terça-feira, janeiro 16, 2018

IMAGINÁRiO-Extra: 2º MÓDULO do II CURSO DE BD no MUSEU BORDALO PINHEIRO

Entre 19 de Janeiro e 9 de Fevereiro, decorre o 2º Módulo do II Curso de BD do Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, coordenado pelo autor Penim Loureiro, com orientação pela artista plástica/ilustradora Susana Resende.

Este 2º módulo vai focar-se em introdução ao desenho e planificação de banda desenhada pelo gesto, inovadores métodos criativos e em análises a pranchas clássicas de BD.
Cada uma das 4 aulas será concluída com Conversa Aberta, acessível ao grande público, com os artistas convidados Bernardo Majer (dia 26), Daniela Viçoso (dia 2) e Daniel Maia (dia 9). A primeira aula será ocupada por sessão prática realizada pela formadora Susana Resende (dia 19).


segunda-feira, janeiro 15, 2018

IMAGINÁRiO #698

José de Matos-Cruz | 08 Março 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

SOBREVIVER
Entre crises e casos, euforias e singularidades, o cinema português celebra uma existência mais que centenária, superando-se em indústria precária pelo engenho artístico ou pela motivação documental. Em 2000, José Nascimento realizou Tarde Demais, sendo ainda argumentista com João Canijo. Em causa, uma história nossa, recente e trágica. Quatro homens tentam sobreviver ao naufrágio de uma velha canoa de pesca, no meio do Rio Tejo, entre Lisboa e Alcochete. Após as longas horas de submersão, esperam uma baixa da maré para poderem caminhar entre os bancos de ostras, e chegarem a uma das duas ilhas aluviais. As opiniões dividem-se. Os conflitos adensam-se. A separação é inevitável. Porém, os caminhos escolhidos reservam perigos e sacrifícios inesperados… A estrutura clássica permite caracterizar todo o matiz humano, pelo recorte evolutivo de cada uma das personagens várias. Assim implicando o vínculo que partilham, sob uma desgraça na qual se debatem, com a mera e intrínseca coragem da persistência. Ora, em tal intenso transe subjugadas, o domínio fluvial é determinante, na sua natureza caprichosa e ameaçadora. IMAG.53-77-189

CALENDÁRiO

1930-09OUT2017 - Jean Raoul Robert Rochefort, aliás Jean Rochefort: Actor e cineasta francês, intérprete de O Relojoeiro / L’Horloger de Saint-Paul (1973 - Bertrand Tavernier) - «A sua elegância era uma simplicidade que lhe ficava bem» (Guy Poisley).

10OUT-31DEZ2016 - Alfândega do Porto apresenta The World of Steve McCurry (EUA) - exposição de fotografia com curadoria de Biba Giacchetti e cenografia de Peter Botazzi. IMAG.615

18OUT2017-29ABR2018 - No Porto, Galeria da Biodiversidade | Centro Ciência Viva expõe National Geographic PhotoArk - A Nova Arca de Noé de Joel Sartore.

19OUT2017 - NOS Audiovisuais estreia Porto (2016) de Gabe Klinger; com Anton Yelchin e Lucie Lucas.

COMENTÁRiO

Hector Berlioz

Antes das visitas de Berlioz, praticamente não existia, na Rússia, uma verdadeira música académica. Foi o seu paradigma que inspirou o género… Para a sua Terceira Sinfonia, Pyotr Ilyich Tchaikovsky serviu-se da Sinfonia Fantástica como se de um posto de gasolina se tratasse. E Modest Petrovich Mussorgsky morreu com uma cópia do tratado de Berlioz em cima da cama.
Norman Lebrecht

ELUCIDÁRiO

ALGERNON BLACKWOOD

Bizarro, perturbador, assustador, sublime, assim é o mestre ilusionista da escrita ficcional, Algernon Blackwood. Evocando as forças misteriosas da natureza, toda a escrita de Blackwood percorre a nebulosa fronteira entre a fantasia, o surpreendente, a admiração e o horror. Na obra de Blackwood - incluindo O Wendigo, Luzes Antigas, A Outra Ala ou O Homem à Escuta - destaca-se Os Salgueiros, que H.P. Lovecraft apontava como sendo «a melhor história de terror de toda a literatura».

VISTORiA

A leitura de obras de divulgação científica gerou em mim a convicção de que várias passagens da Bíblia não podiam ser verdadeiras. Desenvolvi assim um fanático livre-pensamento, associado ao sentimento de que o Estado omitia, deliberadamente, aos jovens; foi uma revelação para a minha vida. Extraí dessa experiência uma desconfiança em relação a toda forma de autoridade, um cepticismo a respeito das convicções que prevaleciam na sociedade da época, posição que jamais abandonei, ainda que depois ela tenha perdido a sua acuidade, graças a um melhor discernimento das relações causais.
Albert Einstein
- Autobiografia

MEMÓRiA

1803-08MAR1869 - Louis Hector Berlioz, aliás Hector Berlioz: Compositor francês - «Diz-se que o tempo é um grande maestro… O pior, infelizmente, é que acaba por matar os seus discípulos».  
IMAG.54-78-84-254-308-405-409-443

1922-08MAR1999 - António Pereira Campos, aliás António Campos: Cineasta português - «Não me interessa que os meus filmes vão para o cartaz. O que desejo é que circulem entre o povo, que conhece ou não os problemas focados, pois poderá passar a debatê-los». IMAG.96-180-217-372

1810-11MAR1879 - José Feliciano de Castilho Barreto e Noronha, aliás Castilho José, aliás José Feliciano de Castilho - Escritor, bibliotecário, tradutor e jornalista português, autor de Grito de Liberdade: Canto Dedicado aos Emigrantes Portuguezes / Por um Portuguez (1830), radicado no Brasil - «…Revelou-se latinista de profundo conhecimento da língua de Cícero, de Horácio, de Virgílio e de Plutarco; foi feliz demais na mestria com que reproduziu completas, vivas, no português, as frias belezas de Ovídio, que, desterrado no Ponto, oferecia ao ótimo e ilustrado tradutor o maravilhoso tesouro das mais enlevadoras e sublimes melancolias e saudades do poeta no seu livro das tristezas, os Tristes» (Joaquim Manuel de Macedo - 1879).

1926-12MAR2009 - Blanca Leonor Varela Gonzáles, aliás Blanca Varela: Poetisa peruana - «…El coral clava su garra en tu sombra, / tu sangre se desliza, inunda praderas…». IMAG.242-574

1911-13MAR1999 - Leon Harrison Gross, aliás Lee Falk: Autor americano de banda desenhada, criador de Mandrake e The Phantom - «A minha única política é enaltecer a democracia e criticar a ditadura… Constatei que milhões de pessoas - em todo o mundo - diariamente gostavam das mesmas coisas que eu apreciava». IMAG.86-218-320-471

14MAR1869-1951 - Algernon Blackwood Henry, aliás Algernon Blackwood: Ficcionista inglês, mestre da literatura fantástica, autor de Os Salgueiros - «Acredito que a nossa consciência é capaz de alterar-se e de expandir-se, e que, com tais mutações e ampliações, estaremos propícios a tornar-nos disponíveis para a realidade de outros e novos universos» (a Peter Penzoldt). IMAG.529

14MAR1879-1955 - Albert Einstein: Físico teórico alemão, fundador da Teoria Geral da Relatividade, distinguido com o Prémio Nobel da Física (1921) - «Se a minha teoria da relatividade estiver correcta, a Alemanha dirá que sou alemão, e a França, que sou cidadão do mundo. Mas, se eu estiver errado, a França sustentará que sou alemão, e a Alemanha garantirá que sou judeu».  
IMAG.31-51-103-218-443-444-511-640-679

14MAR1939-2012 - Keiji Nakazawa: Argumentista e ilustrador japonês, criador da série Hadashi no Gen (1973), mangà autobiográfica sobre a deflagração da bomba atómica em Hiroxima, de que foi sobrevivente. IMAG.446

PARLATÓRiO

Tendo inesperadamente desabado sobre mim, Shakespeare fulminou-me… Nele, reconheci a verdadeira grandeza, a verdadeira beleza e a autêntica verdade dramática.
Hector Berlioz

Cada artista, para além das suas motivações e imaginação, recria um mundo pessoal na banda desenhada de que é autor - e isto é verdade para The Peanuts, Beetle Bailey, Popeye, para todas as melhores séries. E tal consegue-se, não imitando os outros - seguindo as nossas próprias ideias. The Phantom e Mandrake são bem reais - muito mais do que a maior parte das pessoas que andam por esse mundo. Temos que acreditar nas personagens a que damos vida.
Lee Falk

Basta-me pensar num filme, e ter um mínimo de dinheiro para o fazer… Entrego-me de corpo e alma quando os temas me sensibilizam, me apaixonam.
António Campos

TRAJECTÓRiA

LEE FALK

Na banda desenhada americana, pelos rumos da aventura, um criador influenciou a história dos heróis ao longo de décadas, reflectindo-se por um culto mutante entre os leitores: Lee Falk, com os essenciais Mandrake the Magician e The Phantom. Em talento e inspiração, Falk era um autor esotérico, irónico, ritualista. Narrador primordial, inspirado em cultos ancestrais, lendários de variegadas civilizações e exotismos. Por outro lado, a partir destes conceitos e destes símbolos fundamentais, Falk provou possuir - também - um engenho fértil e distinto. Bastaria observar as características que contrastam Mandrake e o Fantasma, praticamente num recorte de oposição entre si. Aliás, ambos evoluíram ao longo dos anos, com as respectivas sagas. Em cumplicidade com os leitores próprios, Falk suscitou também dois encontros - alusivos a uma velha amizade entre si - de Mandrake e Fantasma, em momento de excepcional importância na vida de cada um: o casamento - do Homem-Mascarado, Kit Walker com Diana Palmer em 1977; e de Mandrake com a princesa Narda de Cockaigne, em 1997-1998. Lee Falk (1911-1999) iniciou os prodígios de Mandrake em 1934, dois anos antes de explorar as proezas do Duende Caminhante na selva de Bengalla. O modelo físico de Mandrake teria sido o próprio Falk - estilizado pelo grafismo de Phil Davis e ajudantes, até à morte em 1964. Depois, Fred Fredericks manteve o essencial, modernizando as personagens e a dinâmica narrativa ou cénica. A partir de 1936, The Phantom foi ilustrado por Ray Moore (1936-1947), Wilson McCoy (1947-1961), e desde essa altura por Sy Barry, com inúmeros colaboradores anónimos. Fiéis a um justiceiro com mais de quatrocentos anos.

BREVIÁRiO

Fundação Calouste Gulbenkian edita Ensaios e Artigos (1951-2007) de Agustina Bessa-Luís.
IMAG.11-33-83-92-209-216-223-239-243-341-481-520-539-633-639-694

Em Biografias do Teatro Português, INCM / Imprensa Nacional - Casa da Moeda edita Companhia [Amélia] Rey Colaço [1898-1990] - Robles Monteiro (1888-1958).
IMAG.107-169-194-307-328-339-400-434-534-635-649-673
 

domingo, janeiro 14, 2018

Imaginário-Médio: newsletters de Outubro 2013

Esta semana, os posts do blog Imaginário-Médio recuperam para a blogsfera os newsletters #437, #438, #439 e #440, relativos à data virtual de Outubro 2013, acessíveis nos respectivos links.


terça-feira, janeiro 09, 2018

IMAGINÁRiO #697

José de Matos-Cruz | 01 Março 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

TRANSMISSÕES
Tendo reactivado a expressão universalista de um talento fascinante, mas crítico, Hermann voltaria a ocupar uma postura exemplar, de charneira, no panorama da banda desenhada franco-belga, com Laços de Sangue / Liens de Sang (2000), sob a prestigiosa chancela Signé da editora Le Lombard. Em causa, um paisagem mítica mas obscura - os perigosos anos ’50 do Século XX, na grande metrópole americana. Inspirada nos clássicos negros da literatura e do cinema, esta aventura imaginária foi concebida por Yves H. (Huppen), o próprio filho de Hermann. Liens de Sang narra as peripécias, subtis mas letais, que envolvem Sam Leighton, ex-polícia numa cidade provinciana, subjugado por uma realidade sórdida, violenta, quando se transfere para o maior centro urbano. Ao tomar conhecimento duma série de crimes horrendos, Leighton surpreende-se com a lentidão que os superiores manifestam, em determinar uma investigação. Acaso estarão aterrorizados, ou corrompidos por Joe Beaumont, que lidera um inexorável reino da Mafia? Afinal, a verdade descoberta pode ser, ainda, mais inquietante e pervertida… IMAG.319-519-569

CALENDÁRiO

07OUT2017-28JAN2018 - Em Leça da Palmeira / Matosinhos, Museu da Quinta de Santiago apresenta [D]Aquilo Que Fica… - exposição de pintura de João Martins da Costa (1921-2005).

09OUT-DEZ2017 - Em Lisboa, Museu das Comunicações apresenta a exposição filatélica D. Luís I [1838-1889], Fita Curva e Fita Direita, Emissões de Relevo 1866 a 1884. IMAG.174-200-247-329-368-531-593-680

12OUT2017 - NOS Audiovisuais estreia Alguém Como Eu (1917) de Leonel Vieira; com Paolla Oliveira e Ricardo Pereira.  
IMAG.19-30-168-180-223-579-595

12OUT2017 - Legendmain Filmes estreia A Floresta das Almas Perdidas de José Pedro Lopes; com Daniela Love e Jorge Mota.

12OUT2017-07JAN2018 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga / MNAA expõe Rembrandt [van Rijn - 1606-1669]. Elos Perdidos.  
IMAG.90-357-395-570-659

13OUT-03DEZ2017 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Movimento (1) - exposição de pintura de Leonor Beltrán.

19OUT2017-14JAN2018 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva expõe Paisagens Ocultas - Apologia da Pintura Pura - Óleos 2014-2017 de Nikias Skapinakis.IMAG.42-46-281-333-386-393-638

VISTORiA

Três Rosas

Sempre, mas sobretudo nas brumosas
Horas da tarde, quando acaba o dia,
Quando se estrela o céu, tenho a mania
De descobrir, de ver almas nas cousas.

Pendem deste gomil três lindas rosas;
Uma é rosada, a outra branca e fria,
Rubra a terceira; e a minha fantasia
Torna-as humanas, vivas, amorosas.

Sei que são rosas, rosas só! mas nada
Impede, enquanto cai lá fora a chuva,
Que a minha mente a fantasiar se ponha:

Por ser noiva a primeira, é que é rosada;
Branca a segunda está, por ser viúva;
A vermelha pecou… e tem vergonha!
Eugénio de Castro
- Chamas de Uma Candeia Velha (1925)

MEMÓRiA

01MAR1869-1955 - Calouste Sarkis Gulbenkian, aliás Calouste Gulbenkian: Engenheiro e empresário arménio otomano, naturalizado britânico - «Uma integridade inabalável subjacente, que ajuda a perceber o invulgar grau de afecto que ele inspirava aos sócios mais próximos e ao público, para quem o seu nome era uma palavra familiar» (Ralph Hewins - O Senhor Cinco Por Cento - 1957). IMAG.43-523

03MAR1829-1912 - Raimundo António de Bulhão Pato: Escritor português, ficcionista, poeta, ensaísta e memorialista - «Vivemos retrospectivamente. Estas memórias, que não terão valor para os outros, são preciosas para mim! Respiro horas inteiras no horizonte da mocidade, e a consciência com que escrevo desafoga-me o espírito, e dá-me uma tranquilidade salutar. São como a confissão para o verdadeiro religioso! Confissão geral; e, di-lo-ei – embora seja censurado – posso fazê-la alto, sem que as faces se me acendam nem de leve. Pecadilhos, fraquezas, arrebatamentos próprios do temperamento, não me faltam decerto; mas criminoso não sou, nem fui. Todo o homem que disser com verdade: “Eu nunca roubei nem dinheiro, nem honra – há mais ladrões desta espécie de moeda, e são os piores! – eu nunca caluniei ninguém”, esse homem morre em paz!» (A Cruz Mutilada).
IMAG.57-74-220-252-336-384-540-554-575

04MAR1869-1944 - Eugénio de Castro e Almeida, aliás Eugénio de Castro: Poeta português, ligado ao simbolismo - «Como aqui se está bem! Além freme a quermesse… / – Não sentes um gemer dolente que esmorece? / São os amantes delirantes que em amenos / Beijos se beijam, Flor! à flor dos frescos fenos…» (Um Sonho - excerto). IMAG.191-336-479-672

1916-04MAR2009 - Albert Horton Foote Jr, aliás Horton Foote: Dramaturgo e argumentista de cinema, distinguido com o Óscar de Hollywood e o Prémio Pullitzer - «A maior parte das pessoas pensa que eu tenho um certo estilo, mas, em minha opinião, o estilo é como a cor dos olhos. Tanto quanto sei, não somos nós que a escolhemos». IMAG.241-554

1944-04MAR2009 - Salvatore Samperi: Cineasta italiano, precursor do género erótico sob a óptica burguesa; em 1973, realizou Malícia, lançamento da actriz Laura Antonelli como símbolo sensual; e perspectivou uma crítica social através das estratégias sexuais, com destaque para «a ansiedade e os dilemas do tempo» (Fabio Ferzetti). IMAG.241-476-576

05MAR1879-1963 - William Henry Beveridge, 1º Barão de Beveridge: Economista britânico, reformador social - «O fim material de toda a actividade humana é o consumo. O trabalho significa que se faz o que é necessário, e não apenas o que se deseja realizar». IMAG.411

1824-05MAR1909 - Francisco Alves da Silva Taborda: Artista português - o Actor Taborda, «que se entusiasmava e se enternecia até às lágrimas» (Camilo Castelo Branco). IMAG.14-471

06MAR1619-1655 - Hector Savinien de Cyrano de Bergerac: Escritor e duelista francês - «Et puis, mourir n’est rien, c’est achever de naître; / Un esclave hier mourut pour divertir son maître; / Au malheur de la vie on n’est point enchaîné, / Et l’âme est dans la main du plus infortuné.» (La Mort d’Agrippine - 1654 - excerto). IMAG.524

1928-07MAR1999 - Stanley Kubrick: Fotógrafo e cineasta americano, argumentista, realizador e produtor - «Existe algo na personalidade humana que se ressente das coisas simples, claras e, pelo contrário, tem atracção pelos mistérios, pelos enigmas ou pelas alegorias».
IMAG.7-37-83-112-145-155-158-188-204-216-264-332-443-480-492-543-576-635-668

PARLATÓRiO

O inconveniente da democracia moderna é que as pessoas só chegam à liderança, depois de terem perdido a vontade de liderar seja quem for…
William Henry Beveridge

Horton Foote
A sua voz era a grande voz americana; típica da sua pátria pequena, mas também universal.
Robert Duvall

BREVIÁRiO

Arte de Autor edita Corto Maltese - Equatória (2017) de Juan Díaz Canales e Ruben Pellejero, sobre o herói de Hugo Pratt (1927-1995). IMAG.1-26-47-65-69-75-157-256-286-308-360-382-418-423-431-454-527-536-614-636-675

VISTORiA

Vale de Lobos

Em 1859, Alexandre Herculano comprou Vale de Lobos. Satisfizera, aos quarenta e nove anos, a grande ambição de toda a sua vida – ter um torrão a que chamasse seu, e aplicar nele a sua ciência e a sua enérgica vontade.
Nascido na França ou na Inglaterra, Alexandre Herculano houvera feito em poucos anos uma fortuna grande. No país, só ao declinar da sua vida pôde reunir a soma de pouco mais de três contos de réis, para realizar o seu ideal!
Herculano era generoso, mas económico. Comprado Vale de Lobos, aplicou todos os rendimentos ao custeio da propriedade rural e à edificação da casa.
Foi ele próprio o arquitecto.
Os jantares dos sábados tornaram-se raros; os cuidados do Vale tinham-no quase sempre afastado da Ajuda.
Em Calhariz da Arrábida, o autor da História de Portugal apanhara sezões de mau carácter, que se renovavam de tempos a tempos. Vale de Lobos era salubre; e pouco a pouco as febres foram desaparecendo.
O mestre parecia rejuvenescer no lavor do campo e no levantamento da habitação. Erguia-se com a madrugada e no Inverno muito antes dela.
Assim que pôde cobrir um quarto da casa, deixou de ser hóspede, na Azoia, do seu velho amigo, o general Gorjão, e veio para Vale de Lobos.
Bulhão Pato

segunda-feira, janeiro 08, 2018

Imaginário-Médio: newsletters de Setembro 2013

Os newsletters recuperados no blog Imaginário-Médio regressam, pela primeira vez em 2018, com uma nova leva de posts previamente inéditos, desta feita alusivos à data virtual de Setembro 2013, doravante acessíveis nos links: #433, #434, #435 e #436.
Um feliz e próspero ano novo a todos os visitantes do blog, perspectivando-se, aqui, a 2ª metade de posts restaurados no Imaginário-Médio, e a corrente actual de destaque no blog Imaginário-Kafre.


sábado, janeiro 06, 2018

IMAGINÁRiO #696

 José de Matos-Cruz | 24 Fevereiro 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

PASSAGENS
Um dos mais controversos e empreendedores cineastas italianos, Franco Zefirelli regressou à Florença natal para um Chá Com Mussolini (1998). Entre fantasias e desaires, vivências e violências. A partir de 1934, assinalando a ascensão do fascismo, no modo como as transformações sociais e políticas afectam um grupo de damas fora do seu país - sobretudo inglesas, e já maduras. Eis uma cidade mágica, de refúgio ou de exílio, para aquelas que ali revestem as pequenas experiências do quotidiano, encontrando-se à hora do chá no acolhedor Doney’s Café, da Via Tornabuoni. Ora, também elas se converterão em vítimas ou comparsas, na esperança dos mais jovens…
Justificando o investimento artístico pela estratégia romanesca, Chá Com Mussolini privilegia a figura de vedetas - como Joan Plowright igual a si mesma, uma tocante Maggie Smith, ou Cher já sem máscaras. Afinal, modeladas pelo figurino da denúncia - sobre uma realidade contaminada sob a opressão, pela tragédia, através da qual irradiam porém, irresistíveis, a coragem e a libertação.

VISTORiA

Elegia

Colham-se as rosas na manhã da vida;
Ao menos no fugir da primavera,
Das flores os perfumes se respirem.
O peito se franqueie aos castos gozos;
Amemos sem medida, ó cara amante!

Quando o nauta, no meio da tormenta,
Vê o frágil baixel quase afundir-se,
Às praias que deixou dirige as vistas,
E tarde chora a paz que ali gozava.
Ah! quanto dera por volver o triste
Aos amigos da aldeia, ao lar paterno,
E de novo passar junto à que adora
Dias talvez sem glória, mas tranquilos!
Assim um velho, curvo ao peso d’anos,
Da mocidade, em vão, os tempos chora;
Diz: «Volvei-me essas horas profanadas
De que eu, ó céus, não soube aproveitar-me».
Só lhe responde a morte; os céus são surdos
E inflexíveis o arrojam ao sepulcro,
Não consentindo que se abaixe ao menos,
A apanhar essas flores desprezadas.

Amemos, vida minha!
E riamos do afã que os homens levam
Atrás de um fumo vão que lhes consome
Metade da existência, desperdiçada
Em sonhos e quimeras.

Não invejemos seu orgulho estéril;
Deixemos à ambição os seus castelos;
Mas nós, da hora incertos,
Tratemos de esgotar da vida a taça,
Enquanto as mãos a empunham.
Quer os louros nos cinjam,
E, nos fastos sangrentos de Belona,
Nosso nome se inscreva em bronze e mármore;
Quer da singela flor que as belas colhem
Se entrance a humilde c’roa,
Vamos todos saltar na mesma praia.

De que vale, no momento do naufrágio,
Em pomposo galeão ir navegando,
Ou num batel ligeiro,
Solitário viajante,
Ter só junto da margem bordejando?

Alphonse de Lamartine
(Tradução de Castro Alves)

MEMÓRiA

1742-24FEV1799 - Georg Christoph Lichtenberg: Escritor, filósofo e matemático alemão - «As pessoas que cedem e concordam com tudo são sempre as mais saudáveis, as mais belas e de figura mais harmoniosa. Basta alguém ter um defeito, para haver uma opinião própria… No mundo, encontramos mais frequentemente lições, que conforto». IMAG.377

1873-26FEV1929 - Augusto César Ferreira Gil, aliás Augusto Gil: Poeta português - «Ficaste a rezar até / Manhã dentro, manhã alta. / Como é que tens tanta fé / E a caridade te falta?…» (Grão de Incenso - excerto). IMAG.307

1790-28FEV1869 - Alphonse Marie Louis de Prat de Lamartine, aliás Alphonse de Lamartine: Ficionista, poeta e político francês - «Não há homem completo que não tenha viajado muito, que não tenha mudado vinte vezes de vida e de maneira de pensar». IMAG.216-295

VISTORiA

Balada da Neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.
É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…
Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.
Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!
Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…
Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…
E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…
Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…
E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.
Augusto Gil

INVENTÁRiO

A PROMESSA - ANTÓNIO DE MACEDO


Regressando à transposição dum original literário - após Domingo à Tarde (1965), baseado no romance de Fernando Namora - António de Macedo concretizou A Promessa em 1972, sobre a peça de Bernardo Santareno. Uma produção do Centro Português de Cinema - com o patrocínio da Fundação Calouste Gulbenkian - avaliada em 2.500 contos, sob direcção de Henrique Espírito Santo; a que se associaram o realizador, Francisco de Castro e a Tobis Portuguesa - que cedeu os estúdios decorados por António Casimiro, e revelou a película a cores. Macedo utilizou vários expedientes técnicos - como uma série de filtragens, lentes e difusores, de acordo com o estado do tempo - que emprestaram «um aspecto físico, uma transparência pouco habituais». Elso Roque foi responsável pela fotografia, com exteriores na Tocha e Palheiros da Tocha, Figueira da Foz, Buarcos, Gala e Costa de Lavos. Numa aldeia de pescadores, o cumprimento do voto de castidade feito por jovem casal, ao salvar-se de naufrágio o pai do marido, gera tensões e conflitos, agravados pela chegada de um estranho… Para Macedo, «a força dramática da história, o seu contexto sociológico e etnográfico, têm raízes autênticas» - através dum envolvimento com a música popular e os cantos tradicionais, registados por Michel Giacometti; a propósito, a Censura pôs a condição de que fossem retirados na cena final, para permitir a estreia no Condes - onde a fita foi lançada, já em Janeiro de 1974; autorizava, no entanto, uma versão integral prevista para o Apolo 70! Além dos protagonistas - Guida Maria, Sinde Filipe e João Mota - destacam-se no elenco Luís Santos, Maria e Fernando Loureiro. Primeiro filme português escolhido para a Selecção Oficial do Festival de Cannes em 1973, recebendo o apreço da crítica internacional, A Promessa foi galardoado com o Mujol de Oro no Festival de Cartagena (Espanha), e com um Prémio Especial no certame de Teerão em 1974.
IMAG.12-24-63-96-109-120-135-158-167-180-197-224-290-358-380-413-434-511-521-548-632-695

CALENDÁRiO

28SET-18NOV2017 - No Porto, Galeria CódigoDesign apresenta Recollection - exposição de quadros-esculturas de Paulo Ramunni.

11OUT2017-14JAN2018 - Em Lisboa, Museu Colecção Berardo apresenta Trilogia - exposição de fotografia de Lu Nan (China), sendo curador João Miguel Barros.

11OUT-11DEZ2017 - Em Lisboa, Galeria Art Lounge apresenta Enter In the Square To Be Band Apart - exposição de pintura de Brice Mounier (França).

14OUT2017 - A Biblioteca Móvel de Cascais começa a circular, por iniciativa da Fundação D. Luís I, com a colaboração com a Câmara Municipal.

27OUT-12NOV2017 - No Fórum Luís de Camões, decorre 28º Festival Internacional de Banda Desenhada - Amadora Bd 2017.

BREVIÁRiO

Relógio D’Água edita Os Maias de Eça de Queiroz (1845-1900).
IMAG.14-19-52-60-90-101-148-165-178-199-203-205-214-275-287-313-342-394-434-470-483-532-540-554-593-609-618-621-629-673-688

sábado, dezembro 30, 2017

Imaginário-Médio: newsletters de Agosto 2013

Encerrando o ano de carregamentos dos newsletters até aqui inéditos online, disponibilizamos agora os destaques alusivos à data virtual de Agosto 2013, com os posts #429, #430, #431 e #432.
Nos últimos cinco meses, o Imaginário-Médio recuperou 76 newsletters anteriores ao blogue actual, encontrando-se precisamente a meio da totalidade de imaginários por partilhar na blogsfera, tarefa que completaremos no primeiro quadrimestre de 2018. Até lá, aproveitamos para desejar a todos os nossos seguidores um excelente Ano Novo!


terça-feira, dezembro 26, 2017

IMAGINÁRiO #695

 José de Matos-Cruz | 16 Fevereiro 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

PROEZAS
Os fanáticos dos heróis fantásticos que, em tempos, ansiavam por um epílogo do explosivo arco épico de ShockRockets (2000), puderam - finalmente - extasiar-se com The Final Battle, que insere ainda mais proezas na iniciação de Superstar. Um novo paladino dos autores fundamentais - Kurt Busiek, Stuart Immonen & Wade Von Grawbadger - em expansão pelo universo dos Image Comics, quando as façanhas do ganancioso General Korda avassalam. Só o esquadrão ShockRocket poderia fazer-lhe frente - se não estivesse tão abalado e dividido. A única esperança é Alejandro Cruz - o jovem piloto dos vigilantes galácticos, caso ele tenha engenho para desafiar Korda e as suas hiperarmas, logrando sucesso onde os maiores cérebros militares da Terra falharam. Entre a honra e o caos, o crepúsculo ou a vitória, agiganta-se também a fama de Superstar - assim se originando, literalmente, os seus poderes essenciais. Mas o dilema fundamental persiste - como conseguirá Superstar preservar e expandir tais prodígios? Eis a expectativa de ShockRockets, cuja ameaça primordial parece germinar entre as suas próprias fileiras… IMAG.105-306

CALENDÁRiO

1921-01OUT2017 - Jiří Synek, aliás František Listopad, aliás Jorge Listopad: Escritor, crítico, realizador, encenador e professor de origem checoslovaca, radicado em Portugal - «Há [no teatro] uma sedução erótica, que sempre se quer. É uma tentação. No teatro, o actor aquece a sua personalidade, o seu interior. Esse aquecimento passa depois para os outros» (2012).


1931-05OUT2017 - António Luís Ernesto de Macedo, aliás António de Macedo: Cineasta e escritor português, realizador e produtor, dramaturgo e encenador, ensaísta e professor - «A realidade é mais subtil do que aquilo que a gente vê. As incursões esotéricas que faço, são tentativas de penetrar no universo real. Aliás, pode dizer-se que o meu fantástico é mais real do que o real» (1989 - Se7e).
IMAG.12-24-63-96-109-120-135-158-167-180-197-224-290-358-380-413-434-511-521-548-632

05OUT2017 - Kazuo Ishiguro é distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, pelos seus «romances de grande força emocional, que revelam o abismo da nossa ilusória sensação de conforto em relação ao mundo».

05OUT2017 - NOS Audiovisuais estreia Al Berto (2017) de Vicente Alves do Ó; com Ricardo Teixeira e José Pimentão. IMAG.353-399-609

05OUT-17DEZ2017 - Em Lisboa, Palacete de São Bento expõe Arte Em São Bento - 25 Obras da Colecção de Serralves, sendo curadora Suzanne Cotter.

12OUT2017-11FEV2018 - Em Lisboa, Museu Nacional de Etnologia expõe De Regresso à Luz - Esculturas Orientais Em Depósito da Colecção de Victor Bandeira.

ANTIQUÁRiO


20FEV1909 - Em Paris, o diário Le Figaro publica o Manifesto Futurista do italiano Filippo Tommaso Emilio Marinetti (1876-1944), ponto de partida do movimento estético e cultural: «Declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma nova beleza: o deslumbramento da velocidade. Nenhuma obra-prima existe, sem o devido momento de agressividade. Pretendemos destruir os museus e as bibliotecas, combater o moralismo, o feminismo e todas as covardias oportunistas cujo objectivo é o proveito». IMAG.404-493-591

VISTORiA

Eu não tenho vistas largas,
Nem grande sabedoria,
Mas dão-me as horas amargas
Lições de filosofia.

Sei que pareço um ladrão...
Mas há muitos que eu conheço
Que, não parecendo o que são,
São aquilo que eu pareço.

Porque o mundo me empurrou,
Caí na lama, e então
Tomei-lhe a cor, mas não sou
A lama que muitos são.

Vós que lá do vosso império
Prometeis um mundo novo,
Calai-vos, que pode o povo
Qu'rer um mundo novo a sério.
António Aleixo

MEMÓRiA

18FEV1899-16NOV1949 - António Fernandes Aleixo, aliás António Aleixo: Poeta popular português - «Para não fazeres ofensas / E teres dias felizes, / Não digas tudo o que pensas, / Mas pensa tudo o que dizes.».

20FEV1879-1944 - Adriano de Sousa Lopes: Artista plástico português, gravador e pintor ligado ao modernismo - «A sua obra aparece-nos sob uma aparência de retratista e paisagista, e como um singular pintor da história, ou repórter, mas da história recente, que quis presenciar e testemunhar» (José Luís Porfírio). IMAG.581

1923-21FEV2009 - António Augusto Lagoa Henriques: Escultor português, poeta e professor - «Ensinou-nos a olhar, a ter um olhar inteligente, e isso não tem preço. Foi o meu primeiro mestre, uma figura que faz parte de todo o meu percurso. Já não há muitas pessoas assim, com a sua delicadeza de sentimento e a sua aristocracia de trato» (Helena Roseta). IMAG.236-239-261-448

23FEV1649-1708 - John Blow: Organista e compositor britânico do período barroco - autor de Venus & Adonis (1686), «a primeira ópera inglesa» (Jorge Calado) - músico da Abadia de Westminster (1669), mestre de William Croft, Jeremiah Clarke e Henry Purcell. IMAG.557-677

PARLATÓRiO

Quando acabei o liceu - a minha ideia era ir para Letras ou Direito - fiz aptidão à Universidade mas chumbei. Resolvi preparar-me melhor em História e Filosofia e o professor Agostinho da Silva dava aulas particulares, na sua casa junto ao Jardim Zoológico. Eu sabia da existência dele por uns cadernos que editava à sua custa, obras de difusão cultural. Também editava pequenas biografias. Tinha sido expulso do ensino oficial e ganhava a vida com aulas particulares e essas edições. Um dia ele perguntou-me: o que lhe interessa para além de História e Filosofia? E eu disse-lhe que gostava muito de desenhar. Pediu-me para lhe levar os meus desenhos e quando os viu disse logo: você e eu estamos enganados, a sua vocação é a escultura. Ele não me fechou as portas das Letras, até me disse que tinha um entendimento para uma cultura enraizada na palavra, mas devia seguir a Escultura. E assim fiz.
Lagoa Henriques

INVENTÁRiO

Sousa Lopes

Adriano de Sousa Lopes (1879-1944) foi um dos primeiros artistas portugueses a adotar práticas impressionistas. Começa por se interessar por fantasiosas narrativas lendárias e por momentos épicos da História de Portugal, inspirando-se em estéticas simbolistas, mas deixa-se seduzir pelos impressionismos e por artistas como Monet e Besnard, em Paris (1903). Nos museus e em viagens pela Europa adquire uma cultura artística invulgar que se reflete na produção de uma longa série de obras realizadas em Veneza.
Pintor histórico de formação, alista-se como artista oficial do Corpo Expedicionário Português na Grande Guerra (1914-18). Testemunha e regista os episódios dramáticos e as paisagens devastadas em notáveis gravuras a água-forte, comoventes desenhos e trágicas pinturas.
Nos anos 1920, o excelente núcleo de retratos de Marguerite Gros, sua mulher, assegura-lhe um lugar original como retratista de imagens no feminino, no centro do modernismo português, embora sem o integrar. É neste período que Sousa Lopes constrói séries impressivas de luz, em diferentes fases do dia, explorando a representação do movimento das ondas, assim como a faina dos pescadores, em enquadramentos escolhidos – são paisagens do litoral português, entre as praias da Caparica, Nazaré, Aveiro e Furadouro.
Diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea de 1929 a 1944, Sousa Lopes sucede a Columbano no cargo. Preocupa-se com a ampliação do museu e com uma política de aquisições que privilegia núcleos oitocentistas, mas garante, pela primeira vez, a incorporação de autores modernistas.
Maria de Aires Silveira
(excerto)

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita A Casa das Belas Adormecidas de Yasunari Kawabata (1899-1972); tradução de Luís Pignatelli. IMAG.285-366-668

Círculo de Leitores edita Casamentos da Família Real Portuguesa de Ana Maria Rodrigues, Manuela Santos Silva e Ana Leal de Faria.

EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

BUÇO COM LEITE MANCHA O COLETE - 8

Nessa altura, para mau grado seu, caiu-lhe uma enorme pedra de um prédio em recuperação, pelo que teve de ir curar-se ao Hospital de São José. É caso para dizer que nem só debaixo dos pés se levantam os trabalhos…
Continua