sábado, julho 15, 2017

IMAGINÁRiO #671

José de Matos-Cruz | 16 Agosto 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

EXPLORAÇÕES

Alargando o território da aventura a todo o mundo, a banda desenhada europeia amplia também as implicações temáticas e as expectativas de entretenimento, suscitando aos leitores a consciencialização para problemáticas que escapam à realidade e às vivências do quotidiano. Após Papous e Pigalle, Le Lombard prosseguiu Les Exploits d’Odilon Verjus com Eskimo (1998). Tudo principia algures na Calote Ártica, com a entrada do navio Honeur et Patrie no porto de Kanguersetoatsiak. Quando os inevitáveis Laurent & Odilon já rejubilavam, esperando mantimentos e provisões, prometidos há mais de um ano, sai-lhes na encomenda… o Monsenhor Golias, que pretende verificar pessoalmente os progressos que lograram na Missão. Golias sabe que a aldeia de Tuktukyaktuk está em plena região xamanista, e que os feiticeiros locais costumavam massacrar os sacerdotes. Mas, sempre é melhor que deixar os noviços «engordando, escandalosamente, nos seminários franceses»… Sarcasmo, irreverência, recortam o testemunho artístico de Yann/Yannick le Pennetier (argumento) e Laurent Verron (ilustração), em que a latitude dos dilemas religiosos se contrasta com outras motivações determinantes - como a ecologia, o racismo, a chacina de animais no habitat. Tudo isto, quando - na Alemanha - já se anuncia Adolph, mais um capítulo desta saga sacerdotal! IMAG.21-61-166-438-553

CALENDÁRiO

22FEV-31MAI2017 - Em Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal expõe & ETC: Prolegómenos a Uma Editora, com montagem de Paulo da Costa Domingos. IMAG.405-552-586-619

08ABR-27MAI2017 - Em Lisboa, Fundação Carmona e Costa expõe O Bigode Escondido Na Barba de Francisco Tropa, sendo curadora Filipa Oliveira. IMAG.399-555-603-621-641

20SET1937-15ABR2017 - Alberto Carneiro: Escultor português - «A obra de arte que não coloca qualquer problema, não é obra de arte, porque ela existe para questionar, para aumentar o campo de acção, para criar novas fronteiras, novos conceitos» (2013). IMAG.21-241-299-467-553-558

18ABR2017 - Em Évora, Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo expõe Llave del Romance Mudo de la Vida de San Antonio de Padua; sobre Fernando Martim de Bulhões e Taveira Azevedo, aliás Santo António (1195-1231).  
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18ABR-24SET2017 - Museu de Lisboa expõe, no Torreão Poente da Praça do Comércio, Debaixo dos Nossos Pés - Pavimentos Históricos de Lisboa, sendo curadoras Jacinta Bogalhão e Lígia Fernandes.

20ABR2017 - NOS Audiovisuais estreia A Ilha dos Cães (2017) de Jorge António; com Nicolau Breyner e Ciomara Morais. IMAG.29-61

22ABR2017 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arqueologia expõe Um Museu, Tantas Colecções!, sendo comissárias Ana Isabel Palma Santos e Lívia Cristina.

28ABR-26MAI2017 - Em Leiria, Teatro José Lúcio da Silva apresenta New Energy: Amor Amores - exposição de fotografia de Mircea Albuţiu (Roménia).

28ABR-11JUN2017 - Cidadela de Cascais - Art District apresenta De Onde Vem? - exposição de fotografia de Augusto Brázio e Valter Vinagre.  
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COMENTÁRiO


De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente a desaparecer e, uma vez desaparecidas, não há mecanismo no mundo capaz de as fazer voltar outra vez. Não podemos revelar ou copiar uma memória.
Henri Cartier-Bresson

VISTORiA

Acalanto

É tarde
A manhã já vem
Todos dormem
A noite também
Só eu velo
Por você, meu bem
Dorme anjo
O boi pega Neném

Lá no céu
Deixam de cantar
Os anjinhos
Foram se deitar
Mamãezinha
Precisa descansar
Dorme, anjo
Papai vai lhe ninar

«Boi, boi, boi,
Boi da cara preta
Pega essa menina
Que tem medo de careta»
Dorival Caymmi
PARLATÓRiO

Dorival Caymmy
Se eu pensar em música brasileira, eu vou sempre pensar em Dorival Caymmi. Ele é uma pessoa incrivelmente sensível, uma criação incrível. Isso sem falar no pintor, porque o Dorival também é um grande pintor.
Tom Jobim
 
Toda a pintura moderna apela a uma nova construção do espaço, que tem a ver mais com o que se sabe do que com o que se vê.
António Charrua

Um actor precisa de ter, no mínimo, dez anos de carreira para ser mais ou menos bom na sua arte.
António Assunção

Trabalho sobre a energia da matéria, sobre a natureza, sobre os elementos - a água, a terra, o fogo e o ar. Tenho um grande amor pela natureza.
Trabalho sobre árvores, não sobre madeira. Nunca cortei uma árvore.
Alberto Carneiro (2011)
MEMÓRiA

1914-16AGO2008 - Dorival Caymmi: Cantor, compositor, poeta e pintor brasileiro - «Adeus, vivo sempre a dizer adeus / Adeus, pois não posso esquecer, adeus / Inda me lembro de um lenço de longe acenando pra mim / Talvez com indiferença sem pena de mim / Adeus, quando olho pro mar, adeus / Adeus, quando vejo luar, adeus / Tudo que é belo na vida recorda um amor que perdi / Tudo recorda uma vida feliz que eu vivi». IMAG.211-464

1945-20AGO1998 - António José Dias Assunção, aliás António Assunção: Actor português - «É notória a extraordinária humanidade que imprimia às suas personagens, a graça que tinha, a sua enorme capacidade de contactar com o público» (Rui Mendes). IMAG.48-191

1925-21AGO2008 - António Dias Charrua, aliás António Charrua: Artista plástico português - «A sua pintura, num primeiro período, caracterizou-se por uma busca estrutural da figura, de eixos verticais muito marcados. Mais tarde, estes eixos serviram de apoio estrutural no processo de abstracionismo ao qual se dedicou a partir dos finais dos anos cinquenta. Mas, ao longo da seguinte década, […] explorou as possibilidades expressionistas do informalismo, contrastando listas de cores puras com zonas castanhas ou cinzentas. O passo seguinte foi a introdução de colagens e objetos combinados com pintura.» IMAG.212-575

22AGO1908-2004 - Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo francês - «Para mim, a fotografia é um reconhecimento simultâneo, numa fracção de segundo, do significado do acontecimento, bem como da precisa organização das formas que dá ao acontecimento a sua exacta expressão». IMAG.5-477-522-525

BREVIÁRiO

Livros do Brasil edita Rumo ao Mar Branco de Malcolm Lowry (1909-1957); tradução e prefácio de Daniel Jonas. IMAG.187-209-236

INCM/Imprensa Nacional - Casa da Moeda edita Poesia Completa de Mário Dionísio (1916-1993). IMAG.89-243-443-530-553-571-618

Dom Quixote edita O Fim da Aventura de Graham Greene (1904-1991); tradução e prefácio de Jorge de Sena (1919-1978). IMAG.10-160-180-387-388-485

Companhia das Ilhas edita Lugar de Massacre de José Martins Garcia (1941-2002).

Dom Quixote edita A Conspiração Cellamare de Nuno Júdice. IMAG.132-310-421-463-562-627

EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

BUÇO COM LEITE MANCHA O COLETE - 2

Pronto, tinham-se acabado os dias de receio e pavor sobre o Fim do Mundo, anunciados com a passagem do Cometa Peribelo.
Num desses instantes mais mirabolantes, alguns abandonaram os afazeres e dirigiram-se ao Barreiro, pelo desejo de tomarem o comboio, recolhendo a suas casas. Preferiam morrer junto das famílias.
Continua

terça-feira, julho 11, 2017

IMAGINÁRiO #670

José de Matos-Cruz | 08 Agosto 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004
PRONTUÁRiO

IMPRESSÕES
Manuel Luís Vieira
Em 1927, o Decreto nº 13564 foi o primeiro diploma legislado pela Ditadura Nacional para o cinema, determinando no artigo 136º: «Torna-se obrigatória, em todos os espectáculos cinematográficos, a exibição duma película de indústria portuguesa com um mínimo de 100 metros, que deverá ser mudada todas as semanas e, sempre que seja possível, apresentada alternadamente, de paisagem e de argumento e interpretação portuguesa». Era a Lei dos Cem Metros, cujo carácter proteccionista - auxiliar e desenvolver uma precária indústria fílmica, e tornar conhecido o país, através dum sistemático registo de imagens e respectiva projecção - teve reflexos sobretudo no Estado Novo, até quase finais dos anos ‘30. Beneficiaram profissionais como Manuel Luís Vieira ou Artur Costa de Macedo. Polémica em teoria, controversa na prática, foi pervertida sobretudo pelos distribuidores, que - salvo raras excepções - compravam película impressionada por improvisados cinegrafistas, a preços irrisórios, retalhando-a em fragmentos proporcionais, a metro, para servirem de complemento às longas metragens em cartaz; eram obras de fraca qualidade fotográfica, não-sonorizadas, tendo intertítulos com frequentes erros gramaticais. IMAG.39-76-78-89-126-150-161-219-436-638

CALENDÁRiO

31MAR-26MAI2017 - Em Lisboa, Galeria Millennium apresenta a exposição de fotografia A Pressão da Luz - Álvaro Siza Por Nuno Cera. IMAG.41-56-298-398-424-432-447-495-510-579-604-611-620-627-665

06ABR-25JUL2017 - Em Lisboa, Galeria Belo-Galsterer apresenta Peso - exposição de desenho de Alexandre Conefrey.

07ABR-15JUL2017 - Em Lisboa, Espaço Chiado 8 expõe Obras Na Colecção António Cachola de José Pedro Croft, sendo curador Delfim Sardo. IMAG.427-539-641

08ABR-31MAI2017 - Em Cascais, Casa Sommer expõe Ténis Em Cascais - Da Primeira Partida à Internacionalização.

1925-10ABR2017 - Maria Helena da Rocha Pereira: Filóloga e professora, especialista em estudos clássicos, primeira mulher portuguesa doutorada pela Universidade de Coimbra - «Sem a Grécia, não somos nada». IMAG.352

11ABR-18JUN2017 - Em Lisboa, Garagem Sul do Centro Cultural de Belém expõe Victor Palla [1922-2006] e [Joaquim] Bento d’Almeida [1918-1997] - Arquitectura de Outro Tempo, sendo curadores Patrícia Bento d’Almeida e João Palla Martins. IMAG.92-226-358-560

12ABR-14MAI2017 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Simplicity Isn’t Simple de Sandra Baía. IMAG.533

1948-13ABR2017 - Mário Manuel da Silva Contumélias, aliás Mário Contumélias: Escritor português, jornalista e professor, autor de O Ofício das Coisas (1986) - «Os média em geral, e as televisões em particular, podem produzir a ilusão de que estamos informados, de que sabemos tudo sobre um assunto, acerca do qual, afinal, não sabemos realmente nada» (2007).

13ABR2017 - NOS Audiovisuais estreia Jacinta (2017) de Jorge Paixão da Costa; com Matilde Serrão e Pedro Lamares. IMAG.148-205-242

VISTORiA

Contigo aprendi coisas tão simples como
a forma de convívio com o meu cabelo ralo
e a diversa cor que há nos olhos das pessoas
Só tu me acompanhaste súbitos momentos
quando tudo ruía ao meu redor
e me sentia só e no cabo do mundo
Contigo fui cruel no dia a dia
mais que mulher tu és já a minha única viúva
Não posso dar-te mais do te dou
este molhado olhar de homem que morre
e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente
Ruy Belo

VISTORiA

Ao Leitor
Se é dever do homem probo não ocultar a ciência que possui, cumprindo-lhe até concorrer para que ela se torne de utilidade geral, esse dever impõe-se-lhe mais imperativamente quando vê pessoas devotadas ao estudo enredadas no erro por conduta de outrem. É o que se passa, porventura, com numerosos indivíduos, que, abalados com a autoridade de Orôncio Fineu, se persuadem de muitas coisas cuja falsidade adiante se verá nitidamente, graças à nossa esforçada diligência.
Pedro Nunes
- De Erratis Orontii Finaei (excerto, 1546)

Em Galafura
Os povoadores da beira Douro
conhecem o pó e as pedras.
E sabem que o Universo
concebe cerejais e parras.
Vivem como vermes magníficos,
iluminados por dias soalheiros,
obscurecidos pelas invernias.
Fiama Hasse Pais Brandão
- As Fábulas (2002)

MEMÓRiA

1933-08AGO1978 - Rui de Moura Belo, aliás Ruy Belo: Poeta e ensaísta português - «Tem o amor a arte de tornar eterno / aquele que por amor tem de morrer / e até de morrer jovem amiúde pois os deuses amam / aquele que perece em plena juventude / e assim se fixa petrifica e permanece». IMAG.190-332-408-490-603-627

1854-10AGO1928 - Leos Janácek: Compositor checo - «O mais genial compositor de óperas do Século XX (e não me esqueço nem de Puccini, Strauss ou Britten)» (Jorge Calado). IMAG.207-367-464-473-535

1942-10AGO2008 - Isaac Lee Hayes Jr, aliás Isaac Hayes: Cantor e compositor de música soul e funk, como Soul Man, distinguido em 1971 com o Oscar à Melhor Canção Original e com o Grammy pelo tema do filme Shaft. IMAG.209-266-383

1502-11AGO1578 - Pedro Nunes, aliás Petrus Nonius: Cientista português, matemático, cosmógrafo, professor da Universidade de Coimbra - «O bem, quanto mais comum e universal, tanto é mais excelente.» (Tratado da Esfera de Sacrobosco - 1537). IMAG.20-115-164-273-364

15AGO1938-2007 - Fiama Hasse Pais Brandão: Escritora portuguesa, poetisa e ficcionista, dramaturga, ensaísta e tradutora - «Seria o sinal do último cantor da casa, / o desconhecido urogalo, que apagaria / esta tristeza de nada desejar, aqui e agora, / entre estes cepos, esta terra revolta / e os mortos tão absolutos e esquecidos, / depois de tão eternamente vivos.» (Cenas Vivas). IMAG.72-98-131-191-254-361-595

GALERiA
Ténis Em Cascais
Não obstante o ténis ser já praticado em Carcavelos pela comunidade britânica que desde 1870 administrou o cabo submarino, a modalidade passaria também a constituir um dos desportos de eleição dos elegantes a banhos em Cascais, num período em que o concelho se transformou na capital do desporto em Portugal. Surgiram, então, os primeiros courts nas principais localidades do litoral, assim como os famosos Campeonatos Internacionais de Portugal, promovidos no Sporting Club de Cascais a partir de 1902. Já no Estoril, o ténis viria a revelar-se um importante aliado para a promoção da nova estação marítima, climatérica, termal e sportiva, projetada em 1914, de forma a dotar o concelho de uma oferta hoteleira de nível internacional. A partir de 1933, o Estoril Parque Tennis foi palco das mais importantes competições nacionais e internacionais, estando na génese do Clube de Ténis do Estoril, inaugurado em 1945, onde ainda hoje se faz história, por meio da promoção do Millenium Estoril Open. Entre as peças em exibição, provenientes das coleções de Norberto Santos, do Museu Nacional do Desporto, da Federação Portuguesa de Ténis, do Millenium Estoril Open e do Arquivo Histórico Municipal de Cascais, destacam-se algumas das raquetes que marcaram a história do ténis, o álbum de fotografias e recortes de imprensa do campeão Domingos d’Avillez e alguns dos mais importantes troféus da modalidade, como os dos Campeonatos Internacionais de Cascais.

BREVIÁRiO

Modo de Ler edita Cartas a Um Jovem Poeta de Rainer Maria Rilke (1875-1926); tradução de Vasco Graça Moura. IMAG.102-112-541-592-650

Guerra & Paz edita El-Rei Junot de Raul Brandão (1867-1930).IMAG.48-161-293-301-342-350-384-394-400-431-495-582-602-641-642-668

EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

BUÇO COM LEITE MANCHA O COLETE - 1

14 de Dezembro de 1882
Satúrio Fonseca mirou o corpo todo, e a seguir os companheiros da propriedade que o senhor Visconde do Bombarral possuía na Apostiça.
- Ainda cá estamos, graças a Deus! gritou-lhes, e fizeram coro.
Continua  

quinta-feira, junho 29, 2017

IMAGINÁRiO #669

José de Matos-Cruz | 01 Agosto 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

VERTIGENS

Em pleno Terceiro Milénio, o mundo da espionagem continuou dominado pelas organizações arcaicas do Século XX: a G.O.O.D. e a E.V.I.L. - que, ao longo dos anos, travaram entre si um confronto inexorável. Mas tal rotina épica, aparentemente sem vencedores nem vencidos, mudaria de figura - com a entrada em cena de Angela St. Grace, uma bela e brava agente secreta, que desafia os tradicionais opositores, com o seu peculiar estilo heróico… Sob chancela DC Comics, pela vertente Vertigo, eis Codename: Knockout (2001) - uma série em que o talento subversivo do escritor Robert Rodi (lembrar Four Horsemen) se alia com o estilo sensual do ilustrador Louis Small Jr (após Vampirella). Misteriosa, escultural, ambiciosa, com um peculiar desígnio ideológico, Angela St. Grace - apoiada pelo enérgico mas caprichoso Go-Go Fiasco - é perita em artes marciais tântricas, possui um sofisticado arsenal tecnológico, e arrasa ditadores, tiranos, agitadores, traficantes de escravos, ameaçando as próprias bases da E.V.I.L. e da G.O.O.D. Às estratégias do poder, entre o Leste e o Ocidente, Angela St. Grace contrapõe a aventura aerodinâmica… IMAG.74

CALENDÁRiO

26MAR-14MAI2017 - No Porto, Galeria Pedro Oliveira apresenta Eu Fotografo-te a Fotografá-lo a Fotografar-me - exposição de Patrícia Almeida, com David-Alexandre Guéniot.

31MAR-31JUL2017 - Alfândega do Porto apresenta a exposição interactiva
Leonardo Da Vinci [1452-1519] - As Invenções do Génio, sendo comissário Eduardo Souto de Moura. IMAG.16-26-189-225-365-366

1924-01ABR2017 - Fernando da Silva Campos, aliás Fernando Campos: Escritor português, autor de A Casa do Pó (1986) - «Quem conhecia o seu processo de criação diz que […] era exaustivo na investigação, sempre preocupado em não falhar os pormenores históricos que caracterizavam o cenário principal da sua obra» (João Céu e Silva).

1932-01ABR2017 - Evgueni Alexandrovich Ievtuchenko, aliás Evgueni Ievtuchenko: Poeta russo, autor de Babi Yar (1961) - «Para mim, ser eu próprio não é suficiente».

05ABR-18JUN2017 - Em Lisboa, Museu do Oriente apresenta a exposição colectiva O Olhar da Sibila - Corporalidade e Transfiguração, sendo curador João Silvério.

06ABR2017 - Midas Filmes estreia Paula Rego - Histórias & Segredos / Secrets and Stories (2017) de Nick Willing.  
IMAG.11-13-31-199-205-258-269-325-342-351-357-364-370-399-416-464-486-489-515-545-596-597-620-621-629-651-659

07ABR-11MAI2017 - Em Lisboa, Apaixonarte - Design Português apresenta Like the Old Days - exposição de pintura de Bárbara Gil.

07ABR-17SET2017 - Em Cascais, Fundação D. Luís I apresenta, na Casa das Histórias Paula Rego, Paula Rego: Histórias & Segredos - exposição de artes plásticas de Paula Rego e Victor Willing (1928-1988), sendo curadores Nick Willing e Catarina Alfaro.

VISTORiA

Poema do Começo

Eu num camelo a atravessar o deserto
com um ombro franjado de túmulos numa mão muito aberta

Eu num barco a remos a atravessar a janela
da pirâmide com um copo esguio e azul coberto de escamas

Eu na praia e um vento de agulhas
com um Cavalo-Triângulo enterrado na areia

Eu na noite com um objecto estranho na algibeira
– trago-te Brilhante-Estrela-Sem-Destino coberta de musgo
António Maria Lisboa

COMENTÁRiO

Andy Warhol - Um dos Nomes Maiores da
Pop Art

Nome maior da pop art, Andy Warhol ficou mesmo conhecido como o Príncipe Pop. Nascido Andrej Varhola Jr, a 6 de Agosto de 1928, em Pittsburgh, na Pensilvânia, é um dos quatro filhos de um casal de emigrantes eslovacos. Morreu a 22 de Fevereiro de 1987 e, nas várias décadas que se seguiram, transformou-se numa lenda.
Andy Warhol formou-se em 1949, no Carnegie Institute of Technology, em Pittsburgh, tendo trabalhado em Nova Iorque em revistas como a Vogue. Rapidamente se transformou num dos mais solicitados criadores da cidade que nunca dorme. O artista plástico teve uma complicação de escarlatina, que causa manchas na pigmentação da pele. Tornou-se hipocondríaco. Sofreu uma tentativa de assassinato no seu estúdio, The Factory, em 1968.
Famoso pelas latas Campbell’s ou serigrafias de Marilyn Monroe e Mao Tsé-Tung, Warhol foi também um pioneiro na criação de arte através dos computadores. A sua colecção permanente está no Andy Warhol Museum, em Pittsburgh.
26ABR2014 - Diário de Notícias
MEMÓRiA

01AGO1928-1953 - António Maria Lisboa: Poeta português - «Dizem que é no Outono ao cair da folha – eu espero o Outono: que mundo de revelações!!!» (a Mário Cesariny). IMAG.442

06AGO1928-1987 - Andrej Varhola Jr, aliás Andy Warhol: Pintor, cineasta e empresário americano, de origem checa, símbolo da pop art - «Tenho uma interpretação muito livre do trabalho, porque penso que estar vivo custa tanto, que não valia a pena fazer mais nada». IMAG.64-119-128-173-189-319-520-599

PARLATÓRiO

Warhol
Uma das pessoas mais aborrecidas que já conheci, pois era do tipo dos que não têm nada a dizer. A sua obra também não me toca. Ele até produziu coisas relevantes no começo dos anos ‘60. Mas, no geral, não tenho dúvidas de que é a reputação mais ridiculamente superestimada do Século XX.
Robert Hughes

VISTORiA

Gostaria…

Gostaria
de nascer em todos os países,
de ter um passaporte
para todos
e que provoque o pânico
nas chancelarias;
de ser cada peixe
em todos os oceanos
e cada cão
nas ruas deste mundo.
Evgueni Ievtuchenko
(excerto)

GALERiA

Leonardo Da Vinci - As Invenções do Génio


Um percurso sobre a vida e obra de um dos maiores génios da inovação, da criatividade, da ciência e da tecnologia de todos os tempos, desenvolvida por áreas temáticas diferenciadas como o Renascimento, as Máquinas de Voo, a Pintura, os Estudos da Hidráulica, da Engenharia Militar e do Urbanismo, entre outras.
Estão patentes 64 réplicas de máquinas e engenhos, bem como representações de obras, desenhos e outros protótipos visionários inventados por Leonardo da Vinci e que hoje nos parecem vulgares, como o helicóptero, o tanque de guerra ou o paraquedas.

BREVIÁRiO

Antígona edita Maçãs Silvestres & Cores de Outono de Henry David Thoreau (1817-1862); tradução de Luís Leitão. IMAG.369-618

Dom Quixote edita Narciso e Goldmund de Hermann Hesse (1877-1962); tradução de João Bouza da Costa. IMAG.137-349-382-617

Pim! edita Contos Completos 1 de Beatrix Potter (1866-1943); tradução de Eugénia Antunes e Paulo Rêgo. IMAG.92

Quetzal edita Cinco Esquinas de Mario Vargas Llosa; tradução de Cristina Rodríguez e Artur Guerra. IMAG.229-245-297-327-342-348-395-462-629

Guimarães edita Os Grão-Capitães de Jorge de Sena (1919-1978). IMAG.60-67-87-112-181-202-249-264-268-305-313-329-332-358-392-486-489-495-502-588-599-661

Tinta da China edita O Crepúsculo Em Itália de D.H. Lawrence (1885-1930); tradução Paulo Faria. IMAG.50-58-280-401-530-593-656

Alfaguara edita O Capitão Saiu Para Almoçar e os Marinheiros Tomaram o Navio de Charles Bukowski (1920-1994); tradução de Hugo Van Der Ding. IMAG.287-350-457-526




EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

MAL TORNA AO CRIADOR QUEM, SUJEITO, SE REFAZ - 14

Contos de loucura, cantos de lucidez. Era uma altura em que ainda havia uma relação mais próxima, entre humanos e animais. Os homens alteravam-se em bestas míticas. Os bichos convertiam-se em fabulosos heróis.
Continua

segunda-feira, junho 26, 2017

IMAGINÁRiO #668

José de Matos-Cruz | 24 Julho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

RIVALIDADES
Natural de França, onde trabalhava para a Gaumont, Maurice Mariaud (1875-1958) chegou a Portugal em 1922, contratado por Caldevilla Film, para a qual dirigiu Os Faroleiros, um «drama-documentário» de que também foi argumentista e intérprete. Tudo incide sobre triângulo amoroso, numa aldeia de pescadores, culminando em farol isolado do litoral - ambiente restrito que, tendo o mar limítrofe, precipita um termo fatídico, para o entrechocar de conflitos e paixões. O vislumbre do produtor, Raul de Caldevilla, está patente no respectivo folheto promocional: «O cinematógrafo moderno tem-se distanciado muito, nos temas escolhidos e nos fracassos, da técnica de há vinte anos. Já hoje dificilmente se suportam - e vão sendo postos de parte no estrangeiro - esses longos filmes em séries de enredo complicado e por vezes falhos de verosimilhança. O público de hoje, talvez por motivo da vida intensa que leva e lhe proporciona certos lazeres, escolhe de preferência películas de não muito longa metragem». A rodagem teve lugar na Caparica e no farol do Bugio, destacando-se no elenco Maria Sampaio, Abegaída de Almeida e A. Castro Neves - que, em 1931, convidou Mariaud a regressar ao nosso país, onde realizou Nua, para Tágide Film. IMAG.9-76-172-199-382

CALENDÁRiO

11MAR-15ABR2017 - No Porto, Mira Fórum apresenta Americanos - exposição de fotografia de Christopher Morris (EUA), sendo comissário Luís de Vasconcelos.

25MAR-30SET2017 - No Porto, Biblioteca Pública Municipal expõe Raul Brandão: 150 Anos [1867-1930] - Biografia e Obra Literária, sendo comissário Vasco Rosa. IMAG.48-161-293-301-342-350-384-394-400-431-495-582-602-641-642

30MAR2017 - Big Picture Films estreia 100 Metros (2016) de Marcel Barrena; com Dani Rovira e Maria de Medeiros.
30MAR-21MAI2017 - Em Lisboa, Atelier-Museu Júlio Pomar apresenta Estranhos Dias Recentes de Um Tempo Menos Feliz - exposição colectiva e multidisciplinar, sendo curador Hugo Dinis.

31MAR-18JUN2017 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Sensações - exposição de pintura e gravura de Miguel Angel Bedate (Espanha).

06ABR-09JUL2017 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe De Rubens a Van Dyck - Pintura Flamenga da Coleção Gerstenmaier. IMAG.176-226-267-272-530-573

26MAI-11JUN2017 - Em Beja, decorre o XIII Festival Internacional de Banda Desenhada, sendo director Paulo Monteiro. IMAG.36-250-305-416-514-568-616

COMENTÁRiO

No Grupo de Família - 1948/49, com os braços entrelaçados, uma mãe e um pai seguram o seu filho. Sentados num simples banco, estas figuras aparentam estar desgastadas - as suas feições parcialmente apagadas pelos efeitos das forças da natureza durante um longo período de tempo. Ao vesti-los com trajes clássicos, que fazem lembrar as estátuas gregas e romanas, [Henry] Moore dá às figuras uma qualidade eterna. A família é a unidade mais básica da sociedade, e é um tema tradicional que tem sido pintado e esculpido desde os tempos medievais, sob a forma de Sagrada Família. Antes desta obra, os temas de Moore eram exclusivamente mulheres sentadas e reclinadas. O Grupo de Família deu-lhe a oportunidade de representar uma figura masculina pela primeira vez. Esta escultura monumental, que se encontra no jardim de Moore, data de um período em que ele se afastou das experiências extremas sobre abstracção, que caracterizava as suas obras dos anos 30, para dar expressão à necessidade de uma nova arte humanista destinada à devastada Grã-Bretanha do pós-guerra.

VISTORiA

O Perfume

O que sou eu? – O Perfume,
Dizem os homens. – Serei.
Mas o que sou nem eu sei…
Sou uma sombra de lume!

Rasgo a aragem como um gume
De espada: Subi. Voei.
Onde passava, deixei
A essência que me resume.

Liberdade, eu me cativo:
Numa renda, um nada, eu vivo
Vida de Sonho e Verdade!

Passam os dias, e em vão!
Eu sou a Recordação;
Sou mais, ainda: a Saudade.
António Correia de Oliveira

INVENTÁRiO

STANLEY KUBRICK

Criador obsessivo, minucioso, paranóico e genial, Stanley Kubrick conquistou no cinema um domínio incomparável - como personalidade prestigiada, ou pelo fascínio do espectáculo. Tudo se consolidaria a partir de 1968, quando 2001 - Odisseia No Espaço maravilhou o mundo, reflectindo as potencialidades do imaginário à dimensão de uma identidade cósmica. Aliás, o seu génio revolucionário exacerbou-se nas incidências temática e estética - de tal modo que todas as alternativas e sucessos, entretanto explorados, passariam inevitavelmente pela sua referência essencial.


Eis o que define um cineasta vanguardista - embora, nas décadas de ’70 e ‘80, apenas realizasse quatro obras-primas: A Laranja Mecânica (1971), Barry Lindon (1974), Shining (1980) e Nascido Para Matar (1987). Falecido em Março de 1999, sem contemplar um novo milénio, Kubrick legou-nos - incompleto, ansiado - De Olhos Bem Fechados (1999), cuja produção desenvolvia desde 1996. A rodagem útil demorou mais de quinze meses, alguns planos foram feitos umas setenta vezes. Até ficarem perfeitos. Em total secretismo, a própria Warner Bros ignorava o material em progressão.
Tirânico, Kubrick impôs a Tom Cruise as suas regras inabaláveis. Insatisfeito com a prestação de Jennifer Jason Leigh, baniu-a e repetiu com outra actriz. Mas era lendária a sua obsessão maníaca de tudo controlar, até ao mínimo pormenor. Mesmo as primeiras fitas - que suscitam uma revisão apaixonada, como clássicos primordiais - eram relançadas com excepcionais precauções pessoais. Nova-iorquino nascido em 1928, e longos anos residente numa Grã Bretanha remota, ou isolado em Londres, Kubrick ficará intimamente ligado à sensibilidade artística, crítica e cultural da Europa.
Apaixonado pelo xadrez e pela fotografia, Kubrick começou na revista Look em 1945. Revelado em curtas metragens, Day of the Fight (1949) e Flying Padre (1951), ficou insatisfeito com a longa Fear and Desire (1953), retirada do mercado. Após Killer’s Kiss (1955) em Nova Iorque, veio até nós com Um Roubo No Hipódromo (1956), consagrando-se em Horizontes de Glória (1958). O épico Spartacus (1960), a sensual Lolita (1962) ou Dr. Estranho Amor na psicose da guerra-fria, culminam os primórdios de uma carreira excepcional.

MEMÓRiA

26JUL1928-1999 - Stanley Kubrick: Fotógrafo e cineasta americano, argumentista, realizador e produtor - «A tela é um meio mágico. Tem o poder de manter o interesse, pois projecta emoções e estados de alma que nenhuma outra forma de expressão artística logra transmitir». 
IMAG.7-37-83-112-145-155-158-188-204-216-264-332-443-480-492-543-576-635

30JUL1878-1960 - António Correia de Oliveira: Poeta português - «…Exibe um saudosismo nacionalista, de raiz popular e distante da metafísica de Pascoaes, cultivando temas patrióticos impregnados de doutrina católica» (Centro Virtual Camões).

30JUL1898-1986 - Henry Spencer Moore, aliás Henry Moore: Escultor e ilustrador britânico - «Depois do rosto, as mãos são a parte do corpo que, mais obviamente, expressa a emoção». IMAG-576

1815-30JUL1898 - Otto von Bismarck: Nobre, diplomata e político prussiano - «Nunca se mente tanto como em véspera de eleições, durante a guerra e depois da caça». IMAG.509

BREVIÁRiO

Alfaguara edita
Extensão do Domínio da Luta de Michel Houellebecq; tradução de Rita Carvalho e Guerra.

Livros do Brasil edita Verão Perigoso de Ernest Hemingway (1899-1961); tradução de Eduardo Saló. IMAG.76-180-235-329-377-474-477-599-608-655

Livros de Bordo edita Cartas do Tibete de António de Andrade (1581-1634). IMAG.126-264-357-479

Dom Quixote edita Mil Grous de Yasunari Kawabata (1899-1972); tradução de Mário Dias Correia. IMAG.285-366

Clube do Autor edita Noites Brancas de Fiodor Dostoievski / Fiódor Dostoiévski (1821-1881); tradução de Maria João Lourenço. 
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Quetzal edita O Meças de J. Rentes de Carvalho. IMAG.613