terça-feira, janeiro 30, 2018

IMAGINÁRiO #700

José de Matos-Cruz | 24 Março 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

APOCALIPSES
Desde que o cinema existe, sob o signo de Hollywood, o espectáculo da guerra sempre constituiu um fascínio perverso e perigoso, enquanto abordagem limite ou fenómeno ritual. Assim, o imaginário do Vietname suscitaria, inevitavelmente, uma referência ao Apocalypse Now (1979) de Francis Ford Coppola - obra-prima cujas fortíssimas implicações temáticas e estéticas, em que se reconstitui um universo de demolição irracional, sob o crepúsculo da humanidade, pressupõe uma incursão alegórica e fantástica pelo inferno na Terra. Em 1986, Oliver Stone ousou sondar de novo esse coração das trevas com Platoon / Os Bravos do Pelotão - expondo o desafio limite para um punhado de jovens soldados ianques, ante a morte espectral: vítimas de um absurdo devastador, em sacrifício ou sobrevivência, que é simbolizado no fatídico antagonismo de dois desses combatentes… A evolução político-social no Sudoeste Asiático provocou uma rodagem noutros cenários naturais, as Filipinas, e a memória traumática do próprio realizador - sobre a sua experiência no Vietname, aliada à consagração como argumentista - atribui uma ressonância clássica, épica, a este testemunho tão perturbante e avassalador. Oliver Stone consuma, afinal, uma capacidade excepcional para definir - através de uma dimensão expiatória, que transcende a convulsão histórica entre poderes e ideais - os sentimentos, as contradições, os horrores e os pesadelos solitários de tão precários protagonistas bélicos.
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CALENDÁRiO

07OUT2017-06JAN2018 - Em Lisboa, Galeria Zé dos Bois apresenta, em parceria com Culturgest, Chama Xamânica - exposição de desenhos, objectos e esculturas de Otelo M. F., sendo curador Nuno Faria.

25OUT-26NOV2017 - Em Alcabideche, CascaiShopping apresenta, em parceria com The Archives LLC e Iconic Images, a exposição de fotografia Marilyn [Monroe - 1926-1962] by Milton H. Greene (EUA), sendo curadora Cristina Carrillo de Albornoz.  
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26OUT2017 - Leopardo Filmes produziu, e estreia Todos os Sonhos do Mundo / Tous les Rêves du Monde (2017) de Laurence Ferreira Barbosa; com Paméla Constantino Ramos e António Torres Lima.

26OUT2017-05FEV2017 - Em Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian apresenta Do Outro Lado do Espelho - exposição múltipla, sendo curadoras Maria Rosa Figueiredo e Leonor Nazaré.

VISTORiA

Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exactamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Factos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele observa-os, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as consequências e busca as aplicações úteis. Não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou evidente da observação dos factos, procedendo de igual maneira quanto aos outros princípios. Não foram os factos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subsequentemente explicar e resumir os factos. É, pois, rigorosamente exacto dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não um produto da imaginação. As ciências só fizeram progressos importantes depois que os seus estudos se basearam no método experimental; até então, acreditou-se que esse método só era aplicável à matéria, ao passo que o é, também, às coisas metafísicas.
Allan Kardec
- A Génese, Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo (1868 – excerto)

COMENTÁRiO

Raymond Chandler
Dois anos antes de falecer, Raymond Chandler escreveu ao seu agente de Londres: «Vivi a minha existência à beira do nada». Sentia a vida com grande intensidade, e isso contribuiu para fazer dele um dos melhores romancistas do seu tempo, com um alcance emocional que poucos dos seus contemporâneos lograram atingir. Como principal expoente da escola do homem duro nas narrativas de mistério, Chandler era também um poeta sentimental. Ao longo do tempo granjeou de sucesso como autor, e o herói dos seus livros, Philip Marlowe, era conhecido por milhões de leitores. No entanto, a sensibilidade temperamental que tornou possível o êxito como escritor, também fez dele um ser humano infortunado.
O escritor galês Jon Manchip White, que conheceu Chandler no Hotel Conaught de Londres, onde costumava hospedar-se pelos últimos anos, descreveu-o como «um homem extraordinariamente complexo e extraordinariamente infeliz. Na sua personalidade não cabia a resignação, e era incapaz de aceitar o facto de que nenhum de nós, e muito menos um artista, nunca encontre o que procura e afinal tenha de conformar-se com o que tem e é». Raymond Chandler era intrinsecamente incapaz desse tipo de atitude. «Suponho que todos os escritores são loucos» – escreveu – «mas, se há alguns mais medíocres, creio que, mesmo assim, possuem uma terrível integridade».
Frank MacShane
- A Vida de Raymond Chandler (1976 - excerto)

VISTORiA

En Este Mismo Instante…

En este mismo instante
hay un hombre que sufre,
un hombre torturado
tan sólo por amar
la libertad. Ignoro
dónde vive, qué lengua
habla, de qué color
tiene la piel, cómo
se llama, pero
en este mismo instante,
cuando tus ojos leen
mi pequeño poema,
ese hombre existe, grita,
se puede oír su llanto
de animal acosado,
mientras muerde sus labios
para no denunciar
a los amigos. ¿Oyes?
Un hombre solo
grita maniatado, existe
en algún sitio. ¿He dicho solo?
¿No sientes, como yo,
el dolor de su cuerpo
repetido en el tuyo?
¿No te mana la sangre
bajo los golpes ciegos?
Nadie está solo. Ahora,
en este mismo instante,
también a ti y a mí
nos tienen maniatados.
José Agustín Goytisolo

MEMÓRiA

1926-30MAR1988 - John Clellon Holmes: Novelista, poeta e professor americano, membro da Beat Generation - «Mais do que simples fadiga, beat implica a sensação de ter sido usado, de estar em carne viva. Envolve uma espécie de desnudamento da mente e, em última instância, da alma: a sensação de estar sendo reduzido às bases da consciência. Em síntese, significa ser empurrado sem drama contra o muro do isolamento» (1952). IMAG.362-554-652

1928-19MAR1999 - José Agustín Goytisolo: Escritor espanhol, irmão de Juan Goytisolo e Luis Goytisolo, autor de Palabras Para Julia - «Me anunciará tu paso el breve salto / de un pájaro en ese instante fresco y huidizo / que determina el vuelo, / y la hierba otra vez como una orilla / cederá poco a poco a tu presencia.» (Cuando Todo Suceda - excerto). IMAG.654

24MAR1909-1934 - Clyde Barrow: Criminoso americano - «Esta é Miss Bonnie Parker. Eu chamo-me Clyde Barrow… Estamos aqui para fazer o nosso trabalho - somos assaltantes de bancos!». IMAG.212-293-467

1888-26MAR1959 - Raymond Thornton Chandler, aliás Raymond Chandler: Ficcionista americano - «Em tudo que chamamos arte, existe uma expectativa de redenção». IMAG.86-190-216-220-236-282-283-449-567-578-667

28MAR1909-1981 - Nelson Ahlgren Abraham, aliás Nelson Algren: Ficcionista americano, autor de Vidas Perdidas / A Walk On the Wild Side (1956) - «Nunca comi num lugar que se chamasse Mamã. Nunca joguei cartas com um homem a quem tratassem por Doutor. E nunca tive de lidar com uma mulher que me trouxesse tantos problemas como tu!» (What Every Young Man Should Know - excerto). IMAG.503

1913-29MAR2009 - Helen Levitt: Fotógrafa americana, uma das mais importantes do Século XX, famosa pelos instantâneos de rua em Nova Iorque - «Saía, andava por aí a fazer click!, seguia o meu olhar e fixava o que lhe chamava a atenção». IMAG.243-432

1924-29MAR2009 - Maurice-Alexis Jarre, aliás Maurice Jarre: Compositor francês - «Trabalhando com os maiores cineastas do mundo, enquanto compositor mostrou que a música é tão importante para o sucesso de um filme como as próprias imagens» (Nicolas Sarkozy). IMAG.243-320-482

1804-31MAR1869 - Hippolyte Léon Denizard Rivail, aliás Allan Kardec: Educador, escritor e tradutor francês, codificador do Espiritismo - «O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, e sim o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação.» (O Céu e o Inferno - 1865, excerto). IMAG.127-187-220

31MAR1929-2014 - Menahem Globus, aliás Menahem Golan: Cineasta israelita, realizador e produtor, com sucesso em Hollywood através da Cannon Films, associado ao primo Yoram Globus - para quem «conseguimos viver do que para nós era uma paixão». IMAG.527

PARLATÓRiO

Maurice Jarre
Os compositores de cinema ficam, frequentemente, à sombra dos realizadores e dos intérpretes; porém, a sua música para filmes faz parte inesquecível da história da sétima arte.
Dieter Kosslick

BREVIÁRiO

Relógio D’Água edita Dentes de Rato de Agustina Bessa-Luís.  
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Quetzal edita Memórias de Raul Brandão (1867-1930).  
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quinta-feira, janeiro 25, 2018

Imaginário-Médio: newsletters de Dezembro 2013

Chegamos ao fim do ano virtual de 2013 no blog Imaginário-Médio, recuperando as newsletters deste, previamente inéditas online. Como sempre, aproveitamos para disponibilizar aqui os links directos - #445, #446, #447 e #448 - e, já agora, votos de Feliz Ano Novo!

segunda-feira, janeiro 22, 2018

IMAGINÁRiO #699

José de Matos-Cruz | 16 Março 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

COMUNICAR
Derib por Erling Mandelmann
Em meados do Século XX, mais precisamente a 26 de Setembro de 1946, eram fundadas as Éditions du Lombard, cuja vocação aventurosa se instalaria a nível europeu, e graças à banda desenhada, entre várias gerações de leitores, dos 7 aos 77 anos. Desde esses tempos pioneiros, cuja referência primordial é o Journal Tintin, estende-se um historial de sucessos e desafios, de ousadias e vitórias, que culminou numa venda estimada, durante 2000, em cerca de um milhão de álbuns em quadradinhos. A estrutura fundamental destaca uma honrosa tradição de artistas veteranos, pela chancela Signé, le Lombard, entre os quais sobressai Derib - aliás, Claude de Ribaupierre - com uma carreira coerente pela figuração narrativa, entre o testemunho e o entretenimento, através de títulos como Yakari, Buddy Longway, Red Road, Jo, Pour Toi, Sandra ou No Limits - numa obra perturbante de acuidade e actualidade… Derib esclarece: «Na banda desenhada, encontrei um modo simples e eficaz de comunicar com as outras pessoas. Os jovens têm problemas delicados para enfrentar, e eu procuro tratá-los, não numa perspectiva moral, mas expondo-os em quadradinhos, através das suas implicações humanas».

CALENDÁRiO

14MAI1947-05OUT2017 - Anne Wiazemsky: Actriz, cineasta e escritora francesa, intérprete de Peregrinação Exemplar / Au Hasard Balthazar (1966 - Robert Bresson) - «Nascera com grandes dons; circunstâncias excepcionais levaram a que frutificassem cedo» (José Cutileiro). IMAG.502

01MAI1917-17OUT2017 - Danielle Darrieux: Actriz e cantora francesa, intérprete de O Vermelho e o Negro / Le Rouge et le Noir (1954 - Claude Autant-Lara) - «O meu sucesso precoce ter-se-á devido a ter um tipo físico pouco comum, no cinema».

1940-19OUT2017 - Manuel Figueiredo de Oliveira, aliás Manuel Oliveira: Atleta português - «Um grande ídolo do desporto nacional» (WikiSporting).

20OUT-01DEZ2017 - Em Linda-a-Velha, Fundação Marquês de Pombal apresenta, no Palácio dos Aciprestes, Diálogos - exposição de pintura / desenho de Vítor Higgs, José Augusto Coelho e Adelaide Monteiro.

26OUT2017-15ABR2018 - Em Cascais, Fundação D. Luís I apresenta, na Casa das Histórias Paula Rego, Pra Lá e Pra Cá - exposição de gravura e figurinos de Paula Rego, sendo curadora Catarina Alfaro.
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BREVIÁRiO

INCM/Imprensa Nacional - Casa da Moeda edita O Essencial Sobre Pablo Picasso (1881-1973) de José-Augusto França.
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VISTORiA

Ivan Iákovlevitch vestiu, por respeito das conveniências, a casaca por cima da camisa e, sentando-se à mesa, serviu-se de sal, preparou duas cebolas, pegou na faca e, com uma expressão eloquente na cara, pôs-se a cortar o pão. Ao abri-lo ao meio, olhou para o miolo e, surpresa sua, viu algo esbranquiçado.
Escavou cuidadosamente com a faca e apalpou com um dedo. «É duro, – disse para si. – Que poderá ser?». Enfiou os dedos e tirou – um nariz!… Caiu das nuvens; esfregou os olhos e começou a apalpar: nariz, nariz de certeza! Ainda por cima de alguém conhecido, parecia-lhe. Desenhou-se o terror no rosto de Ivan Iákovlevitch.
Nikolai Gogol
- O Nariz (1836 – excerto)

VISTORiA

Se Duvidas Que Teu Corpo

Se duvidas
Que teu corpo
Possa estremecer comigo
E sentir
O mesmo amplexo carnal,
Desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
Às coisas do amor.

Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha
Se tanto for necessário
Para ser compreendido.
António Botto
COMENTÁRiO

António Botto

A vasta obra poética de Botto, em parte ainda dispersa ou não-recoligida, apesar de e também pelo muito que ele publicou, republicou, reorganizou em volumes dispersos ou suprimia de volumes anteriores, etc., poderá repartir-se em quatro fases: a juvenil, em que continua o tom da quadra dita popular, conjugando-o com aspectos da dicção simbolista que poetas como Correia de Oliveira, Augusto Cid, e sobretudo Lopes Vieira haviam introduzido nela; a simbolístico-esteticista, em que a juvenilidade tradicionalizante se literaliza dos requebros esteticísticos que marcaram, nos anos 20, muita poesia simultaneamente da tradição saudosista e modernista (é a das primeiras edições das Canções e breves plaquetes seguintes, em que todavia a personalidade do poeta já figura inteira em diversos poemas); a fase pessoal e original, nos anos 30, desde as edições de 1930-32 das Canções (em que ele ia incorporando selecções de colectâneas anteriores) até A Vida Que Te Dei e Os Sonetos (fase que é também a dos seus excepcionais contos infantis que tiveram realmente as edições estrangeiras que se julgava ser uma das mentiras megalomaníacas do poeta, da «novela dramática» António, e da peça Alfama); e a última fase, nos anos 40 e 50, até à morte que é a de uma longa e triste decadência, com poemas desvairadamente oportunistas, revisões desastrosas afectando nas reedições alguns dos melhores poemas anteriores.
Jorge de Sena
- Líricas Portuguesas (1958)

MEMÓRiA

16MAR1799-1871 - Anna Children, aliás Anna Atkins: Botânica inglesa, considerada a original mulher-fotógrafa, publicou Photographs of British Algae: Cyanotype Impressions (1843-1853) - porventura, o primeiro livro ilustrado com imagens fotográficas; «apesar da simplicidade de meios, o seu projecto foi um esforço precursor e sustentado na demonstração das virtualidades da fotografia como prática científica e deleite estético» (Encyclopædia Britannica).

1897-16MAR1959 - António Tomás Botto, aliás António Botto: Poeta português, autor de Ciúme - «Eu creio que sonhar o impossível / É como que ouvir uma voz de alguma coisa / Que pede existência e que nos chama de longe. // Sim, o mais importante na vida / É ser-se criador. / E para o impossível / Só devemos caminhar de olhos fechados / Como a fé e como o amor.» (Curiosidades Estéticas). IMAG.292-307-622-639

17MAR1919-1965 - Nathaniel Adams Coles, aliás Nat King Cole: Cantor e pianista americano - «Quando conseguimos levar as pessoas o olharem para alguém que canta, é porque realmente já atingimos uma parte das nossas expectativas». IMAG.502-599

17MAR1919-1995 - Maria da Graça Neves Saramago, aliás Maria da Graça: Cantora e actriz portuguesa, intérprete de O Pátio das Cantigas (1941 - António Lopes Ribeiro). IMAG.501

20MAR1809-1852 - Nikolai Vassilievitch Gogol, aliás Nikolai Gogol: Escritor russo de origem ucraniana - «Quanto mais sublimes forem as verdades, mais prudência exige o seu uso; senão, de um dia para o outro, tornam-se lugares comuns, e as pessoas nunca mais acreditam nelas». IMAG.118-219-223-361-474-593-637

21MAR1839-1881 - Modest Petrovich Mussorgsky: Compositor russo - «A arte não é um fim, mas sim um meio para nos dirigirmos à humanidade». IMAG.540-698

TRAJECTÓRiA

Nat King Cole

Nat King Cole é um dos mais importantes vocalistas do pop jazz do século XX. O seu estilo agradável, a dicção perfeita, a beleza do timbre de barítono contribuem para o tornar popular, mas era a modéstia implícita do canto deste inovador pianista da história do jazz que parecia tornar fácil e vulgar, em vez de original, a sua forma de cantar: ele cantava e o ouvinte julga que pode cantar como ele. Pura ilusão.
1917-1936 - A família de Nathaniel Coles muda-se do Alabama para Chicago quando o pequeno Nat tinha 4 anos; aos 12 anos, já tocava órgão e cantava na igreja aonde seu pai pregava. Cole é bastante influenciado por Earl Hines, o pianista mais famoso de Chicago.
1936 - Cole prefere mudar-se para Los Angeles após tentativas falhadas de tocar em vários grupos. Forma um trio com o guitarrista Oscar Moore e Wesley Price no baixo tornando-se residentes no clube Swanne Inn, em Hollywood. O estilo definido pelo trio de Nat viria a influenciar fortemente Art Tatum e Oscar Peterson. O próprio conceito de trio de jazz é praticamente estabelecido por este formato.
1943 - Cole grava Straighten Up And Fly Right, o seu primeiro solo vocal com o seu trio que se torna um sucesso a nível nacional dos EUA. Cole, à medida que vai cantando o seu sucesso vai aumentando, e as suas aparições com o seu trio vão reduzindo.
1946 - The Christmas Song é um êxito e também a sua primeira gravação com uma orquestra. Tornou-se um clássico da época natalícia.
1948-50s - Cole é um dos primeiros negros a ter um programa semanal na rádio e, no princípio dos anos 50, era já internacionalmente famoso. Em 56, começa a fazer um programa semanal na televisão, mas os patrocinadores faltam por ele ser negro.
1958 - Um dos filmes em que participou, Saint Louis Blues, ficcionaliza a vida de W. C. Handy.
1965 - Nat King Cole morreu a 15 de Fevereiro de 65 com cancro na garganta. Apesar de se ter tornado mundialmente famoso com o seu canto, foi no piano e com o seu trio que influenciou o mundo do Jazz.

sexta-feira, janeiro 19, 2018

Imaginário-Médio: newsletters de Novembro 2013

Já estão disponíveis os newsletters #441, #442, #443 e #444 no blog Imaginário-Médio, alusivas à data virtual de Novembro 2013, previamente inéditas online. Consultar nos respectivos links.


terça-feira, janeiro 16, 2018

IMAGINÁRiO-Extra: 2º MÓDULO do II CURSO DE BD no MUSEU BORDALO PINHEIRO

Entre 19 de Janeiro e 9 de Fevereiro, decorre o 2º Módulo do II Curso de BD do Museu Bordalo Pinheiro, em Lisboa, coordenado pelo autor Penim Loureiro, com orientação pela artista plástica/ilustradora Susana Resende.

Este 2º módulo vai focar-se em introdução ao desenho e planificação de banda desenhada pelo gesto, inovadores métodos criativos e em análises a pranchas clássicas de BD.
Cada uma das 4 aulas será concluída com Conversa Aberta, acessível ao grande público, com os artistas convidados Bernardo Majer (dia 26), Daniela Viçoso (dia 2) e Daniel Maia (dia 9). A primeira aula será ocupada por sessão prática realizada pela formadora Susana Resende (dia 19).


segunda-feira, janeiro 15, 2018

IMAGINÁRiO #698

José de Matos-Cruz | 08 Março 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

SOBREVIVER
Entre crises e casos, euforias e singularidades, o cinema português celebra uma existência mais que centenária, superando-se em indústria precária pelo engenho artístico ou pela motivação documental. Em 2000, José Nascimento realizou Tarde Demais, sendo ainda argumentista com João Canijo. Em causa, uma história nossa, recente e trágica. Quatro homens tentam sobreviver ao naufrágio de uma velha canoa de pesca, no meio do Rio Tejo, entre Lisboa e Alcochete. Após as longas horas de submersão, esperam uma baixa da maré para poderem caminhar entre os bancos de ostras, e chegarem a uma das duas ilhas aluviais. As opiniões dividem-se. Os conflitos adensam-se. A separação é inevitável. Porém, os caminhos escolhidos reservam perigos e sacrifícios inesperados… A estrutura clássica permite caracterizar todo o matiz humano, pelo recorte evolutivo de cada uma das personagens várias. Assim implicando o vínculo que partilham, sob uma desgraça na qual se debatem, com a mera e intrínseca coragem da persistência. Ora, em tal intenso transe subjugadas, o domínio fluvial é determinante, na sua natureza caprichosa e ameaçadora. IMAG.53-77-189

CALENDÁRiO

1930-09OUT2017 - Jean Raoul Robert Rochefort, aliás Jean Rochefort: Actor e cineasta francês, intérprete de O Relojoeiro / L’Horloger de Saint-Paul (1973 - Bertrand Tavernier) - «A sua elegância era uma simplicidade que lhe ficava bem» (Guy Poisley).

10OUT-31DEZ2016 - Alfândega do Porto apresenta The World of Steve McCurry (EUA) - exposição de fotografia com curadoria de Biba Giacchetti e cenografia de Peter Botazzi. IMAG.615

18OUT2017-29ABR2018 - No Porto, Galeria da Biodiversidade | Centro Ciência Viva expõe National Geographic PhotoArk - A Nova Arca de Noé de Joel Sartore.

19OUT2017 - NOS Audiovisuais estreia Porto (2016) de Gabe Klinger; com Anton Yelchin e Lucie Lucas.

COMENTÁRiO

Hector Berlioz

Antes das visitas de Berlioz, praticamente não existia, na Rússia, uma verdadeira música académica. Foi o seu paradigma que inspirou o género… Para a sua Terceira Sinfonia, Pyotr Ilyich Tchaikovsky serviu-se da Sinfonia Fantástica como se de um posto de gasolina se tratasse. E Modest Petrovich Mussorgsky morreu com uma cópia do tratado de Berlioz em cima da cama.
Norman Lebrecht

ELUCIDÁRiO

ALGERNON BLACKWOOD

Bizarro, perturbador, assustador, sublime, assim é o mestre ilusionista da escrita ficcional, Algernon Blackwood. Evocando as forças misteriosas da natureza, toda a escrita de Blackwood percorre a nebulosa fronteira entre a fantasia, o surpreendente, a admiração e o horror. Na obra de Blackwood - incluindo O Wendigo, Luzes Antigas, A Outra Ala ou O Homem à Escuta - destaca-se Os Salgueiros, que H.P. Lovecraft apontava como sendo «a melhor história de terror de toda a literatura».

VISTORiA

A leitura de obras de divulgação científica gerou em mim a convicção de que várias passagens da Bíblia não podiam ser verdadeiras. Desenvolvi assim um fanático livre-pensamento, associado ao sentimento de que o Estado omitia, deliberadamente, aos jovens; foi uma revelação para a minha vida. Extraí dessa experiência uma desconfiança em relação a toda forma de autoridade, um cepticismo a respeito das convicções que prevaleciam na sociedade da época, posição que jamais abandonei, ainda que depois ela tenha perdido a sua acuidade, graças a um melhor discernimento das relações causais.
Albert Einstein
- Autobiografia

MEMÓRiA

1803-08MAR1869 - Louis Hector Berlioz, aliás Hector Berlioz: Compositor francês - «Diz-se que o tempo é um grande maestro… O pior, infelizmente, é que acaba por matar os seus discípulos».  
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1922-08MAR1999 - António Pereira Campos, aliás António Campos: Cineasta português - «Não me interessa que os meus filmes vão para o cartaz. O que desejo é que circulem entre o povo, que conhece ou não os problemas focados, pois poderá passar a debatê-los». IMAG.96-180-217-372

1810-11MAR1879 - José Feliciano de Castilho Barreto e Noronha, aliás Castilho José, aliás José Feliciano de Castilho - Escritor, bibliotecário, tradutor e jornalista português, autor de Grito de Liberdade: Canto Dedicado aos Emigrantes Portuguezes / Por um Portuguez (1830), radicado no Brasil - «…Revelou-se latinista de profundo conhecimento da língua de Cícero, de Horácio, de Virgílio e de Plutarco; foi feliz demais na mestria com que reproduziu completas, vivas, no português, as frias belezas de Ovídio, que, desterrado no Ponto, oferecia ao ótimo e ilustrado tradutor o maravilhoso tesouro das mais enlevadoras e sublimes melancolias e saudades do poeta no seu livro das tristezas, os Tristes» (Joaquim Manuel de Macedo - 1879).

1926-12MAR2009 - Blanca Leonor Varela Gonzáles, aliás Blanca Varela: Poetisa peruana - «…El coral clava su garra en tu sombra, / tu sangre se desliza, inunda praderas…». IMAG.242-574

1911-13MAR1999 - Leon Harrison Gross, aliás Lee Falk: Autor americano de banda desenhada, criador de Mandrake e The Phantom - «A minha única política é enaltecer a democracia e criticar a ditadura… Constatei que milhões de pessoas - em todo o mundo - diariamente gostavam das mesmas coisas que eu apreciava». IMAG.86-218-320-471

14MAR1869-1951 - Algernon Blackwood Henry, aliás Algernon Blackwood: Ficcionista inglês, mestre da literatura fantástica, autor de Os Salgueiros - «Acredito que a nossa consciência é capaz de alterar-se e de expandir-se, e que, com tais mutações e ampliações, estaremos propícios a tornar-nos disponíveis para a realidade de outros e novos universos» (a Peter Penzoldt). IMAG.529

14MAR1879-1955 - Albert Einstein: Físico teórico alemão, fundador da Teoria Geral da Relatividade, distinguido com o Prémio Nobel da Física (1921) - «Se a minha teoria da relatividade estiver correcta, a Alemanha dirá que sou alemão, e a França, que sou cidadão do mundo. Mas, se eu estiver errado, a França sustentará que sou alemão, e a Alemanha garantirá que sou judeu».  
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14MAR1939-2012 - Keiji Nakazawa: Argumentista e ilustrador japonês, criador da série Hadashi no Gen (1973), mangà autobiográfica sobre a deflagração da bomba atómica em Hiroxima, de que foi sobrevivente. IMAG.446

PARLATÓRiO

Tendo inesperadamente desabado sobre mim, Shakespeare fulminou-me… Nele, reconheci a verdadeira grandeza, a verdadeira beleza e a autêntica verdade dramática.
Hector Berlioz

Cada artista, para além das suas motivações e imaginação, recria um mundo pessoal na banda desenhada de que é autor - e isto é verdade para The Peanuts, Beetle Bailey, Popeye, para todas as melhores séries. E tal consegue-se, não imitando os outros - seguindo as nossas próprias ideias. The Phantom e Mandrake são bem reais - muito mais do que a maior parte das pessoas que andam por esse mundo. Temos que acreditar nas personagens a que damos vida.
Lee Falk

Basta-me pensar num filme, e ter um mínimo de dinheiro para o fazer… Entrego-me de corpo e alma quando os temas me sensibilizam, me apaixonam.
António Campos

TRAJECTÓRiA

LEE FALK

Na banda desenhada americana, pelos rumos da aventura, um criador influenciou a história dos heróis ao longo de décadas, reflectindo-se por um culto mutante entre os leitores: Lee Falk, com os essenciais Mandrake the Magician e The Phantom. Em talento e inspiração, Falk era um autor esotérico, irónico, ritualista. Narrador primordial, inspirado em cultos ancestrais, lendários de variegadas civilizações e exotismos. Por outro lado, a partir destes conceitos e destes símbolos fundamentais, Falk provou possuir - também - um engenho fértil e distinto. Bastaria observar as características que contrastam Mandrake e o Fantasma, praticamente num recorte de oposição entre si. Aliás, ambos evoluíram ao longo dos anos, com as respectivas sagas. Em cumplicidade com os leitores próprios, Falk suscitou também dois encontros - alusivos a uma velha amizade entre si - de Mandrake e Fantasma, em momento de excepcional importância na vida de cada um: o casamento - do Homem-Mascarado, Kit Walker com Diana Palmer em 1977; e de Mandrake com a princesa Narda de Cockaigne, em 1997-1998. Lee Falk (1911-1999) iniciou os prodígios de Mandrake em 1934, dois anos antes de explorar as proezas do Duende Caminhante na selva de Bengalla. O modelo físico de Mandrake teria sido o próprio Falk - estilizado pelo grafismo de Phil Davis e ajudantes, até à morte em 1964. Depois, Fred Fredericks manteve o essencial, modernizando as personagens e a dinâmica narrativa ou cénica. A partir de 1936, The Phantom foi ilustrado por Ray Moore (1936-1947), Wilson McCoy (1947-1961), e desde essa altura por Sy Barry, com inúmeros colaboradores anónimos. Fiéis a um justiceiro com mais de quatrocentos anos.

BREVIÁRiO

Fundação Calouste Gulbenkian edita Ensaios e Artigos (1951-2007) de Agustina Bessa-Luís.
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Em Biografias do Teatro Português, INCM / Imprensa Nacional - Casa da Moeda edita Companhia [Amélia] Rey Colaço [1898-1990] - Robles Monteiro (1888-1958).
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