-399-447

17DEZ2016-05JAN2017 - Em Lisboa, Passevite apresenta Uppercut - exposição de cartoon/serigrafia de André Carrilho.  
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PARLATÓRiO

É preciso ter muita força para dizer, estando moribundo, o mesmo que se diria, caso se estivesse com saúde.
Roger de Bussy-Rabutin

VISTORiA
Para Quê?
Quando de repente o dia voltou
tão puro,
falou lentamente e com firmeza,
branda e sinceramente:
Alguma coisa deve mudar,
entro na luta,
eu também quero ajudar, como tantos outros,
a erradicar o mal do mundo,
quero sofrer e vaguear
até que o povo se liberte.
Não quero voltar a declinar, cansado;
alguma coisa tem
que acontecer…
Mas nesse momento apoderou-se dele uma vaga sensação,
um torpor: oh, deixemos isso agora!
Robert Walser

COMENTÁRiO

O Arrependido (1947 - Jacques Tourneur) principia em Bridgeport, uma pequena cidade da Carolina do Norte, nas faldas da Sierra. Jeff Markham - outrora detective em Nova Iorque, e que mudou o apelido para Bailey - trabalha na gasolineira Mono Motor Service, dedicando-se à pesca e ao noivado com uma jovem local, Ann Miller. Chega, então, um velho conhecido, Joe Stephanos, que o informa de que um ex-cliente, Whit Sterling, pretende vê-lo na sua mansão do Nevada, junto ao Lago Tahoe. Assim, Markham vê-se confrontado com um passado perturbador, que decide revelar a Ann. Sterling é um gangster que, em tempos, o incumbiu de trazer de volta a amante, Kathie Moffett, que disparou sobre ele e fugiu com 40.000 dólares. Markham descobriu-a em Acapulco, no México, mas apaixonou-se por ela, e foram viver para San Francisco. Aí, localizou-os um antigo sócio de Markham, a quem Kathie liquidou, tornando a escapar. Três anos depois, Bailey/Markham vai reencontrar Kathie de novo nos braços Sterling, sentindo uma inquietante suspeita. Influenciado por Kathie, Sterling consideraria que ele o traiu e, com razoável probabilidade, terá em vista vingar-se… Eis uma intriga de ameaças e aparências, equívocos e infidelidades, primorosamente ritualizada pelos percalços da aventura, a ambiguidade das relações, a obscura teia de pretextos e psicologias, a fractura irreversível de lugares e devires.
Afinal, características essenciais ao film noir, através duma atmosfera que evolui entre trevas e brumas - a qual dimanaria das próprias personagens, segundo inspiração de mestre Alfred Hitchcock, que Tourneur especialmente admirava. A rodagem principal decorreu em Puerto Vallarta e nas margens do Lago Tahoe, sublimada pela fotografia de Nicholas Musuraca, que trabalhou pela terceira e última vez com o cineasta. Uma iluminação difusa, expressiva em emoções e implicações, recortando a dimensão cénica/icónica de O Arrependido - em vacilante simbologia dual e moral, estigmatizada pela composição enigmática de Robert Mitchum. Assumindo Sterling, Kirk Douglas contrapõe uma exibição insinuante mas funesta. Entre os dois homens, paira o perverso elã de uma femme fatale - calculista, sedutora - por Jane Greer que, em Vidas Em Jogo (1984 - Taylor Hackford), interpreta a mãe da figura correspondente, encarnada por Rachel Ward. A afectação emblemática - vitimação, pureza - do signo feminino é, aliás, estilizada quanto à morena Kathie, em contraste com uma loira Ann. Na altura, tal estratégia sexual reiterada por Hollywood, sobre uma conotação perigosa ou passiva, perspectivar-se-ia como repercussão sociológica ao contributo das mulheres para o esforço de guerra. Agora em paz, o seu papel futuro era uma incógnita - entre os desafios virtuais e o conformismo doméstico.

VISTORiA

Palabras Para Julia

Tu no puedes volver atrás
porque la vida ya te empuja
como un aullido interminable
interminable.
Te sentirás acorralada
te sentirás perdida o sola
tal vez querrás no haber nacido
no haber nacido.
Pero tú siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.
La vida es bella ya verás
como a pesar de los pesares
tendrás amigos tendrás amor
tendrás amigos.
Un hombre  solo una mujer
así tomados de uno en uno
son como polvo no son nada
no son nada.
Entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.
Nunca te entregues ni te apartes
junto al camino nunca digas
no puedo más y aquí me quedo
y aquí me quedo.
Otros esperan que resistas,
que les ayude tu alegría,
que les ayude tu canción
entre sus canciones.
Entonces siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso.
La vida es bella ya verás
como a pesar de los pesares
tendrás amigos tendrás amor
tendrás amigos.
No sé decirte nada más
pero tú debes comprender
que aún estoy en el camino,
en el camino.
Pero tú siempre acuérdate
de lo que un día yo escribí
pensando en ti como ahora pienso. 
José Agustín Goytisolo

MEMÓRiA

1797-08ABR1848 - Domenico Gaetano Maria Donizetti, aliás Gaetano Donizetti: Compositor italiano, do período romântico - «Chegou a hora da minha despedida. Outros irão ocupar o meu lugar. Antes, houve também quem nos desse a vez. Cabe-me agora fazer o mesmo. E sinto-me feliz por me substituírem pessoas com o talento de Verdi» (1844). IMAG.156-297-317-416-585-636

13ABR1618-1693 - Roger de Bussy-Rabutin: Escritor e memorialista francês - «A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo: apaga o pequeno, inflama o grande». IMAG.413

13ABR1928-1999 - José Agustín Goytisolo: Escritor espanhol, irmão de Juan Goytisolo e Luis Goytisolo, autor de Palabras Para Julia - «Tu destino está en los demás / tu futuro es tu propria vida / tu dignidad es la de todos».

15ABR1878-1956 - Robert Walser: Escritor suíço de língua alemã, autor de Histórias de Imagens - «Abro a janela, / uma luz opaca matinal perdura. / Já parou de nevar, / a grande estrela está no seu lugar. // A estrela, a estrela / como é maravilhosa! / O horizonte está branco de neve, / brancos de neve estão todos os cumes. // Fresca e sagrada / a quietude matinal no mundo. / Cada voz ressoa clara, / os telhados brilham como carteiras de escola. // Tão silencioso e branco: / um deserto enorme e magnífico, / cuja fria quietude torna inútil / qualquer pensamento. / Dentro de mim tudo arde.» (Estrela d’Alva). IMAG.200-376-592

BREVIÁRiO

Bertrand edita Bestiário de Kafka de Franz Kafka (1883-1924); organização de Álvaro Gonçalves, tradutor com Manuel Resende, Teresa Seruya, Ana Falcão Bastos e José Maria Vieira Mendes. IMAG.31-84-131-165-426-469-474-493-582-593-652
 

terça-feira, março 14, 2017

IMAGINÁRiO EXTRA – BLOGUES e o MUNDO VIRTUAL


Foi publicado no passado dia 6 de Março, no jornal i, o artigo Mundo Virtual, em que Joana Marques Alves trata a contínua pertinência e, até, o sucesso das plataformas em formato Blogue. Para esse efeito, entrevista alguns responsáveis pelos blogues mais bem recebidos da nossa websfera.

Em baixo, reproduz-se a abertura do artigo e o testemunho alusivo ao Imaginário- Kafre – bem como o trecho sobre os nossos amigos Jorge Magalhães e Catherine Labey, dos blogues O Gato Alfarrabista e Gatos, Gatinhos e Gatarrões – agradecendo à jornalista Joana Marques Alves o convite e a referência.

Recorda-se que o Imaginário nasceu – e permanece – como newsletter em 2004, e esteve integrado no portal Truca.pt, de Luís Gaspar, até ao número 357. Ali surgiram as originais aventuras d’O Infante Portugal. A partir do número 500, transitou para a rede Blogspot.com, com o apoio de Daniel Maia.

IMAGINÁRiO #653

José de Matos-Cruz | 1 Abril 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
CLÁSSICOS
Concebido pelo genial Stan Lee, no universo dos Marvel Comics, o Homem-Aranha / Spider-Man apareceu em Agosto de 1962, na Amazing Fantasy, logo se emancipando em Março de 1963. Tudo aconteceu quando Peter Parker, jovem estudante, foi picado por uma aranha radioactiva, no decurso de experiência nas General Techtronics, adquirindo excepcionais poderes - como agilidade, ascensão, extra-sensorialidade e força proporcional à do animal.
Assim, no universo estilizado dos paladinos urbanos, e graças a Steve Ditko ou Todd McFarlane, Spidey alcançaria um especial destaque: sofrendo a hostilidade dos concidadãos, acusado pelos inimigos, sob perseguição da polícia, eis o (anti)justiceiro por excelência - impelido pelo assassínio do tio Ben; vivendo com uma doente e possessiva tia May; ou atormentado com a falta de dinheiro. Fotógrafo do Clarim Diário / The Daily Bugle, Peter suporta as prepotências do editor J. Jonah Jameson. Assistente universitário, e após diversas paixões (Gwen Stacy vitimada por Green Goblin, Betty Brand que o deixou por outro), acabaria por casar em 1987, com a ex-modelo e técnica de informática Mary Jane Watson. A estabilidade, em Nova Iorque, é perturbada por ciúmes, desaires profissionais ou questões económicas. Este elã intimista, estigmatizado pelo desígnio aventuresco, converteria Spider-Man em símbolo das incertezas e angústias da juventude, que forjaram o fenómeno do seu sucesso intemporal. IMAG.3-18-23-28-39-47-49-110-114-148-149-155-217-221-416-508-620-632

CALENDÁRiO

12NOV2016-07JAN2017 - No Porto, Galeria Fernando Santos apresenta
Configurações - exposição de pintura e desenho de Pedro Calapez. IMAG.65-393-427-623

26NOV2016-18MAR2017 - Em Lisboa, Museu do Design e da Moda/MUDE expõe, no Convento da Trindade, Cidade Gráfica - Letreiros e Reclames de Lisboa No Século XX, sendo curadores Rita Múrias e Paulo Barata.

30NOV2016-07JAN2017 - Em Lisboa, Barbado Gallery apresenta The Theatre of Apparitions - exposição de fotografia de Roger Ballen (EUA/África do Sul).

1930-03DEZ2016 - José Ribamar Ferreira, aliás Ferreira Gullar: Poeta brasileiro, crítico e ensaísta, distinguido com o Prémio Camões (2010) - «É um nome inventado. Como a vida é inventada, eu inventei o meu nome». IMAG.334-458

1934-04DEZ2016 - Marcel Gottlieb, aliás Gotlib: Ilustrador francês, cartoonista e autor de banda desenhada - «Para mim, a religião, seja a dos judeus ou a dos muçulmanos, é um disparate».

14DEZ2016-07MAI2017 - Em Lisboa, Panteão Nacional expõe Reis e Heróis - Os Panteões Em Portugal, sendo comissárias Clara Moura Soares e Maria João Neto.

16DEZ2016-13FEV2017 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Pintura de Anna Petrova (Moldávia).

ANUÁRiO

1408-1471 - Thomas Malory: Romancista inglês - «Senhor, disse ela, muito cavalguei, e por muitos dias, com este escudo, e por muitos caminhos, e vim à vossa corte por esta causa: havia um bom cavaleiro a quem este escudo pertencia, e esse cavaleiro havia prometido levar a cabo um feito de armas; e teve a má sina de haver encontrado por aventura súbita outro forte cavaleiro, e por muito tempo lutaram, e um ao outro fizeram muitas e mui graves feridas; e aquele cavaleiro a quem o escudo pertencia viu que não havia remédio senão a morte.» (A Morte de Artur). IMAG.464

TRAJECTÓRiA

ALBRECHT DÜRER
Albrecht Dürer nasceu em Nuremberga, a 21 de Maio de 1471, filho de um ourives de ascendência húngara. Discípulo de Michael Wohlgemut em 1486, em 1492 trabalhava no atelier de Martin Schonganer em Colmar. Seguiram-se Basileia e Estrasburgo, onde ilustrou A Nave dos Loucos de Sebastian Brant. Regressado a Nuremberga, em 1494 casou com Agnes Frey, partindo para Itália. Em 1495, de novo em Nuremberga, aprimorou a técnica de xilogravuras em Apocalipse de São João (1498), ou a gravação em cobre como Adão e Eva (1504). Em 1505-1507 voltou a Itália, privilegiando a aguarela; em Veneza, conviveu com Giovanni Bellini ou Lorenzo de Credi. Fixado em Nuremberga, o seu prestígio na Alemanha e além-fronteiras consolidou-se, como pintor de Adão e Eva (1507) ou A Ascenção da Virgem (1509), ou com Pequena Paixão em madeira (1511) e Melancolia em cobre (1514). Em 1512, foi nomeado artista da corte do imperador Maximiliano I. Em 1520, durante uma visita aos Países Baixos, em que conheceu Erasmo em Roterdão, contraiu malária. Prosseguiu em plena actividade, culminando com os grandes painéis de Os Quatro Apóstolos (1526). Escreveu Instrução Para Medições à Régua e ao Compasso (1525), Tratado Sobre a Fortificação de Cidades, Vilas e Castelos (1527) e Sobre a Proporção do Corpo Humano (1528). Faleceu em Nuremberga, a 6 de Abril de 1528.

MEMÓRiA

04ABR1928-2014 - Marguerite Ann Johnson, aliás Maya Angelou: Escritora americana, poetisa, ficcionista e actriz, militante dos direitos cívicos dos negros, autora de Carta à Minha Filha, co-fundadora da Organização de Unidade Afro-Americana. IMAG.517

1929-04ABR1968 - Martin Luther King: Activista americano, defensor dos direitos cívicos, distinguido com o Prémio Nobel da Paz (1964) - «Não haverá tranquilidade nem descanso na América, até que o Negro tenha garantido todos os seus direitos de cidadania» (1963). IMAG.20-190-210-227-432

05ABR1908-1989 - Heribert Ritter von Karajan, aliás Herbert von Karajan: Maestro austríaco - «Estou ciente de que vou reger uma orquestra para a mais pequena audiência da minha vida. Mas acredito que vieram aqui para ouvir música, e prometo-lhes que, para vós, irei fazer a minha melhor performance» (Baltimore, 1955). IMAG.173-203-212-223-227-235-236-237-239-266-538-551-553

05ABR1908-1989 - Ruth Elizabeth Davis, aliás Bette Davis: Actriz americana, distinguida com dois Oscars de Hollywood (1935 e 1938) - «Na minha profissão, só nos tornamos estrelas quando ficamos com a reputação de monstros». IMAG.35-117-139-194-245

1471-06ABR1528: Albrecht Dürer: Artista alemão, gravador, pintor, ilustrador, teórico e matemático - «Frequentemente, Deus concede a capacidade de aprender, e a perspicácia para realizar algo de bom, ao homem de quem não se encontram semelhantes no seu próprio tempo e que, muito cedo, não irá ter sucessor». IMAG.43-173-458-568

07ABR1928-2014 - James Scott Bumgarner, aliás James Garner: Actor americano de televisão e cinema, protagonista de Duelo de Morte / Hour of the Gun (1967) - «Algumas pessoas formam-se em representação, vão a todas as aulas. Muitas dizem que é essencial ter essa base, aprender a teoria e com os grandes professores. Não é essa a minha opinião». IMAG.115-527


VISTORiA

Cantiga Para Não Morrer

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.
Ferreira Gullar 
 
BREVIÁRiO

Relógio D’Água edita A Casa Em Paris de Elizabeth Bowen (1899-1973), tradução de Ana Maria Chaves.

Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, Deutsche Grammophon Gesellschaft: The Mono Era 1948-1957.

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS – Folhetim Aperiódico

MAL TORNA AO CRIADOR QUEM, SUJEITO, SE REFAZ - 6

Requintes e rituais. Ela castrava-o, ele a vibrá-la. E assim mesmo se desnudaram, perante os ocultos deste mundo...
Sobreveio a separação. Mortificada, açougueiro. A mulher repercutiu-se num horror telúrico. O sujeito transformou-se numa fera insaciável.
Continua

sexta-feira, março 03, 2017

IMAGINÁRiO #652

José de Matos-Cruz | 24 Março 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

DERIVAÇÕES
À sua terceira produção americana, Alfred Hitchcock (1899-1980) assinou um dos filmes mais insólitos e surpreendentes, durante a extensa carreira em que se consagraria como mestre do suspense. É sabido que além de intrigas, fatalidades, ameaças ou sobressaltos, o que caracteriza as suas obras-primas é uma ironia subtil, sofisticada, que paira sobre a estilizada irrupção das emoções. Porém, Hitch apenas terá dirigido duas genuínas comédias em longa metragem: O Terceiro Tiro (1955) entre os rituais do humor negro e, uns quinze anos antes, O Sr. e a Sr.ª Smith (1941) sob o signo da screwball comedy. Baseava-se esta em argumento de Norman Krasna - sobre história sua original - que acabara de o vender à RKO e, segundo Eric Rohmer, o mesmo escritor propôs a Hitch a respectiva adaptação. Era outra, porém, a versão do cineasta, revelada a François Truffaut. Grande amigo de Carole Lombard, casada à época com Clark Gable, foi a rainha da screwball comedy quem lhe falou duma história de que tanto gostava e que queria representar, só não tinha realizador… «Num momento de fraqueza», Hitch aceitou a incumbência - confessando, também, que não chegou a compreender as personagens, limitando-se a seguir escrupulosamente o guião técnico. Lombard faleceu meses depois, aos trinta e quatro anos, vítima dum acidente de aviação. IMAG.3-4-14-19-26-29-44-48-49-51-71-85-111-112-142-146-163-168-179-188-191-238-271-280-283-288-307-312-327-351-354-377-381-384-386-428-429-440-449-495-500-501-521-528-550-562-573-588-591-613-617-644

CALENDÁRiO

24NOV2016 - Em Lisboa, Museu do Oriente expõe A Ópera Chinesa, sendo curadoras Sylvie Pimpaneau e Sofia Campos Lopes.

04OUT1937-27NOV2016 - Carlos Alberto dos Santos, aliás Carlos Santos: Actor português de televisão e cinema, distinguido com o Prémio Sophia, da Academia Portuguesa de Cinema, pelo desempenho em Operação Outono (2012 - Bruno de Almeida).

29NOV2016-31JAN2017 - Em Lisboa, Instituto Cervantes expõe Ilustrações Para Dom Quixote de Júlio Pomar, assinalando os quatrocentos anos da morte de Miguel de Cervantes (1547-1616), e sendo curador Alexandre Pomar.  
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02DEZ2016-15JAN2017 - Em Lisboa, Lumiar Cité Maumaus apresenta Estúdio - exposição de pintura e intervenção performativa de Francisco Vidal. IMAG.292

06-30DEZ2016 - Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema apresenta José Fonseca e Costa (1933-2015) - Ciclo Integral.
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08DEZ2016 - Cinemundo estreia A Mãe É Que Sabe de Nuno Rocha; com Maria João Abreu e Dalila Carmo.

20MAR1936-10DEZ2016 - Alberto Jorge Seixas dos Santos, aliás Alberto Seixas Santos: Cineasta português, realizador, argumentista, actor e produtor, crítico e professor - «Em todos os lugares que ocupou deixou marcas na defesa intransigente - férrea - de um cinema de autor, contra os ditames do mercado» (Jorge Leitão Ramos). IMAG.22-67-91-158-347

14DEZ2016-01OUT2017 - Em Lisboa, Museu de Arte Popular expõe Da Fotografia ao Azulejo - Povo, Monumentos e Paisagens de Portugal Na Primeira Metade do Século XX, com base numa pesquisa de José Luis Mingote Calderón (Espanha).

SUMÁRiO
Maximo Gorki
Escritor russo, de seu verdadeiro nome Alexei Maximovitch Peshkov, nascido 28 de março de 1868, em Nizhni Novgorod, e falecido a 14[18] de junho de 1936. Poderoso ficcionista, aplaudido como o expoente da literatura proletária, celebrizou-se por contar histórias de párias e de vagabundos. Descreveu o movimento revolucionário russo na obra A Mãe (1906), e nesse mesmo ano partiu para o exílio. Atingiria o cume da sua produção literária com uma trilogia autobiográfica, composta por A Minha Infância (1913-1914), Ganhando o Meu Pão (1915-1916) e As Minhas Universidades (1923).

PARLATÓRiO

A arte é a mais bela das mentiras… É preciso primeiro encontrar, depois cortar, para chegar à carne nua da emoção.
Claude Debussy

O talento desenvolve-se no amor que pomos no que fazemos. Talvez até a essência da arte seja o amor pelo que se faz, o amor pelo próprio trabalho.
Maximo Gorki

Quem quiser ser realizador de cinema, tem que ter espírito prático. É trabalho árduo, como o de um carpinteiro e, quando eu termino um filme, estou absolutamente exausto… Aliás, só em idade já madura comecei a ter a ousadia de pensar que possuo algo de artista.
David Lean

MEMÓRiA

25MAR1908-1991 - David Lean: Cineasta britânico - «Gosto de uma boa história, bem consistente, com princípio, meio e fim. Na sua maioria, os novos filmes parecem diários. Não têm construção dramática. E devo dizer que gosto de uma boa construção dramática. Gosto de me emocionar, quando vou ao cinema». IMAG.141-320-492

1862-25MAR1918 - Claude-Achille Debussy, aliás Claude Debussy: Compositor francês - «As obras de arte fazem regras, mas as regras não fazem obras de arte». IMAG.252-291-301-349-375-383-438-535-540-576

28MAR1868-18JUN1936 - Alexei Maximovitch Peshkov, aliás Maximo Gorki: Escritor russo - «A tarefa da literatura é ajudar o homem a compreender-se a ele mesmo». IMAG.102-567

1926-30MAR1988 - John Clellon Holmes: Novelista, poeta e professor americano, membro da Beat Generation - «Mais do que simples fadiga, beat implica a sensação de ter sido usado, de estar em carne viva. Envolve uma espécie de desnudamento da mente e, em última instância, da alma: a sensação de estar sendo reduzido às bases da consciência. Em síntese, significa ser empurrado sem drama contra o muro do isolamento» (1952). IMAG.362-554

31MAR1918-2013 - Ted Post: Realizador americano de cinema e televisão, director de Harry, o Detective em Acção / Magnum Force (1973) com Clint Eastwood - «Acredito que a ganância e o ego de Clint afectaram a sua sensibilidade e o seu discernimento». IMAG.479

COMENTÁRiO

DAVID LEAN
Desde cedo o cinema se converteu em fenómeno de culto, explorado por múltiplas facetas: culto das suas vedetas, dos criadores, das próprias fitas - assim variando ao longo do Século XX, entre o fascínio e a emoção, a nostalgia e o encantamento. Durante sucessivas décadas, por conseguinte, subsistiu uma margem de público instituída - apesar das variantes - entre o estrito fanatismo e os limites volúveis do espectáculo. Pensemos agora noutra situação, punhamos a eventualidade de um culto que não respeita, já, ao espectador mas directamente ao artista visionário, àquele que manipula os materiais do cinema, e se exprime segundo as específicas virtualidades do imaginário. O realizador - fiel à regras duma indústria a que outrora se chamou fábrica de sonhos, mas também dependente dos caprichos do mercado, ou deles vítima eventual. Em tal sortilégio transfigurador, as modas e os modelos foram-se alterando. Este dilema eminente era reconhecido por David Lean, pouco antes de falecer. O mesmo director que, após uma iniciação prestigiosa (Breve Encontro - 1945, Grandes Esperanças - 1946), logrou alguns dos maiores sucessos de sempre (A Ponte do Rio Kway - 1957, Doutor Jivago - 1965, A Filha de Ryan - 1971)… Era um cinema de sublimes emoções, de espaços exaltantes, de anti-heróis em períodos de crise, de ambiciosas adaptações, da gigantesca reconstituição histórica, das paisagens exóticas e dos milhares de figurantes. Do esplendor ao crepúsculo das superproduções, concebidas para um deslumbramento ritual, o talento maior de David Lean terá sido reverter um desafio tão insinuante, culminado em Lawrence da Arábia (1962).

E O TEMPO PASSA
Um pouco como o cesteiro que entrelaça dezenas de fios de vime e daí faz uma cesta, também quis cruzar várias linhas narrativas, vários tons - momentos burlescos, dramáticos ou trágicos - passando ora por transição ora por corte franco de umas para outras, esperando que aos poucos o espectador comece a navegar - sem colete salva-vidas - pelas cenas que vão combinando ficção e vida até não saber em que território está. De qualquer modo estando no cinema estamos de certeza no espaço fascinante da ilusão em que todos nos deixamos enredar.
Alberto Seixas Santos

BREVIÁRiO

Leopardo Filmes produziu, e edita em DVD, Axilas (2016) de José Fonseca e Costa (1933-2015); com Pedro Lacerda e Maria da Rocha.

Marcador edita 100 Heróis e Vilões Que Fizeram a História de Portugal de Pedro Rabaçal.

Cotovia edita Satyricon de Petrónio (27-66); tradução de Delfim Leão. IMAG.81

Harmonia Mundi edita em CD, sob chancela Paraty, Heitor Villa-Lobos [1887-1959]: Obra Completa Para Guitarra por Mickael Viegas. IMAG.251-601

Ítaca edita Os Filhos de Franz Kafka (1883-1924); tradução de Isabel Castro Silva.  
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INCM/Imprensa Nacional - Casa da Moeda edita A Sereia de Camilo Castelo Branco (1825-1890). 
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Guerra & Paz edita A Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson (1850-1904); tradução de Rui Santana Brito.  
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