quarta-feira, maio 24, 2017

IMAGINÁRiO #663

José de Matos-Cruz | 16 Junho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

CONQUISTADORES
Historicamente, a geografia lendária de El Dorado exalta uma dimensão onírica e visionária, privilegiada sobre Lope de Aguirre. Aquele que ao participar, em 1560, na expedição saída de Puerto de Lamas no Perú, em demanda do reino de Omagua, se converteria no mais infame e sangrento conquistador. Exposta à cupidez de fabulosas riquezas - que, no imaginário dos indígenas, se localizavam sempre mais longe - tal digressão acabou por configurar a expiação de homens que instituíram o seu próprio inferno. Entre a verdade e a invenção, a Dreamworks decidiu suavizar a trama, sem descurar a utopia inerente à Cidade do Ouro, que teria sobrevivido por mais de meio milénio. O Caminho Para El Dorado / The Road To El Dorado (2000) de Eric Bibo Bergeron & Don Paul favorece os secundários da grande epopeia. Tulio e Miguel - ora cúmplices, ora implicativos - dispõem de um mapa para El Dorado, mas estão cativos num navio do explorador espanhol Cortez. Logrando escapar graças ao cavalo Altivo, chegam enfim à Cidade do Ouro, onde o alto-sacerdote Tzekel-Kan os acolhe como divindades. Porém, o seu desígnio é usurpar o poder, levando Tulio e Miguel a optarem entre a fortuna e a liberdade...

CALENDÁRiO

14JAN-04MAR2017 - Em Lisboa, Galeria 111 apresenta Caravela-Salão - exposição de pintura de Fátima Mendonça.

04FEV-18MAR2017 - Em Lisboa, Fundação Carmona e Costa apresenta Deita-te, Levanta-te e Agora Deita-te - exposição de desenho de Maria Capelo, sendo curador Nuno Faria.

08FEV-24ABR2017 - Em Lisboa, Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia / MAAT apresenta, no Cinzeiro 8, Arquivo e Democracia - exposição de fotografia e vídeo de José Maçãs de Carvalho, sendo curadora Ana Rito. IMAG.393

08FEV-29MAI2017 - Em Lisboa, Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia / MAAT apresenta Dimensões Variáveis | Artistas e Arquitectura - exposição colectiva, sendo curadores Inês Grosso e Gregory Lang.

09FEV2017 - O Som e a Fúria produziu, e estreia El Dorado XXI / La Rinconada (2015), documentário de Salomé Lamas. IMAG.491

09FEV2017 - NOS Audiovisuais estreia Delírio Em Las Vedras (2016) de Edgar Pêra; com Marina Albuquerque e José Raposo. IMAG.23-53-91-142-284-381-541-604

1911-10FEV2017 - Manuela Saraiva de Azevedo, aliás Manuela de Azevedo: Jornalista (a primeira mulher com carteira profissional em Portugal) e escritora - «Nunca escrevi à máquina. Uma das razões por que pedi a reforma - a mais importante foi a vontade de sair pelo meu próprio pé - foi saber que teria de passar a escrever num computador» (2013). IMAG.398

11-26FEV2017 - No Porto, Galerias Lumière apresenta Sê Em Céu Azul, Porto - exposição de fotografia de Fábio Fonseca.

25FEV-25JUN2017 - Em Vila Franca de Xira, Museu do Neo-Realismo expõe Alexandre Cabral [1917-1996], Memória de Um Resistente - sobre o escritor e ensaísta, sendo curadores António Pedro Pita e Odete Belo. IMAG.390

SUMÁRiO

Charles-François Gounod
Vencedor do Prix de Rome, em 1839, Gounod (1818-1893) foi anos mais tarde desviado da vida religiosa por Pauline Viardot. Várias tentativas infelizes na ópera e uma Messe Solennelle antecedem o imenso sucesso que obtém com Faust [1859]. Êxito que (quase) repetirá com Roméo et Juliette, em 1867. É hoje ainda sobre este par de obras que repousa a posteridade de Gounod, sem esquecer, claro está, o famosíssimo Ave Maria, sobre o Prelúdio I do Cravo Bem Temperado. Modernamente, a ópera Mireille [1864] vem tendo certa reapreciação. Foi professor de Bizet e o seu estilo influenciou as gerações de músicos franceses que lhe sucederam.
08JAN2009 - Diário de Notícias

VISTORiA

Quando Samantar saiu da gruta, o sol levantava-se por cima do mar, fazendo explodir debaixo dos seus raios mágicos todas as cores da paisagem. O verde dos palmeirais, o ocre das extensões arenosas, o azul do mar, apareciam em todo o esplendor da sua frescura primitiva. Era quase um chamamento sensual, uma exortação ao amor que Samantar sentiu com uma indizível felicidade. Então, fez vaguear o olhar maravilhado por toda aquela beleza cintilante debaixo do sol, como uma oferenda àquele que simplesmente quer viver e que a ambição de um homem quase destruíra.
Albert Cossery
- Uma Ambição No Deserto
(Tradução de Sarah Adamopoulos - excerto)

Quanto ouro há na ruína
E quanta dor
Para medir o verso
E esquecer a chama
Que cresce aos meus pés:
Porque o único homem supremo
É aquele que está morto, e já não é.
Leopoldo Maria Panero


MEMÓRiA

16JUN1948-2014 - Leopoldo Maria Panero: Poeta espanhol, autor de Poemas del Manicomio de Mondragón (1987) - «Eu sou Fernando Pessoa / como Pessoa foi Álvaro de Campos». IMAG.504

17JUN1818-1893 - Charles-François Gounod: Compositor francês - «Se a vida precede a morte na sequência do tempo, a morte precede a vida na sequência da eternidade. A morte pode ser o fim da ilusão da vida, mas é o princípio da verdadeira vida, da vida imortal da alma» (1863). IMAG.54-84-183-375-439-464

1922-17JUN2008 - Tula Ellice Finklea, aliás Cyd Charisse: Actriz e bailarina americana - «Quando estávamos a dançar juntos, nem nos apercebíamos de que horas eram» (Fred Astaire). IMAG.204-362

22JUN1898-1970 - Erich Paul Remark, aliás Erich Maria Remarque: Escritor alemão - «Os horrores são suportáveis, enquanto causam sofrimento; mas passam a matar, quando reflectimos sobre eles».

1913-22JUN2008 - Albert Cossery: Escritor egípcio, de expressão francesa - «É a voz de um povo que desperta e que cedo vai estrangulá-lo. Cada minuto que passa, separa-o da sua antiga vida. O futuro está cheio de gritos. O futuro está cheio de revoltas. Como represar este rio transbordante que vai submergir as cidades?» (A Casa da Morte Certa - excerto). IMAG.205-441-563

23JUN1668-1744 - Giovanni Battista Vico, aliás Gianbattista Vico: Filósofo italiano - «A memória é muito vigorosa nas crianças e, por esse motivo, a sua imaginação é excessivamente viva, pois esta não é mais do que uma memória dilatada e composta». IMAG.451

1901-25JUN1948 - Bento de Jesus Caraça: Matemático português - «Não foi um investigador, isto é, não foi um criador de ciência. E como poderia sê-lo, tendo sido nomeado assistente aos 18 anos (!) e professor catedrático aos 28, numa Escola da Universidade Técnica, onde grande parte da massa discente entrava com uma preparação deficientíssima em matemática? O que devemos admirar, sim, é o seu esforço de autodidacta, as suas invulgares qualidades de trabalho, de que as Lições de Álgebra e Análise são um dos frutos. E sinto-me inclinado a admitir que, sob esse aspecto, a sua actividade foi realmente criadora; isto é, sou levado a pensar que Bento Caraça criou, efectivamente, um estilo de ensino da matemática, de que eu próprio sou beneficiário» (José Sebastião e Silva - 1968). IMAG.224-319

PARLATÓRiO

Ascética e severa, há a música tranquila, horizontal como a linha do oceano, monótona em virtude da sua serenidade, tudo menos sensual, e ao mesmo tempo tão intensa na pulsão contemplativa que, por vezes, logra atingir o êxtase…
As ideias musicais brotam na minha mente como um voo de borboletas, e tudo o que eu tenho de fazer é estender a mão para as colher.
Charles-François Gounod

As ilusões nunca são perdidas. Elas significam o que há de melhor na vida dos homens e dos povos. Perdidos são os cépticos que escondem sob uma ironia fácil a sua impotência para compreender e agir, perdidos são aqueles períodos da história em que os melhores, gastos e cansados, se retiram da luta, sem enxergarem no horizonte nada a que se entreguem, caída uma sombra uniforme sobre o pântano estéril da vida sem formas.
Bento de Jesus Caraça

Pedirem-me para escolher entre Fred Astaire e Gene Kelly, é como comparar maçãs com laranjas. Ambas são frutos deliciosos…
Cyd Charisse

COMENTÁRiO

Observamos que todas as nações, tanto as bárbaras como as civilizadas, embora tão distintas entre si no espaço e no tempo, conservam estes três costumes humanos: todas têm alguma religião, todas contraem casamentos solenes e todas enterram os seus mortos.
Gianbattista Vico

BREVIÁRiO

Arte de Autor edita A Marca Jacobs - Uma Vida Em Banda Desenhada de Rodolphe/Rodolphe Daniel Jacquette (argumento) e Louis Alloing (ilustração); sobre Edgar Pierre Jacobs (1904-1987), criador de As Aventuras de Blake e Mortimer (1946). IMAG.10-66-119-218-245-281-348-427-451-460-487-507-599-642-658-Extra
 

quarta-feira, maio 10, 2017

AURORA BOREAL e O INSTINTO SUPREMO

Assinalando a homenagem a Daniel Maia e Susana Resende, durante o 13º Festival Internacional de BD de Beja, com uma exposição alusiva a O Infante Portugal e a Aurora Boreal, de que aqueles artistas fixaram o imaginário primordial, a editora Apenas Livros lança uma apresentação especial do projecto criativo Aurora Boreal, sob o signo fantástico, que José de Matos-Cruz tem, actualmente, em desenvolvimento ficcional.
Trata-se de Aurora Boreal e O Instinto Supremo – que incide sobre um dos universos em que se estrutura O Princípio Infinito, primeiro segmento de um tríptico dedicado à heroína titular. Aurora Boreal surgiu n’O Infante Portugal (2007-2012), nascida de uma relação efémera entre Oktobraia, uma aventureira soviética exilada em Lisboa, e o Malsão, um portento cósmico que avassala o marasmo lusitano. 
 

Para o autor, trata-se de uma experiência inversa: enquanto, na trilogia d’O Infante Portugal, diversos artistas aceitaram ilustrar personagens e situações já descritas, para Aurora Boreal foi-lhes proposta – considerando alguns elementos essenciais – a concepção de um universo próprio, segundo os seus estímulos e preferências, a partir do qual desencadeou todo o processo narrativo.

A natureza onírica e mágica de Aurora Boreal suscitou uma visão original, a qual foi solicitada a Susana Resende – que depois transfigurou O Instinto Supremo. Para a contextualização deste universo, contribuiu também Daniel Maia – cuja inspiração havia consumado a evolução icónica do Infante Portugal, culminante n’As Sombras Mutantes (2012), em que se revelara Aurora Boreal.


Aurora Boreal e O Instinto Supremo
(Apenas Livros)
Autor: José de Matos-Cruz
Ilustração: Susana Resende e Daniel Maia
1ª Edição: Maio 2017 | ISBN: 9789896185671

 Livreto de Prosa Ilustrado | 28 páginas/PB | PVP: 3,60€

IMAGINÁRiO #662

José de Matos-Cruz | 8 Junho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004
PRONTUÁRiO
Douro, Faina Fluvial (1931) de Manoel de Oliveira
TESTEMUNHOS
O documentarismo constitui, no cinema português, o seu domínio mais fecundo e genuíno, explorado em múltiplas tendências ou correspondências. De facto, num país com pequena e precária indústria das imagens animadas, tal expressão assumiria uma alternativa importante, na própria função técnica e continuidade profissional, investida mesmo como elemento estético, temático e poético, em fitas de representação ficcional. Nas referências da actualidade, pelas expectativas em risco, repercutiu-se um olhar retrospectivo - no qual evoluem as emoções e a maturidade, cruzando afinal os múltiplos registos que o cinema propiciou. É o estímulo das fotografias vivas, cujas representação e projecção readquirem primordiais virtualidades. De certo modo, a nossa própria experiência de ideais, sucessos e desaires também está assim estigmatizada ou latente. Sublimando uma abordagem sobre as pessoas, os eventos e as paisagens, em recorrente transfiguração lírica ou simbólica, o documentarismo afirmou-se, sobretudo, por uma fusão aliciante entre realismo e criatividade. Em causa, está a constância de um olhar sobre a história e a memória, contrastando a evocação ou o testemunho. Essa navegação imaginária que, portanto, nos faz presente entre o passado e o futuro. Além disso, o documentarismo desempenhou, com frequência, uma manifestação de vanguarda, quanto às fases de viragem na produção ou na criatividade. Pioneiro e referencial, logo quando a maravilha técnica desponta. Em pujante expressão artística, pela transição entre o mudo e o sonoro. Persistindo ao longo de décadas, com o empenho e a obstinação de vários cinegrafistas, cada um com a sua marca peculiar.

CALENDÁRiO

19JAN-04MAR2017 - Em Lisboa, Galeria Pedro Cera apresenta Late Night Shopping - exposição de pintura de Gil Heitor Cortesão.

21JAN-19FEV2017 - Em Sintra, Museu do Ar apresenta Penetrando Em Outras Dimensões - exposição de pintura de Rosário Figueiredo Gomes, com fotografias de Cristina Menezes Alves e Luís Miguel Azevedo.

21JAN-25FEV2017 - No Porto, Espaço Mira apresenta Saturnidade - exposição de pintura, desenho, escultura e vídeo de Isabel Ribeiro, sendo curador José Maia. IMAG.543

1940-25JAN2017 - John Vincent Hurt, aliás John Hurt: Actor inglês de teatro, televisão e cinema, intérprete de O Homem-Elefante / The Elephant Man (1980 - David Lynch) - «A sua carreira foi a de um eterno secundário, com uma invulgar capacidade de transfiguração» (João Lopes). IMAG.74

24FEV1927-27JAN2017 - Paulette Germaine Riva, aliás Emmanuelle Riva: Actriz francesa de teatro e cinema, protagonista de Hiroxima, Meu Amor / Hiroshima Mon Amour (1959 - Alain Resnais) - «Vi tudo… Tudo!». IMAG.502

05FEV2017 - Bando à Parte produziu, e estreia no Porto, Ornamento e Crime (2015) de Rodrigo Areias; com Edgar Pêra e Vítor Correia. IMAG.284-414-514-522

23FEV-09ABR2017 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga/MNAA apresenta, na Galeria de Exposições Temporárias, A Cidade Global - Lisboa No Renascimento, sendo comissárias Annemarie Jordan Gschwend e Kate Lowe.

15FEV-16ABR2017 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Uma Viagem Simbólica: Bairro Histórico de Cascais - exposição de pintura de MAN. IMAG.360

VISTORiA

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade, não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho. Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me aponta traições da alma a um carácter que talvez eu não tenha, nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore e até a flor, eu sinto-me vários seres. Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente, como se o meu ser participasse de todos os homens, incompletamente de cada um, por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.
Fernando Pessoa
- Para a Explicação da Heteronímia

TRAJECTÓRiA

VIEIRA DA SILVA
Maria Helena Vieira da Silva nasceu em Lisboa, a 13 de Junho de 1908. Cedo motivada em música e literatura, não tardou a revelar-se para o desenho e a pintura. Atraída pela escultura, em 1924 estudou Anatomia na Escola de Belas Artes de Lisboa. Em Paris aos vinte anos, frequentou as academias La Grande Chaumière e Scandinave, foi aluna de Fernand Léger e trabalhou com Dufresne e Waroquier. Em 1930, casou com o pintor húngaro Arpad Szènes. Em 1931, expôs nos Salons d’Automne e Surindépendants. Em 1932, tornou-se discípula de Bissière, na Académie Ransom. Até finais dos anos ’30, desenvolveu a perspectiva e a repetição, distinguindo-se L’Atelier (1940 - óleo sobre tela). Com a II Guerra Mundial, e após passagem por Lisboa, radicou-se com Arpad no Brasil, expondo no Museu Nacional de Belas-Artes (1942) e concluindo La Partie d’Échecs (1943). Em 1947, regressou a Paris, assinando Bibliothèque (1949). Distinguindo-se no Abstraccionismo Lírico da Escola de Paris, apresentou Bataille des Rouges et des Bleus (1953). Em 1956, naturalizou-se francesa, com Arpad. Galardoada com o Prémio Internacional de Pintura na Bienal de São Paulo (1961), executou L’Enterprise Impossible (1961-1967). Alvo de uma Retrospectiva integral na Fundação Calouste Gulbenkian, após a Revolução dos Cravos o Presidente da República impôs-lhe a Grã-Cruz de Sant’Iago e Espada. Falecido Arpad em 1985, no ano seguinte concluiu Soleils. Em 1988, o Governo atribuiu-lhe a Ordem da Liberdade. Criada a Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva em 1990, em 1991 recebeu o grau de Oficial da Légion d’Honneur pela República Francesa. Faleceu em Paris, a 6 de Março de 1992.

MEMÓRiA

09JUN1918-2011 - Vitorino Barbosa de Magalhães Godinho, aliás Vitorino Magalhães Godinho: Historiador, professor universitário, autor de Ensaios e Estudos - Uma Maneira de Pensar (2009) - «Foi até ao fim um cidadão empenhado, preocupado com o lançamento das bases de uma sociedade democrática» (Guilherme d’Oliveira Martins). IMAG.207-244-358

10JUN1918-2015 - Henriette Eugénie Jeanne Ragon, aliás Patachou: Cantora e actriz francesa - «A [sua] voz rouca fazia romper a alegria popular, às vezes trocista, às vezes brejeira, gritando gosto pela vida» (José Cutileiro). IMAG.568

13JUN1888-1935 - Fernando António Nogueira Pessoa, aliás Fernando Pessoa: Escritor português, poeta e ficcionista - «Nós nunca nos realizamos. Somos dois abismos - um poço fitando o céu».
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13JUN1908-1992 - Maria Helena Vieira da Silva: Artista plástica portuguesa, naturalizada francesa (1956) - «Às vezes, pelo caminho da arte, experimento súbitas, mas fugazes iluminações e então sinto por momentos uma confiança total, que está além da razão. Algumas pessoas entendidas que estudaram essas questões dizem-me que a mística explica tudo. Então, é preciso dizer que não sou suficientemente mística. E continuo a acreditar que só a morte me dará a explicação que não consigo encontrar». IMAG.14-39-42-75-134-168-182-224-227-382-386-392-434-461-486-490-499-500-502-522-553-554-567-579-603-604-609

13JUN1928-2015 - John Forbes Nash Jr, aliás John Nash: Matemático americano - «Talvez seja bom ter uma mente brilhante, mas um dom ainda maior é descobrir um coração bonito». IMAG.571

14JUN1908-1979 - Joaquim Belford Correia da Silva, aliás Joaquim Paço d’Arcos: Ficcionista, poeta e ensaísta português - «Eu não quis fazer História, pretendi escrever umas páginas poucas em que focasse a miséria duns e a grandeza de outros.» (Herói Derradeiro - Introdução). IMAG.219-230-529

1923-15JUN1968 - John Leslie Montgomery, aliás Wes Montgomery: Guitarrista americano de jazz, Prémio New Star (1960) da revista Down Beat - «desenvolveu um estilo único de dedilhado com o polegar, bem como um modo de tocar em oitavas, que se tornariam as suas marcas registadas. A sua extrema liberdade e fluidez no instrumento chamaram, desde o início, a atenção» (Fernando Jardim) - «Se um artista de jazz está efectivamente a tocar, o executante de música clássica tem, necessariamente, de o respeitar». IMAG.419-505

PARLATÓRiO

Não é possível analisar os problemas da realidade portuguesa contemporânea sem os inserir na trama da evolução do nosso país, quer dizer, sem estudar as condições de formação do mundo em que vivemos, a génese da nossa cultura, da nossa sociedade, da estrutura político-económica de Portugal.
Vitorino Magalhães Godinho

BREVIÁRiO

Relógio D’Água edita Ensaios Escolhidos de George Orwell (1903-1950); tradução de José Miguel Silva. IMAG.170-205-212-222-259-313-318-419-424-476

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS – Folhetim Aperiódico

MAL TORNA AO CRIADOR QUEM, SUJEITO, SE REFAZ - 9

Depois, Joel tornou-se proxeneta de almas, escavando nelas, estilizado, um suplício irritante, como funcionário catártico do Poder vigente. Às tantas, canino, deleitava-se mesmo a infligir tormentos vãos aos pobres diabos, idealistas, num desbarato quanto à integridade militante.
Continua

segunda-feira, maio 08, 2017

IMAGINÁRiO #661

José de Matos-Cruz | 1 Junho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

ESTRATÉGIAS
Quando o Embaixador Spock lhe solicita a permissão para acolherem os Cardassians, o seu pai Sarek, honorável representante vulcano na Federação dos Planetas Unidos, opõe-se a tal proposta. Esta recusa, agreste e pública, provoca uma rotura familiar… Sob chancela DC Comics, pela vertente WildStorm, eis Enter the Wolves (2001) - um capítulo mais na saga de Star Trek, concebido pelos prestigiados autores de ficcção científica Howard Weinstein (lembrar The Better Man) & A.C. Crispin (Sarek), e ilustrado por Keith Aiken & Carlos Mota (Star Trek Special). Enquanto Spock defendia a causa dos Cardassians, Sarek tentara, ao longo dos anos, fazer os Legarans - e o seu mundo, estrategicamente vital - parte da Federação, mas os progressos foram lentos, penosos. Entretanto, tudo se agrava com um acto de sabotagem - cuja execução parece comprometer os Legarans. E piora quando Perrin, a actual esposa de Sarek, é sequestrada. Numa situação de perigo, atenuam-se os conflitos e sobressaem os pactos de sangue. Mas, será ainda possível uma aliança com os Cardassians? IMAG.34-62-110-249-335-338-404-443-494-556-640

CALENDÁRiO

07JAN-18FEV2017 - Em Lisboa, Galeria Monumental expõe Pintura de José David.

12JAN-08MAR2017 - Em Lisboa, Galeria Cristina Guerra apresenta Rasgo - exposição de fotografia de André Cepeda. IMAG.297-543-620

1922-24JAN2017 - Maria Isabel de Mendonça Soares: Escritora portuguesa, tradutora e professora - «A [sua obra] é essencialmente de carácter pedagógico. Atenta aos problemas do seu tempo e às crianças» (Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas).

27JAN-25JUN2017 - Em Lisboa, Pavilhão Preto do Museu da Cidade expõe A Lisboa Que Teria Sido, sendo comissários Raquel Henriques da Silva e António Miranda.

02FEV-09MAR2017 - Em Cascais, Casa Sommer expõe Patrimónios Submersos de Cascais; organização do Arquivo Histórico Municipal.

COMENTÁRiO

Casanova
Nunca contrai dívidas de alma, pois as suas relações são sempre leais, são simplesmente de ordem sexual e sensual. Ele não provoca nenhuma catástrofe, fez muitas mulheres felizes (…) todas saem intactas de uma aventura para voltar à vida quotidiana. Nenhuma delas se suicida nem se abandona ao desespero; o seu equilíbrio interior não é perturbado (…) Ele conquista sem destruir, seduz mas não desmoraliza.
Stefan Zweig
- Casanova: A Study In Self-Portraiture (excertos)
VISTORiA

A Jovem Miss

Ella é tão loura, lyrica, franzina,
Tão mimosa, quieta, e virginal,
Como uma bella virgem d’um missal
Toda dourada, e preciosa e fina!

Não ha graça mais casta e femenina
Do que a d’ella! Seu riso angelical
Cria em nós todo um mundo de moral,
Melhor que tudo o que Platão ensina!

Por isso; e pela sua castidade,
Deve ser goso intenso, na verdade,
Sentir fundir-se em nós seus olhos regios!..

E o goso de a beijar trémula, amante,
Deve ser quasi extranho! – e semelhante
Ao de fazer terriveis sacrilegios.
Gomes Leal
- Claridades do Sul
VISTORiA

Seria primeiro podridão fétida, depois uma pasta pegajosa, no fim uma poeira que se não distinguiria do outro pó. Aquilo por que éramos, sentíamos, conhecíamos, existíamos, nos podíamos tornar um corpo triunfante, acabava connosco, não nos sobrevivia: apenas durava mais o cabide daquilo, sem que sequer pudesse aguentar-se em pé. Revi o esqueleto que havia no liceu, pendurado numa haste de ferro, como um enforcado, e com os ossos presos uns aos outros por araminhos. E a vida era isso: a duração daquele conjunto de carne, pela qual a nossa consciência, as nossas faculdades, o nosso eu existia.
Jorge de Sena
- Sinais de Fogo (1979)

NOTICIÁRiO

Vianna da Motta

Temos por vezes dado notícia aos nossos leitores do progresso e aplausos que tem recebido em Berlim o jovem pianista Vianna da Motta, que ali está estudando a expensas de sua majestade El-Rei D. Fernando. Tendo entrado há três anos no Conservatório de Scharwenka, terminou neste curto espaço de tempo os seus estudos de piano, harmonia, contraponto, composição e orquestração. Talento privilegiado, não é só na música que se tem tornado notável. Nos seus estudos literários tem obtido louvor em quase todas as disciplinas e no fim do seu primeiro ano escolar no acto de distribuição de prémios foi apresentado como modelo de talento e aplicação perante numeroso auditório que assistia àquela festa imponente.

Não contente com o muito que tem conseguido nos seus estudos e desejando corresponder ao merecido conceito que se faz do seu talento, manifestou à senhora Condessa de Edla e a El-Rei D. Fernando o desejo de receber algumas lições de Liszt. Sua majestade, que se interessa vivamente por que o seu protegido seja o orgulho da sua nação e uma notabilidade europeia, acaba de lhe conceder a continuação dos seus estudos, enviando-lhe uma carta de recomendação para Liszt e autorizando o seu protegido a acompanhar o mestre nas suas viagens.
Saudamos sua majestade El-Rei D. Fernando e a senhora Condessa de Edla pelo muito que se interessam pelas artes do nosso país e damos os nossos parabéns aos pais do talentoso moço.
30AGO1885 - Diário de Notícias
MEMÓRiA

22ABR1868-01JUN1948 - José Vianna da Motta: Compositor português, pianista e pedagogo - «Uma das figuras mais importantes do panorama musical português, foi director do Conservatório Nacional de 1919 a 1938. Era um músico que, reunindo um conjunto de potencialidades artísticas e culturais, desenvolveu actividades musicais diversificadas. Embora seja mais conhecido como um brilhante pianista de craveira internacional, é também hoje lembrado como um distinto compositor, pedagogo e musicógrafo» (Teresa Castanheira).IMAG.48-115-158-175-182-187-513-625

1725-04JUN1798 - Giacomo Girolamo Casanova, aliás Giacomo Casanova: Escritor e aventureiro italiano - «Eu amei, fui amado, a minha saúde era boa, tive uma grande quantidade de dinheiro, fui feliz, e assim o confesso a mim mesmo.» (História da Minha Vida). IMAG.299-347-505-509-545

1919-04JUN1978 - Jorge Cândido de Sena, aliás Jorge de Sena: Escritor português, poeta e ficcionista, dramaturgo e ensaísta, professor universitário - «Esta é a ditosa pátria minha amada. Não. / Nem é ditosa, porque o não merece. / Nem minha amada, porque é só madrasta. / Nem pátria minha, porque eu não mereço / A pouca sorte de nascido dela.» (A Portugal - excerto).
IMAG.60-67-87-112-181-202-249-264-268-305-313-329-332-358-392-486-489-495-502-588-599

1910-04JUN1988 - Henrique Alves Costa: Crítico de cinema, fundador do Cine-Clube do Porto (1945) - «Um amigo de longos anos, companheiro na conversa, na boémia e, sobretudo, na paixão do cinema» (Manoel de Oliveira - 1998). IMAG.201-282-335

05JUN1898-1936 - Federico García Lorca: Poeta e dramaturgo espanhol - «A poesia é a união de duas palavras que nunca se supôs que se pudessem juntar, e que formam uma espécie de mistério». IMAG.38-108-173-404-526-576

06JUN1848-1921 - António Duarte Gomes Leal: Escritor português, poeta e crítico literário - «Eu sou um visionário, um sábio apedrejado, / passo a vida a fazer e a desfazer quimeras, / enquanto o mar produz o monstro azulejado / e Deus, em cima, faz as verdes primaveras!». IMAG.13-181-307-337-345-478-628

07JUN1848-1903 - Eugène-Henri-Paul Gauguin, aliás Paul Gauguin: Pintor francês, pós-impressionista - «Sendo a vida como ela é, apenas consigo sonhar em vingança». IMAG.48-183-459

07JUN1958-2016 - Prince Rogers Nelson, aliás Prince: Músico americano, compositor, letrista, multi-instrumentista, cantor, produtor, cineasta e actor, autor de Purple Rain (1984) - «No final de cada chuvada, há sempre um arco-íris». IMAG. 92-174-616

BREVIÁRiO

Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, Horowitz In Moscow pelo pianista Vladimir Horowitz (1903-1989).
 

segunda-feira, maio 01, 2017

IMAGINÁRiO #660

José de Matos-Cruz | 24 Maio 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004
PRONTUÁRiO

CLÁSSICOS
Um dos mais fascinantes e misteriosos cineastas de todos os tempos, que sublimou o talento de autor europeu com o espectáculo ritualizado em Hollywood, Josef Von Sternberg (1894-1969) foi, no início dos anos ’50, incumbido por Howard Hughes de concretizar duas fitas, a cargo da RKO: Jet Pilot (1950) - apenas lançado entre nós em 1957, como Estradas do Inferno; e Macao (1952) - que nunca estreou comercialmente em Portugal, logo por óbvias razões geopolíticas. Longe iam já as cintilações de um vínculo mítico com Marlene Dietrich, até The Devil Is a Woman (1935); e mesmo a actividade primordial de Sternberg há muito esmorecera, após Aconteceu Em Xangai (1941). Aliás, o realizador austríaco estaria cada vez mais farto com as actuais condições de trabalho e dificuldades de produção - assumida em Macao por Alex Gottlieb, com argumento de Bernard C. Schoenfeld & Stanley Rubin, sobre enredo de Bob Williams. Consagrado como um fenómeno de génio e subversão, desde meados da década de ’20, em plena magia das imagens silenciosas, Sternberg abandonou a carreira pouco depois, sendo o seu título culminante The Saga of Anatahan (1953), a convite da indústria nipónica. A acidentada rodagem de Macao principiou em Setembro de 1950, antes de estar concluído Jet Pilot, mas só viria a público longos meses após a conclusão. IMAG.254-281-375-466-468

CALENDÁRiO

11JAN-09FEV2017 - Em Lisboa, Appleton Square apresenta Cielo y Luz - exposição de fotografia e vídeo de Augusto Alves da Silva. IMAG.648

1941-23JAN2017 - Gordon Fitzgerald Kaye, aliás Gorden Kaye: Actor inglês de rádio, cinema e televisão, intérprete de René Artois na série Allo’ Allo! / Alô, Alô (1982) - «Não haverá outro René» (Vicki Michelle).

26JAN2017 - Terratreme produziu, e estreia Ama-San (2016), documentário de Cláudia Varejão.

26JAN2017 - Leopardo Filmes produziu, e estreia O Divã de Estaline / Le Divan de Staline (2016) de Fanny Ardant; com Gérard Depardieu e Emmanuelle Seigner. IMAG.505

02FEV-05JUN2017 - Em Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian expõe Almada Negreiros [1893-1970], Uma Maneira de Ser Moderno, sendo curadoras Mariana Pinto dos Santos e Ana Vasconcelos. IMAG.84-135-154-173-224-278-292-305-371-413-498-547-561-579-612-630-633

VISTORiA

Que ingenuidade, que pobreza de espírito, dizer que os animais são máquinas privadas de conhecimento e sentimento, que procedem sempre da mesma maneira, que nada aprendem, nada aperfeiçoam! Bárbaros agarram esse cão que tão prodigiosamente vence o homem em amizade, pregam-no em cima de uma mesa e dissecam-no vivo para te mostrarem as suas veias mesentéricas. Descobres nele todos os mesmos órgãos de sentimentos de que te gabas. Responde-me, maquinista, teria a natureza entrosado nesse animal todos os órgãos de sentimentos sem objectivo algum? Terá nervos para ser insensível? Não inquires a natureza sobre tão impertinente contradição?
Voltaire
- Dicionário Filosófico (1764)

Os homens transitam do Norte para o Sul, de Leste para Oeste, de país para país, em busca de pão e de um futuro melhor. Nascem por uma fatalidade biológica e quando, aberta a consciência, olham para a vida, verificam que só a alguns deles parece ser permitido o direito de viver. Uns resignam-se logo à situação de elementos supérfluos, de indivíduos que excederam o número, de seres que o são apenas no sofrimento, no vegetar fisiológico de uma existência condicionada por milhentas restrições. Curvam-se aos conceitos estabelecidos de há muito, aceitam por bom o que já estava enraizado quando eles chegaram e deixam-se ir assim, humildes, apagados, submissos, do berço ao túmulo – a ver, pacientemente, a vida que levam outros homens mais felizes.
Ferreira de Castro
- Emigrantes (1928) – Pórtico
MEMÓRiA

24MAI1898-1974 - José Maria Ferreira de Castro: Escritor português, cidadão do Mundo, autor de A Selva (1930) - «Eu devia este livro a essa majestade verde, soberba e enigmática, que é a selva amazónica, pelo muito que nela sofri durante os primeiros anos da minha adolescência e pela coragem que me deu para o resto da vida.» (Pórtico - 1955). 
IMAG.26-37-47-83-115-128-156-180-217-244-472-629

1922-25MAI2008 - David Gahr: Fotógrafo americano - «É impossível pensar na música popular americana dos últimos cinquenta anos, sem nos vir à cabeça uma fotografia tirada pelo Dave Gahr. As suas fotografias possuem qualidades líricas e íntimas, fossem tiradas com pose ou fossem espontâneas. Ele era um pioneiro, um divertido irascível, um sujeito formidável» (Henry Sapoznik). IMAG.201-387

1934-26MAI2008 - Sydney Irwin Pollack, aliás Sydney Pollack: Cineasta americano, actor e produtor - «Eu não nasci a pensar nos filmes como arte, mas apenas como filmes - algo que fosse para ser visto numa tarde de sábado». IMAG.200-331-357-364-434-471-473

28MAI1738-1814 - Joseph-Ignace Guillotin: Médico francês, ligado à execução pela guilhotina (1789), como meio de eliminar os tratamentos desiguais e os castigos bárbaros - «O criminoso será decapitado por efeito desse simples mecanismo, capaz de fazer saltar a cabeça num piscar de olhos». IMAG.291-333-465-560

28MAI1908-1964 - Ian Lancaster Fleming, aliás Ian Fleming: Escritor e jornalista inglês, agente da espionagem naval, criador de James Bond 007 (1952) - «Deveríamos viver duas vezes. Uma quando nascemos, e outra ao olharmos a morte de frente». IMAG.46-63-120-146-180-219-280-432

1694-30MAI1778 - François-Marie Arouet, aliás Voltaire: Escritor francês, filósofo iluminista, autor de Tratado Sobre a Tolerância (1762) - «Não é aos homens que me dirijo, é a ti, Deus de todos os seres, de todos os homens e de todos os tempos… Que as pequenas diferenças entre as vestimentas que cobrem os nossos fracos corpos, entre os nossos costumes ridículos, entre todas as nossas leis imperfeitas, entre todas as nossas opiniões insensatas, que todas essas pequenas nuances que distinguem os átomos chamados homens não sejam motivo de perseguição.». IMAG.28-180-270-295-388-491-593

31MAI1928-2013 - Édouard Camille Molinaro, aliás Édouard Molinaro: Cineasta francês, realizador de O Amor Faz-me Fome / La Mandarine (1972) - «Tinha gosto e competência para converter em campeões de bilheteira os sucessos do teatro de boulevard» (Les Inrockuptibles). IMAG.491

PARLATÓRiO

Guillotin
O senhor Guillotin, que conheci na sua velhice, não se conformava com aquilo a que chamava uma mancha inapagável na sua vida. A sua figura venerável enchia-se de tristeza profunda; e os seus cabelos, completamente brancos, testemunhavam tudo o que tinha sofrido. Ele queria aliviar a Humanidade, e contribuiu, sem ter previsto isso, para a destruição de um grande número de indivíduos. Se a morte destes tivesse sido menos expedita, talvez o povo se houvesse cansado mais cedo das execuções, às quais acorria como a um espectáculo.
Imperatriz Joséphine


A maioria dos grandes realizadores de cinema que conheço, não foram actores - por isso, não posso considerar que tal seja um factor essencial. No entanto, para mim tornou-se uma enorme ajuda.
Sydney Pollack

BREVIÁRiO

Tinta da China edita A Conquista das Almas de Aniceto Simões e Carlos Matos Gomes / Carlos Vale Ferraz. IMAG.3-197-616

Assírio & Alvim edita Poemas Escolhidos de José de Almada Negreiros (1893-1970). 
 
GALERiA

Almada Negreiros – Uma Maneira de Ser Moderno
Autor profuso e diversificado, Almada (1893-1970) pôs em prática uma conceção heteróclita do artista moderno, desdobrado por múltiplos ofícios. Toda a arte, nas suas várias formas, seria, para Almada, uma parte do espetáculo que o artista teria por missão apresentar perante o público, fazendo de cada obra, gesto ou atitude um meio de dar a ver uma ideia total de modernidade.
A exposição apresenta um conjunto de obras que reflete a condição complexa, experimental, contraditória e híbrida da modernidade. A pintura e o desenho mostram-se em estreita ligação com os trabalhos que fez em colaboração com arquitetos, escritores, editores, músicos, cenógrafos ou encenadores. Esta escolha dá também visibilidade à presença marcante do cinema e à persistência da narrativa gráfica ao longo da sua obra. Juntam-se ainda obras e estudos inéditos que darão a conhecer diferentes facetas do processo de trabalho artístico de José de Almada Negreiros.

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS – Folhetim Aperiódico

MAL TORNA AO CRIADOR QUEM, SUJEITO, SE REFAZ - 8

Antes, Ofélia aderiu à diáspora lésbica. De sua imensa dor, extrairia os prazeres da absolvição. Gritando para as parceiras, enciumadas: «Eu nunca te menti sobre a minha condição!» Pois não. Só que estava diferente, devassada que foi um dia em sua ambiguidade carnal.
Continua