segunda-feira, junho 26, 2017

IMAGINÁRiO #668

José de Matos-Cruz | 24 Julho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

RIVALIDADES
Natural de França, onde trabalhava para a Gaumont, Maurice Mariaud (1875-1958) chegou a Portugal em 1922, contratado por Caldevilla Film, para a qual dirigiu Os Faroleiros, um «drama-documentário» de que também foi argumentista e intérprete. Tudo incide sobre triângulo amoroso, numa aldeia de pescadores, culminando em farol isolado do litoral - ambiente restrito que, tendo o mar limítrofe, precipita um termo fatídico, para o entrechocar de conflitos e paixões. O vislumbre do produtor, Raul de Caldevilla, está patente no respectivo folheto promocional: «O cinematógrafo moderno tem-se distanciado muito, nos temas escolhidos e nos fracassos, da técnica de há vinte anos. Já hoje dificilmente se suportam - e vão sendo postos de parte no estrangeiro - esses longos filmes em séries de enredo complicado e por vezes falhos de verosimilhança. O público de hoje, talvez por motivo da vida intensa que leva e lhe proporciona certos lazeres, escolhe de preferência películas de não muito longa metragem». A rodagem teve lugar na Caparica e no farol do Bugio, destacando-se no elenco Maria Sampaio, Abegaída de Almeida e A. Castro Neves - que, em 1931, convidou Mariaud a regressar ao nosso país, onde realizou Nua, para Tágide Film. IMAG.9-76-172-199-382

CALENDÁRiO

11MAR-15ABR2017 - No Porto, Mira Fórum apresenta Americanos - exposição de fotografia de Christopher Morris (EUA), sendo comissário Luís de Vasconcelos.

25MAR-30SET2017 - No Porto, Biblioteca Pública Municipal expõe Raul Brandão: 150 Anos [1867-1930] - Biografia e Obra Literária, sendo comissário Vasco Rosa. IMAG.48-161-293-301-342-350-384-394-400-431-495-582-602-641-642

30MAR2017 - Big Picture Films estreia 100 Metros (2016) de Marcel Barrena; com Dani Rovira e Maria de Medeiros.
30MAR-21MAI2017 - Em Lisboa, Atelier-Museu Júlio Pomar apresenta Estranhos Dias Recentes de Um Tempo Menos Feliz - exposição colectiva e multidisciplinar, sendo curador Hugo Dinis.

31MAR-18JUN2017 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Sensações - exposição de pintura e gravura de Miguel Angel Bedate (Espanha).

06ABR-09JUL2017 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe De Rubens a Van Dyck - Pintura Flamenga da Coleção Gerstenmaier. IMAG.176-226-267-272-530-573

26MAI-11JUN2017 - Em Beja, decorre o XIII Festival Internacional de Banda Desenhada, sendo director Paulo Monteiro. IMAG.36-250-305-416-514-568-616

COMENTÁRiO

No Grupo de Família - 1948/49, com os braços entrelaçados, uma mãe e um pai seguram o seu filho. Sentados num simples banco, estas figuras aparentam estar desgastadas - as suas feições parcialmente apagadas pelos efeitos das forças da natureza durante um longo período de tempo. Ao vesti-los com trajes clássicos, que fazem lembrar as estátuas gregas e romanas, [Henry] Moore dá às figuras uma qualidade eterna. A família é a unidade mais básica da sociedade, e é um tema tradicional que tem sido pintado e esculpido desde os tempos medievais, sob a forma de Sagrada Família. Antes desta obra, os temas de Moore eram exclusivamente mulheres sentadas e reclinadas. O Grupo de Família deu-lhe a oportunidade de representar uma figura masculina pela primeira vez. Esta escultura monumental, que se encontra no jardim de Moore, data de um período em que ele se afastou das experiências extremas sobre abstracção, que caracterizava as suas obras dos anos 30, para dar expressão à necessidade de uma nova arte humanista destinada à devastada Grã-Bretanha do pós-guerra.

VISTORiA

O Perfume

O que sou eu? – O Perfume,
Dizem os homens. – Serei.
Mas o que sou nem eu sei…
Sou uma sombra de lume!

Rasgo a aragem como um gume
De espada: Subi. Voei.
Onde passava, deixei
A essência que me resume.

Liberdade, eu me cativo:
Numa renda, um nada, eu vivo
Vida de Sonho e Verdade!

Passam os dias, e em vão!
Eu sou a Recordação;
Sou mais, ainda: a Saudade.
António Correia de Oliveira

INVENTÁRiO

STANLEY KUBRICK

Criador obsessivo, minucioso, paranóico e genial, Stanley Kubrick conquistou no cinema um domínio incomparável - como personalidade prestigiada, ou pelo fascínio do espectáculo. Tudo se consolidaria a partir de 1968, quando 2001 - Odisseia No Espaço maravilhou o mundo, reflectindo as potencialidades do imaginário à dimensão de uma identidade cósmica. Aliás, o seu génio revolucionário exacerbou-se nas incidências temática e estética - de tal modo que todas as alternativas e sucessos, entretanto explorados, passariam inevitavelmente pela sua referência essencial.


Eis o que define um cineasta vanguardista - embora, nas décadas de ’70 e ‘80, apenas realizasse quatro obras-primas: A Laranja Mecânica (1971), Barry Lindon (1974), Shining (1980) e Nascido Para Matar (1987). Falecido em Março de 1999, sem contemplar um novo milénio, Kubrick legou-nos - incompleto, ansiado - De Olhos Bem Fechados (1999), cuja produção desenvolvia desde 1996. A rodagem útil demorou mais de quinze meses, alguns planos foram feitos umas setenta vezes. Até ficarem perfeitos. Em total secretismo, a própria Warner Bros ignorava o material em progressão.
Tirânico, Kubrick impôs a Tom Cruise as suas regras inabaláveis. Insatisfeito com a prestação de Jennifer Jason Leigh, baniu-a e repetiu com outra actriz. Mas era lendária a sua obsessão maníaca de tudo controlar, até ao mínimo pormenor. Mesmo as primeiras fitas - que suscitam uma revisão apaixonada, como clássicos primordiais - eram relançadas com excepcionais precauções pessoais. Nova-iorquino nascido em 1928, e longos anos residente numa Grã Bretanha remota, ou isolado em Londres, Kubrick ficará intimamente ligado à sensibilidade artística, crítica e cultural da Europa.
Apaixonado pelo xadrez e pela fotografia, Kubrick começou na revista Look em 1945. Revelado em curtas metragens, Day of the Fight (1949) e Flying Padre (1951), ficou insatisfeito com a longa Fear and Desire (1953), retirada do mercado. Após Killer’s Kiss (1955) em Nova Iorque, veio até nós com Um Roubo No Hipódromo (1956), consagrando-se em Horizontes de Glória (1958). O épico Spartacus (1960), a sensual Lolita (1962) ou Dr. Estranho Amor na psicose da guerra-fria, culminam os primórdios de uma carreira excepcional.

MEMÓRiA

26JUL1928-1999 - Stanley Kubrick: Fotógrafo e cineasta americano, argumentista, realizador e produtor - «A tela é um meio mágico. Tem o poder de manter o interesse, pois projecta emoções e estados de alma que nenhuma outra forma de expressão artística logra transmitir». 
IMAG.7-37-83-112-145-155-158-188-204-216-264-332-443-480-492-543-576-635

30JUL1878-1960 - António Correia de Oliveira: Poeta português - «…Exibe um saudosismo nacionalista, de raiz popular e distante da metafísica de Pascoaes, cultivando temas patrióticos impregnados de doutrina católica» (Centro Virtual Camões).

30JUL1898-1986 - Henry Spencer Moore, aliás Henry Moore: Escultor e ilustrador britânico - «Depois do rosto, as mãos são a parte do corpo que, mais obviamente, expressa a emoção». IMAG-576

1815-30JUL1898 - Otto von Bismarck: Nobre, diplomata e político prussiano - «Nunca se mente tanto como em véspera de eleições, durante a guerra e depois da caça». IMAG.509

BREVIÁRiO

Alfaguara edita
Extensão do Domínio da Luta de Michel Houellebecq; tradução de Rita Carvalho e Guerra.

Livros do Brasil edita Verão Perigoso de Ernest Hemingway (1899-1961); tradução de Eduardo Saló. IMAG.76-180-235-329-377-474-477-599-608-655

Livros de Bordo edita Cartas do Tibete de António de Andrade (1581-1634). IMAG.126-264-357-479

Dom Quixote edita Mil Grous de Yasunari Kawabata (1899-1972); tradução de Mário Dias Correia. IMAG.285-366

Clube do Autor edita Noites Brancas de Fiodor Dostoievski / Fiódor Dostoiévski (1821-1881); tradução de Maria João Lourenço. 
IMAG.220-281-297-310-321-377-383-506-519-585-593-659

Quetzal edita O Meças de J. Rentes de Carvalho. IMAG.613

quarta-feira, junho 14, 2017

IMAGINÁRiO #667

José de Matos-Cruz | 16 Julho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

REIVINDICAÇÕES

Nova Iorque, Dezembro de 2001. Um grupo de raparigas entra numa livraria de banda desenhada e, antes de o vendedor lhes perguntar o que pretendem, elas protestam por não poderem adquirir novos títulos de Blue Monday (2000)… Quem costumava contar este episódio, o editor-chefe de Oni Press estava finalmente feliz, porque já podia continuar a história. Assim, quando as jovens se preparam para sair, o homem chama-as, esclarecendo que não precisam de se irritar. De facto, acaba de receber Absolute Beginners - a segunda parte da série concebida e ilustrada por Chynna Clugston-Major, autora favorita das potenciais e reivindicativas compradoras! Especialmente dedicada aos adolescentes, esta saga - ambientada no início dos anos ’90, e sob chancela Image Comics, a partir de 2015 - combina acção e humor, inspirando-se em factos reais e nas vivências estudantis. Não é prioritariamente devotada aos fanáticos dos quadradinhos, pois destina-se a seduzir ao culto as potenciais leitoras. Na intenção de Clugston-Major, trata-se da proposta ideal para animar o namoro…

CALENDÁRiO

27OUT1948-18MAR2017 - Bernard Albert Wrightson, aliás Bernie/Berni Wrightson: Ilustrador americano de banda desenhada, co-autor de Swamp Thing (1971) - «Foi o primeiro artista de quadradinhos cujo trabalho eu amei» (Neil Gaiman). IMAG.221-341-620

18MAR-18ABR2017 - Em Lisboa, Galeria João Barbado apresenta Errata - exposição de fotografia de José M. Rodrigues.

23MAR2017 - Nitrato Filmes estreia Ornamento e Crime (2015) de Rodrigo Areias; com Vítor Correia e Tânia Dinis. IMAG.284-414-514-522-662

23MAR2017 - NOS Audiovisuais estreia Eusébio - História de Uma Lenda (2017) de Filipe Ascensão; sobre Eusébio da Silva Ferreira (1942-2013), o Pantera Negra. IMAG.496-575

24MAR2017 - Castelo de Viana do Alentejo expõe A Vaquinha Violeta e o Coelho Malaquias e A Andorinha Filó e o Urso Serafim - Sandro Parreira - Ilustração Infantil.

25MAR2017 - Em Lisboa, Museu Nacional do Teatro e da Dança expõe Entre-Acto Modernista: O Teatro e a Dança Na Obra de António Soares (1894-1978).

01ABR-26AGO2017 - Na Amadora, Casa Roque Gameiro expõe Alfredo Roque Gameiro [1864-1935] Na Imprensa - A Desenhar e a Documentar Graficamente. IMAG.197-558-585-602-605-638-657

VISTORiA

Não faz sentido falar sobre libertação a homens livres, e somos livres se não pertencemos à minoria oprimida. E não faz sentido falar sobre repressão excessiva, quando os homens e as mulheres desfrutam de mais liberdade sexual do que nunca. Mas, a verdade é que essas liberdade e satisfação estão a transformar a Terra num inferno. Por enquanto, o inferno ainda está concentrado em certos lugares distantes: Vietname, Congo, África do Sul, assim como nos guetos da sociedade afluente: no Mississippi e no Alabama, em Harlem. Esses lugares infernais iluminam o todo. É fácil e razoável ver neles, apenas, bolsas de pobreza e de miséria numa sociedade em crescimento, que é capaz de as eliminar gradualmente e sem uma catástrofe. Essa interpretação pode até ser realista e correcta. A questão é: eliminadas a que preço, não em dólares e cêntimos, mas em vidas humanas e em liberdade humana?

Herbert Marcuse - Eros & Civilização
- Uma Interpretação Filosófica do Pensamento de Freud (1955 – excerto)

VISTORiA

A primeira vez que vi o Terry Lennox estava ele perdido de bêbedo dentro de um Rolls Royce último modelo estacionado à entrada do terraço do Dancers Club. O guarda do parque trouxera o carro até à entrada e segurava a porta porque o pé esquerdo de Terry Lennox ainda balouçava no exterior, como se ele se tivesse esquecido de que o tinha. Tinha uma cara jovem, mas o cabelo era branco como papel. Pelos olhos reconhecia-se que estava bêbedo até aos cabelos, mas de resto tinha um aspecto igual ao de qualquer outro tipo simpático vestindo um smoking e tendo gasto mais do que devia numa casa que existe precisamente para esse fim.
A seu lado estava uma rapariga. Tinha cabelos de um lindo tom de vermelho escuro e um sorriso distante; sobre os ombros o vison azul quase fazia com que o Rolls Royce parecesse um carro qualquer. Mas não o conseguia.
O guarda era do tipo comum: tinha um ar meio bruto e um casaco branco com o nome do restaurante bordado a vermelho, à frente. Começava a estar farto.
Oiça cá – disse, irritado – importa-se muito de puxar a perna para dentro do carro para eu conseguir fechar a porta? Ou quer que eu a abra completamente para o senhor cair no chão?
Raymond Chandler - O Imenso Adeus
(1953 - tradução de Mário Henrique Leiria, excerto)

MEMÓRiA

18JUL1918-2013 - Rolihlahal Mandela, aliás Nelson Mandela, aliás Madiba: Activista social, líder político, Presidente da África do Sul (1994-1999), distinguido com o Prémio Nobel da Paz (1993) - «Sou um produto de África e do seu sonho longamente acalentado de um renascimento que está agora a tornar-se realidade, para que todas as nossas crianças possam enfim brincar ao sol» (1999). IMAG.361-492

19JUL1898-1979 - Herbert Marcuse: Filósofo alemão, naturalizado americano, autor de O Fim da Utopia (1967) - «Metade da nossa fortuna é arruinada pela inabilidade pessoal. A outra metade é destruída por quem nos governa».

19JUL1948-1974 - Nicholas Rodney Drake, Nick Drake: Cantor e compositor britânico - «Eu não sinto nenhuma emoção sobre nada. / Eu não quero rir nem chorar. / Estou dormente; morto por dentro.». IMAG.208-492-526

23JUL1888-1959 - Raymond Thornton Chandler, aliás Raymond Chandler: Ficcionista americano - «Estou convencido de que não existe nenhum processo limpo para se conseguir cem milhões de dólares». IMAG.86-190-216-220-236-282-283-449-567-578

1875-23JUL1948 - David Wark Griffith: Cineasta americano - «São necessários dois anos em cena para que um actor, homem ou mulher, aprenda a modelar correctamente a própria voz, e cerca de dez anos para que domine a arte subtil de conquistar o seu público». IMAG.22-191-238-332-397-499

PARLATÓRiO

Não devemos recear a censura, se não pretendemos ofender com impropérios ou com obscenidades… Mas devemos exigir, como um direito, a liberdade de mostrar o lado negro do mal, para podermos iluminar o lado claro da virtude. A mesma liberdade que é concedida à arte de nos expressarmos por palavras, a mesma arte que nos vem da Bíblia ou das obras de Shakespeare.
David Wark Griffith

Nick Drake
Era uma pessoa muito calada. Dificilmente descobríamos o que se passava na sua mente. Fazia música com uma verdadeira sensualidade - muito diferente da música folk inglesa.
John Cale

BREVIÁRiO

Relógio D’Água edita Todos os Contos de Clarice Lispector (1920-1977). IMAG.158-301-375-399-458-484-638

A Esfera dos Livros edita Aviadores Portugueses - 1920-1934 - A Aventura dos Pioneiros de Mário Correia.

Dom Quixote edita De Mal a Pior - Crónicas (1998-2015) de Vasco Pulido Valente. IMAG.161-389-593

Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, Early Recordings: [Wolfgang Amadeus] Mozart [1756-1791]; [Ludwig van] Beethoven [1770-1827]; [Serguei] Prokofiev [1891-1953]; [Maurice] Ravel (1875-1937) pela pianista Martha Argerich. IMAG.202-598-600-604-605-635-640-641-647-666

Dom Quixote edita Ema de Maria Teresa Horta. IMAG.100-144-251-351-581-614-637-664

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

MAL TORNA AO CRIADOR QUEM, SUJEITO, SE REFAZ - 13

Homogéneo. Um tempo em harmonia, na vertigem das origens. Hegemónico. Um mundo às avessas, nos pilares do apocalipse. Joel Crespo e Ofélia Toledo – enfim anónimos, e recriando a fractura essencial…
Continua
 

sexta-feira, junho 09, 2017

Quadradinhos Portugueses - Olhares & Estilos

Revelando, desde as primeiras manifestações, contactos e referências quanto às suas congéneres, logo europeias e americanas, a banda desenhada em Portugal cedo exprimiu, pela criatividade artística ou no apreço dos leitores, uma motivação original sobre os temas explorados e as distintas facetas de concretização.

Entre a afirmação dos pioneiros e a evolução das vanguardas, as nossas histórias em quadradinhos consumar-se-iam por singulares talento e longevidade. Para além de escolas, de movimentos, ou de eventuais alcances jornalísticos e editoriais. Por outro lado, o recurso tecnológico tornou-se mais que um suporte relevante.

Pelas vertentes lúdica e didáctica, sob os auspícios culturais ou de entretenimento, fluindo o privilégio do imaginário quanto ao primado narrativo, em sagração realista, poética ou fantástica, da evocação tradicional à perspectiva actual ou futurista, sobressaem o engenho e a sensibilidade, o fascínio, a espontaneidade e o apuro.

Detalhando o esboço pelo domínio da maturidade, conferindo interesse juvenil ao entrecho para adultos, envolvendo alternativas em prol da simplicidade, suscitando a ponderação no desfecho da aventura, exercendo verosimilhança pelo contexto simbólico, expandindo uma cadência subtil entre contrastes e subentendidos...

Em testemunho e representatividade, Quadradinhos Portugueses propõe um percurso esparso mas sintomático por tais Olhares & Estilos, para o qual se convocaram autores de várias épocas e tendências. A todos, foi solicitada uma escolha prévia e pessoal a partir dos materiais disponíveis, e que considerassem significativos.

Atendendo às diversas fases de concepção e processamento, bem como ao modo próprio de elaboração por cada artista, expõem-se diferentes tipos de imagens ou pranchas – delineadas, finalizadas, digitalizadas ou impressas, em preto e branco ou a cores. Eis a dinâmica peculiar e complexa que caracteriza os quadradinhos.

Tributo e memória, convite ao sonho, ensaio ou reinvenção, revitalização convencional, projecto insólito, matriz das consciências, viagem alegórica, fulcro de identidades, sagração colectiva, portal da evasão – em realce modelar por indícios e palavras, alusões e silêncios, sugerindo ou ilustrando, em rotura ou reincidência…

Ao salientar uma visão autónoma em banda desenhada, pelas virtualidades gráficas e estéticas, sobre quaisquer géneros ou abordagens, reflectem-se ainda os aspectos múltiplos de partilha e contiguidade. Assim ressalta, também, de uma ampla experiência entre nós – e que, agora, temos patente nos seus traços e estímulos essenciais.

José de Matos-Cruz

Quadradinhos Portugueses - Olhares & Estilos
Cidadela Art District | 24 Junho-3 Setembro | Entrada gratuita

quinta-feira, junho 08, 2017

IMAGINÁRiO #666

José de Matos-Cruz | 08 Julho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

TRADIÇÕES
Um dos filmes de Leitão de Barros (1896-1967) que maior consenso granjeou, cumulando admiradores e rendendo críticos, Ala-Arriba! (1942) é, também, o único que «faria da mesma forma, segundo o mesmo estilo técnico, e reincidindo no mesmo casting». O argumento original inspirou-se em O Poveiro, obra de A. Santos Graça, rica em termos descritivos; elaborou-o Alfredo Cortez, partindo de um caso verídico. Houve, depois, que encontrar soluções de compromisso, na planificação - como esclareceu Fernando Fragoso, que assistiu à sua génese - para «tornar compreensíveis certos usos e costumes dos poveiros». Consciente do terreno em que se movia, Leitão de Barros - sempre determinado entre o documentário e a ficção, num jogo de incidências recíprocas - alertou que Ala-Arriba! deve «ser considerado num plano especial». Tendo recorrido a actores profissionais ou amadores, de Maria do Mar (1930) - que medeia a trilogia litoral, após Nazaré, Praia de Pescadores e Zona de Turismo (1929) - a Lisboa, Crónica Anedótica (1930), fora deste contexto ambiental, Leitão de Barros deixa aos «pescadores autênticos, peixeiros, operários humildes dos arredores da Póvoa de Varzim» a assunção dos seus dramas e vivências. Só Maria Olguim, como suporte, e Luís Pinto, que narra a tradição, vêm de fora…
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CALENDÁRiO

08MAR-15ABR2017 - Em Lisboa, Galeria Baginski apresenta Romanian Dances - exposição de pintura de Mariana Gomes.

10MAR-22ABR2017 - Em Lisboa, Galeria 3+1 apresenta A Múmia e o Astronauta exposição de pintura de Jorge Queiroz. IMAG.351-603-621

11MAR-22ABR2017 - No Porto, Galeria Ap’Arte apresenta Tempos do Nosso Tempo - exposição de pintura de Gil Teixeira Lopes. IMAG.236-499

13MAR-22ABR2017 - Em Lisboa, Casa-Museu Medeiros e Almeida expõe Isto Não É Só Um Écran - Noronha da Costa - 50 Anos de Pintura (1967-2017), sendo curador Bernardo Pinto de Almeida. IMAG.32-405-495-498-604

16MAR2017 - Cinemundo estreia Malapata (2017) de Diogo Morgado; com Marco Horácio e Rui Unas. IMAG.200-248-253-408-541

16MAR-29ABR2017 - Em Lisboa, Galeria Quadrado Azul apresenta Walls and Torsos - exposição de escultura, desenho e material impresso de Gonçalo Sena. IMAG.597

192618MAR2017 - Charles Edward Anderson, aliás Chuck Berry: Músico americano, compositor e intérprete, pioneiro do rock’n’roll - «Com o silêncio definitivo da sua guitarra Gibson, morre mais um pouco do rock e da sua envolvente mitologia» (João Gobern). IMAG.384

18MAR-29OUT2017 - Em Vila Franca de Xira, Museu do Neo-Realismo expõe Carlos de Oliveira [1921-1981]: A Parte Submersa do Iceberg - sobre «um dos maiores vultos da literatura portuguesa do Século XX», sendo curador Osvaldo Silvestre. IMAG.79-237-329-440-544-553

30MAR-25JUN2017 - Em Lisboa, Museu do Design e da Moda/MUDE expõe, no Palácio Pombal, O Mais Profundo É a Pele - sobre a colecção de pele tatuada e desenhos do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciência Forense/INMLCF, sendo curadores Catarina Pombo Nabais e Carlos Branco.

PARLATÓRiO

Muitos artistas assemelham-se a crianças grandes. Picasso, por exemplo, tem um rosto juvenil. Churchill, também. E Stravinski, Orson Welles, Hindemith. Poderia citar-se, igualmente, Mozart. Claro que não conhecemos, exactamente, a sua fisionomia. Mas, a julgar pelos retratos pintados, parece uma criança grande. E Beethoven, lembra um miúdo colérico.
Quando entro num estúdio, ou disponho de uma câmara, com técnicos à volta, apercebo-me disso. Então, digo: «É engraçado, vamos iniciar um jogo». Lembro-me exactamente como, quando era pequeno, retirava os brinquedos do baú, antes de brincar… Um pouco mais ou menos, a sensação que tenho quando começo a realizar um filme.
Ingmar Bergman

MEMÓRiA

20FEV1888-05JUL1948 - Louis-Émile-Clément-Georges Bernanos, aliás Georges Bernanos: Escritor e jornalista francês, autor de
Diário de Um Pároco de Aldeia - «O vento que a máquina deslocava deixara de ser, como de princípio, o obstáculo a que eu me apoiava com todo o meu peso, tinha-se tornado um corredor vertiginoso, um vazio entre duas colunas de ar activado a uma velocidade fulminante.». IMAG.593

14JUL1918-2007 - Ernst Ingmar Bergman, aliás Ingmar Bergman: Cineasta e encenador sueco - «Não tenho religião. É algo que, para mim, não significa nada. Só me interessa, na medida em que se trata de um poder que impõe às pessoas limites e restrições». IMAG.28-112-113-125-158-186-215-331-362-399-412-422-470-495-540-620

INVENTÁRiO

FANNY E ALEXANDRE
Um olhar perturbante sobre a realidade, esmaltado por visões volúveis entre a história e o imaginário, tal é a estratégia indispensável para envolver o fenómeno espectacular de certos filmes - que, à primeira vista, se consumariam no impacto insinuante dos seus efeitos e artifícios. Aliás, prenúncios contemplados desde sempre pelo cinema - com uma inquietação simbólica, como Ingmar Bergman sagrou em Fanny e Alexandre / Fanny och Alexander (1982), com Erland Josephsson e Harriet Andersson.
Uma pequena aldeia sueca, pelo início do Século XX. As únicas alterações derivam das mudanças de estação, ao longo do ano. O teatro local fora comprado por um rico comerciante, depois de casar com uma jovem e popular actriz de Estocolmo. Tendo-se instalado no outro lado da praça, numa acolhedora vivenda, três filhos nasceram. Entretanto, Helena enviuvou, dedicando-se à família e aos negócios herdados…
Realizador e argumentista, sobre implicações autobiográficas de infância, Ingmar Bergman sagra «uma história ao mesmo tempo tranquila, terrível e divertida. O meu filme mais romântico» - galardoado com três Oscars. 

BREVIÁRiO

Paulinas edita
Diário de Um Pároco de Aldeia de Georges Bernanos (1888-1948); tradução de João Gaspar Simões.

Zest edita Portugal por/by Urban Sketchers de Urban Sketchers Portugal. IMAG.544-631

Porto Editora lança Cadernos de Lanzarote III de José Saramago (1922-2010). IMAG.38-75-155-158-196-198-224-241-245-252-263-268-311-331-385-394-412-475-521-539-553-564-585-655-664

Artes & Letras edita Sonetos Completos de Antero de Quental (1842-1891).IMAG.59-147-338-367-371-577-585-639

Porto Editora lança Ronda das Mil Belas Em Frol de Mário de Carvalho. IMAG.327-410-528-541-542-543-581-603-612-618

Dom Quixote edita As Mentiras Que as Mulheres Contam de Luís Fernando Veríssimo.

ANUÁRiO

1528-1584 - Frei Heitor da Covilhã, aliás Frei Heitor Pinto: Escritor português, monge da Ordem de São Jerónimo, autor de
Imagem da Vida Cristã Ordenada Por Diálogos - «Assim como as ervas do Outono nascem frescas com as primeiras águas, mas queimam-se logo com os frios de Novembro, assim as amizades inconstantes começam com as primeiras palavras do primeiro encontro e acabam-se à primeira experiência que delas se faz».

COMENTÁRiO

Ninguém é bom senão Deus. Assim como o centro é um indivisível, e está no meio e dele saem as linhas para a circunferência, assim Deus é uma unidade simplícissima, um acto puríssimo, que está em todas as coisas, do qual procedem os raios de formosura das criaturas. Ele está dentro em nós, e é fonte de todo o ser, sendo mesmo nosso ser, mais íntimo a nós que nós.
Frei Heitor Pinto
VISTORiA

seguindo o fio
da tinta
que desenha
as palavras
e tenta
fugir ao tumulto
em que as raízes
grassam,
engrossam, embaraçam
a escrita
e o escritor:
Carlos de Oliveira
- Micropaisagem (1969)
EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

MAL TORNA AO CRIADOR QUEM, SUJEITO, SE REFAZ
- 12

E se tivessem nascido outros? Como assim, únicos – a divergência que entretanto assumiriam.
E se pudessem morrer autênticos? Quem então, impessoais – anteriores ao sobressalto da sua coincidência.
Continua

terça-feira, junho 06, 2017

IMAGINÁRiO #665

José de Matos-Cruz | 01 Julho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

INDEPENDENTES
Ao longo dos anos, os leitores de Reneé French formaram uma elite dedicada e sem reservas. Desde a sua revelação com Grit Bath, até às novelas gráficas The Ninth Gland e Corny’s Fetish, sob chancela Dark Horse, o talento desta artista sensível, mas aliciante, foi conquistando o público e a crítica. Até que tudo se alterou em 2001, com Marbles In My Underpants. Por iniciativa da Oni Press, eis o primeiro álbum retrospectivo na carreira de French. Ou melhor, uma colectânea volumosa, especialmente dedicada aos adultos - pois concilia um olhar cúmplice sobre os dilemas da vida moderna, com a delicadeza surreal das suas personagens triviais. Esta viragem editorial de French tornou-se, aliás, uma oportunidade significativa - para avaliar o modo como os quadradinhos americanos, gerados pela expressão independente ou periférica, mantêm intactas a frescura de testemunho, ou a distorção onírica que consagraram o seu culto. Para French, trata-se - sobretudo - de ampliar o leque dos que apreciam a diferença da sua criatividade: «Não me interessa, apenas, aumentar a lista de admiradores, mas fazer de cada um deles o meu fã número 1»…


CALENDÁRiO

04FEV-07MAI2017 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta A Time Coloured Space - exposição de desenho, escultura e instalação de Philippe Parreno (França), sendo comissária Suzanne Cotter.

03MAR-22MAI2017 - Em Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian apresenta Versailles. A Face Escondida do Sol - exposição de fotografia de Manuela Marques, sendo curadores João Carvalho Dias e Nuno Vassallo e Silva.

07MAR-28MAI2017 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves expõe Álvaro Siza Vieira: Visões da Alhambra, sendo curador António Choupinha. IMAG.41-56-298-424-432-447-495-510-579-611-620-627

09MAR2017 - NOS Audiovisuais estreia São Jorge (2016) de Marco Martins; com Nuno Lopes e Mariana Nunes. IMAG.58-125-292-300-499

10MAR-29ABR2017 - Bedeteca da Amadora apresenta
Banda Escrita: David Soares - Uma Exposição Em Torno do Trabalho do Argumentista. IMAG.6-358-410-605

VISTORiA
Enquanto os homens se contentaram com as suas cabanas rústicas, enquanto se limitaram a coser as suas roupas de peles com espinhos ou arestas de pau, a enfeitarem-se com plumas e conchas, a pintar o corpo de diversas cores, a aperfeiçoar ou embelezar os seus arcos e flechas, a talhar com pedras cortantes algumas canoas de pesca ou grosseiros instrumentos de música; em uma palavra, enquanto se aplicaram exclusivamente a obras que um só podia fazer, e a artes que não necessitavam do concurso de muitas mãos, eles viveram livres, sãos, bons e felizes, tanto quanto podiam ser pela sua natureza, e continuaram a gozar entre si das doçuras de uma convivência independente. Mas, desde o instante em que um homem teve necessidade do socorro de outro; desde que percebeu que era útil a um só ter provisões para dois, a igualdade desapareceu, a propriedade foi introduzida, o trabalho tornou-se necessário e as vastas florestas transformaram-se em campos risonhos que foi preciso regar com o suor dos homens, e nos quais, em breve, se viram germinar a escravidão e a miséria a crescer com as colheitas.
Jean-Jacques Rousseau
- Origem da Desigualdade Entre os Homens

VISTORiA

Vem, Vento, Varre!

Vem vento, varre
sonhos e mortos.
Vem vento, varre
medos e culpas.
Quer seja dia,
quer faça treva,
varre sem pena,
leva adiante
paz e sossego,
leva contigo
nocturnas preces,
presságios fúnebres,
pávidos rostos
só cobardia.

Que fique apenas
erecto e duro
o tronco estreme
de raiz funda.
Leva a doçura,
se for preciso:
ao canto fundo
basta o que basta.
Vem vento, varre!
Adolfo Casais Monteiro

MEMÓRiA

1712-02JUL1778 - Jean-Jacques Rousseau: Escritor e filósofo de origem suíça, teórico político, autor de O Contrato Social - «O primeiro que, tendo cercado um terreno, se lembrou de dizer: “Isto é meu!”, e encontrou pessoas bastante simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não teria poupado ao género humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: “Livrai-vos de escutar esse impostor; estareis perdidos, se esquecerdes que os frutos são de todos, e a terra de ninguém!”». IMAG.185-270-309-376-555

04JUL1908-1972 - Adolfo Casais Monteiro: Escritor português e crítico literário - «Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim / A vida que não se troca por palavras. / Deram-mo para eu guardar dentro de mim / As vozes que só em mim são verdadeiras. / Deram-mo para eu guardar dentro de mim / A impossível palavra da verdade.». IMAG.58-82-185-233-335-379

07JUL1858-1941 - José Leite de Vasconcellos Cardoso Pereira de Melo, aliás Leite de Vasconcellos: Arqueólogo, etnógrafo, linguista e filólogo português - «Convém conservar certos costumes que não contradizem formalmente o progresso e, pelo contrário, servem para pôr ou manter no espírito dos cidadãos o apego à vida local». IMAG.128-185-196-651

GALERiA

Versailles - A Face Escondida do Sol

Percorrendo os espaços mais recônditos, Manuela Marques capturou atmosferas e registou pormenores de objectos sumptuosos ou grafitis inesperados, e ainda sons que remetem para a vivência contemporânea dos espaços, lugar de trabalho para uns, e de deleite para os milhões de visitantes que percorrem as suas salas, corredores, jardins.

Este projecto, que tem Versalhes como epicentro, suscitou a criação de um itinerário, que se alargou pelas galerias de arte francesa do Século XVIII da colecção Calouste Gulbenkian, destacando, entre outros temas, o mecenato régio, as indústrias do luxo e o dinamismo da actividade cultural, que encontrou na produção editorial um dos seus momentos mais significativos. Para todos eles, a colecção apresenta importantes exemplares em exposição permanente ou provenientes das reservas, permitindo que sejam mostrados pela primeira vez. Merecem particular destaque obras de ourivesaria, mobiliário, pintura, têxteis, porcelanas e arte do livro, muitas das quais encomendas régias e da nobreza francesa entre os reinados de Luís XIV e Luís XVI.

BREVIÁRiO

Abysmo edita A Minha Casa Não Tem Dentro de António Jorge Gonçalves. IMAG.19-169-183-195-227-252-292-296-310-342-356-430-433-498-521-551-595

Polydor edita em CD, Blue & Lonesome por The Rolling Stones.
IMAG.54-118-206-309-313-384-463-556-655

Pianola edita Judea de Diniz Conefrey.
IMAG.289-301-325-332-377-395-430-448-504-534-596-624-651

E-Primatur edita Casos de Direito Galáctico e Outros Textos Esquecidos de Mário-Henrique Leiria (1923-1980). IMAG.165-190

Caminho edita O Convidador de Pirilampos de Ondjaki (narrativa) e António Jorge Gonçalves (ilustração).
IMAG.19-169-183-195-227-252-292-296-310-342-356-430-433-498-521-551-595

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

MAL TORNA AO CRIADOR QUEM, SUJEITO, SE REFAZ - 11

Melancolia mansa, fúria selvagem. Nunca mais.
Por natureza, nunca mais seriam. Profanados, destilavam o paradoxo de tal perplexidade, numa existência alternativa.
Continua