domingo, maio 31, 2015

IMAGINÁRiO #558

José de Matos-Cruz | 01 Abril 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

PROJECÇÕES
Alargando o território da aventura a todo o mundo, a banda desenhada europeia amplia também as expectativas de entretenimento, para suscitar um apelo que escapa à realidade e às vivências do quotidiano, entre os desafios de uma história nostálgica ou de um futuro virtual. Assim propôs a saga de Woker, revelada em 1997. Cumprindo à risca a propensão heróica para os leitores dos sete aos setenta e sete anos, e com bem-humorada cumplicidade artística, de homenagem a André Franquin, os autores Achdé/Hervé Darmenton & Roger Widenlocher estilizaram uma caricatura da nossa civilização sofisticada, mas decadente, com um fascínio exótico, exorbitante, pela mais primitiva e libertária exploração galáctica. Nos misteriosos desafios da Cultura Pazteca, os fanáticos dos quadradinhos, que são também potenciais cinéfilos, referenciarão outros imaginários alternativos, do virar da esquina até ao nível planetário… Projectando o destino profético que inspira Woker, em busca dos progenitores! IMAG.249-350-402-448

CALENDÁRiO

26FEV2015 - Em Cascais, a Câmara Municipal apresenta, em articulação com a Fundação D. Luís I, o Bairro dos Museus - integrando o Centro Cultural de Cascais, a Casa das Histórias Paula Rego, o Museu Condes de Castro Guimarães, a Casa Duarte Pinto Coelho, a Casa de Santa Maria, o Farol-Museu de Santa Marta, o Museu do Mar Rei D. Carlos, a Fortaleza Nossa Senhora da Luz, o Forte São Jorge de Oitavos, o Museu da Música Portuguesa/Casa Verdades de Faria, o Espaço Memória dos Exílios, a Casa Reynaldo dos Santos e Irene Vilhote Quilhó dos Santos, o Parque Marechal Carmona e o Parque Palmela, estando previstas novas infraestruturas e valências culturais como o Museu do Cartoon, o Museu do Automóvel Clássico ou a Sinfónica de Cascais.

¢28FEV-25OUT2015 - Em Vila Franca de Xira, Núcleo Sede do Museu Municipal expõe A Arte No Concelho de Vila Franca de Xira - Grandes Obras, sendo curadores Vítor Serrão e José Meco.

¨1950-01MAR2015 - Amadeu Ferreira: Advogado e escritor português, especialista e tradutor para mirandês, também autor como Fracisco / Francisco Niebro - «Hei de poner ua oulibeira nel huorto de casa i pedirle al mundo que nun le faga mal…» (Ars Vivendi / Ars Moriendi - 2012). IMAG.58-185-252-263-267-504-514
                         
05MAR-19ABR2015 - Em Lisboa, Museu Berardo expõe The Clock - instalação de Christian Marclay, incluindo milhares de clips de filmes sobre a passagem do tempo, em montagem com a duração de 24 horas.

¢07MAR-30ABR2015 - Em Santo Tirso, Fábrica de Santo Thyrso expõe Esculturas e Desenhos - 1963-2015 de Alberto Carneiro. IMAG.21-241-299-467-553

¢13MAR-19ABR2015 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Ancorados - exposição de pintura de Nélio Saltão.

¢14MAR-02MAI2015 - Na Amadora, Casa Roque Gameiro expõe Ilustrações de Alfredo Roque Gameiro, Manuel de Macedo e Alfredo Morais publicadas na História de Portugal Popular e Ilustrada de Manuel Pinheiro Chagas. IMAG.30-32-59-91-197-258-312-332-357-394-510-554

ANTIQUÁRiO
08ABR1516 - El-Rei D. Manuel I arma cavaleiros três nobres polacos que, para o efeito, viajaram expressamente até Lisboa. O acto celebra-se na Igreja de São Julião, e assiste toda a nobreza da Corte. O fidalgo que calça as esporas aos cavaleiros é D. Nuno Manuel, guarda-mor do monarca e almoracel-mor.IMAG.44-48-55-92-97-174-284-458-496

®13ABR1846 - Em Lisboa, no dia do vigésimo sétimo aniversário da rainha, é inaugurado o Theatro Nacional de D. Maria II, sob orientação de Almeida Garrett, e tendo como objectivo «a civilização e aperfeiçoamento moral da nação portuguesa».IMAG.14-20-108-165-194-291-292-304-328-338-339-427-428-464-534-535-538

OBSERVATÓRiO

T. Gutiérrez Alea
¸ A trajectória cinematográfica de Gutiérrez Alea começa no final dos anos 1940, quando colabora nos documentários políticos de Nestor Almendros. Com o triunfo da Revolução e a criação do ICAIC (Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográficas), convida Alea para realizar a primeira longa-metragem de ficção do novo regime, Histórias da Revolução (1959), que traz relatos da tomada do poder pelos revolucionários, mas se distancia habilmente de um filme-propaganda ao incluir conflitos morais na trama.
Em suas obras seguintes, essa percepção diferenciada aliar-se-ia a um enorme talento satírico, como na comédia Morte de Um Burocrata (1966), filme que critica a burocracia e seus personagens enferrujados.
Francisco Cesar Filho

PARLATÓRiO
¨Notícia é o que alguém, que não se preocupa com nada, gosta de ler. E só é notícia, até que ele a lê. Pouco depois, acabará por morrer. 
Evelyn Waugh

MEMÓRiA

09ABR1916-2011 - Elliot Handler: Co-criador de Barbie, co-fundador da companhia Mattel (1945) - «Ele inspirou não só os seus funcionários, como gerações de crianças em todo o mundo. Os trinta mil empregados da Mattel querem perpetuar a sua herança e, para futuro, o seu amor pelos brinquedos» (2011 - Comunicado). IMAG. 111-251-366

¨ 1903-10ABR1966 - Arthur Evelyn St. John Waugh, alias Evelyn Waugh: Escritor britânico, autor de As Desventuras do Senhor Pinfold - «Creio que a amizade entre um homem e um cão não seria tão duradoura, se a carne do cão fosse comestível». IMAG.180-395-396-440-457

¯11ABR1916-1983 - Alberto Evaristo Ginastera, aliás Alberto Ginastera: Compositor argentino, autor de Quarteto de Cordas Nº 1 (1948) - «Detecta aspectos cruciais de uma identidade regional através de descomprometidas bissectrizes - entre melopeias do folclore andino, despicadas toadas dos violeiros das pampas, formas crioulas urbanas - que, por sua vez, se colocam ao serviço de uma vívida compreensão do modernismo global» (João Santos). IMAG.499
¨ 13ABR1906-1989 - Samuel Beckett: Ficcionista e dramaturgo irlandês - «Escrevo sobre mim com a mesma caneta e no mesmo bloco de apontamentos em que escrevo sobre o outro. Já não se trata de mim, mas de alguém cuja vida está começar». IMAG. 78-100-256-339

¨ 1884-13ABR1966 - Georges Duhamel: Escritor francês - «O homem é incapaz de viver sozinho, e é também incapaz de viver em sociedade». IMAG.112-472-484

¨ 14ABR1926-2004 - Luis Felipe Angell de Lama, aliás Sofocieto: Escritor e humorista peruano - «O melhor amigo do homem é um outro cão». IMAG.459

¨ 1908-14ABR1986 - Simone de Beauvoir: Escritora e feminista francesa, filósofa existencialista - «Todos os mitos criados pelo homem, por muito aliciantes que pareçam, estão de facto a ele subordinados e, por isso, destruí-los faz sempre parte do seu poder». IMAG.78-183-217

¨ 1910-15ABR1986 - Jean Genet: Ficcionista, poeta e dramaturgo francês - «É preciso que tu sejas um ladrão modelo, para eu me tornar um polícia modelo. Se fores um falso ladrão, tornar-me-ei um falso polícia» (Journal du Voleur - 1949). IMAG.78-139-303-342-546


®1907-15ABR1996 - Beatriz Costa: Actriz portuguesa de teatro e cinema, memorialista - «Vim do povo e, artisticamente, ao doce contacto dele tenho vivido. Se de todas as classes me afluíram estímulos e aplausos, os daquela de que sou filha são os que mais me consolam, fortificam e envaidecem». IMAG.76-78-223-511-534

¸ 1928-16ABR1996 - Tomás Gutiérrez Alea: Cineasta cubano - «O cinema proporciona um elemento activo e de mobilização, que estimula a participação no processo revolucionário. Então, não basta ter um cinema moralizante, baseado na arenga e na exortação. Precisamos de um cinema que promova e desenvolva uma atitude crítica. Mas, como criticar e, ao mesmo tempo, consolidar a realidade na qual nos submergem?». IMAG.249


BREVIÁRiO

¨Âncora edita O Fio das Lembranças - Biografia de Amadeu Ferreira de Teresa Martins Marques.

¨Âncora edita Belheç / Velhice de Fracisco / Francisco Niebro, aliás Amadeu Ferreira.

¯Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, Giuseppe Verdi (1813-1901): Giovanna D’Arco por Anna Netrebko, Francesco Meli e Plácido Domingo, com Műnchner Rundfunkorchester, sob a direcção de Paolo Carignani. IMAG.72-89-156-188-203-308-314-318-328-420-438-440-464-483-496-497-500-522-526

¨Marcador edita Rosa Cândida de Ava Ólafsdóttir; tradução de João Tordo.


segunda-feira, maio 18, 2015

IMAGINÁRiO #557

José de Matos-Cruz | 24 Março 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

INFINITOS
Comemorando meio século em 2017, a saga Valérian, Agente Espácio-Temporal / Valérian, Agent Spatio-Temporel (ou Valérian et Laureline, desde 2007) - por Pierre Christin (argumento) & Jean-Claude Mézières (ilustração) – prestigiou-se como um dos mais celebrados títulos da banda desenhada franco-belga, expoente nos domínios infinitos do fantástico. Épico que subverteria os códigos da ficção científica, sagrando um imaginário prodigioso e efabulativo, bizarro e futurista. Assim, Christin & Mézières transcendem a exploração em quadradinhos, ao desvendar o ano de 2720 - para além da aventura fértil, luxuriante, entre perigos e deslumbramento, com ironia ou sortilégio, estabelecendo um mítico roteiro de fascínio e heroísmo. Pelo versátil talento de Christin, uma das mais fecundas alianças artísticas consuma e expande - através de Valérian - o grafismo sóbrio, mas vigoroso de Mézières. Entre a inspiração e o prazer da leitura, eis a revisão que nos confidenciou Christin: «Valérian era militarista, antes de se converter num desempregado de luxo - ao serviço de Galaxity, a comunidade responsável pelo destino dos planetas. Com a fiel Laureline, tornou-se menos rígido, mais experiente e propenso a ousadias…» IMAG.1



CALENDÁRiO

¸26FEV2015 - Midas Filmes estreia Yvone Kane de Margarida Cardoso; com Beatriz Batarda e Gonçalo Waddington. IMAG.16

¢05-20MAR2015 - Em Lisboa, Espaço Cultural das Mercês apresenta Regresso a Bomarzo - exposição de pintura de Barahona Possollo.

¸07MAR-19ABR2015 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Vasco Granja e o Cinema de Animação - exposição organizada sobre o espólio pela Família, com evocação das suas vivências e memórias, sendo curador José de Matos-Cruz. IMAG.250-384-385-522

MEMÓRiA

¨1911-01ABR1966 - Brian O'Nolan, aliás Flann O’Brien: Escritor irlandês - «O romance moderno deveria ser, em grande parte, uma obra de referência, com as personagens permutáveis entre livros». IMAG.496

®1948-01ABR1996 - António Mário Lopes Pereira Viegas, aliás Mário Viegas: Actor e declamador português, fundador do Grupo 4 e do Novo Grupo - «Era um poeta, um homem que dizia poesia de uma forma admirável. Era um grande actor e encenador e teve sempre uma liberdade de espírito e um poder criativo extraordinário…» (Jorge Sampaio - 1996). IMAG.34-77-196-362-50

02ABR1926-2014 - John Arthur Brabham, aliás Jack Brabham: Corredor de automóveis australiano, piloto de Fórmula 1, Campeão do Mundo em 1959, 1960 e 1966, proprietário da escuderia Brabham (1962) - «No total, fechou a carreira com 14 vitórias e 13 pole positions, em 126 grandes prémios disputados» (Diário de Notícias). IMAG.516

¨04ABR1846-1870 - Isidore Lucien Ducasse, aliás Conde de Lautréamont: Poeta uruguaio, residente em França - «Eu vi, durante toda a minha vida, sem exceptuar um só, os homens de ombros estreitos praticarem actos estúpidos e numerosos, embrutecerem os seus semelhantes, enfiarem o dinheiro dos outros no bolso, e perverterem as almas por todos os meios» (Os Cantos de Maldoror). IMAG.300


VISTORiA

Insónia
¨Feliz aquele que dorme pacificamente num leito de penas, arrancadas ao peito do ganso, sem notar que se trai a si mesmo. Há já mais de trinta anos que não durmo. Desde o dia indizível em que nasci, votei às tábuas do sono irreconciliável ódio. Eu o quis; não acusem ninguém. Despojem-se depressa da suspeita abortada. Vedes na minha fronte essa pálida coroa? Foi a tenacidade que a entrançou com seus dedos magros. Enquanto nos meus ossos correr um resto de seiva ardente, como torrente de metal fundido, não dormirei nunca. Todas as noites, forço os olhos lívidos a fitarem as estrelas através dos vidros da minha janela. Para ficar mais seguro de mim, coloco uma lasca de madeira a separar-me as pálpebras inchadas. A aurora, quando surge, encontra-me na mesma posição, com o corpo verticalmente apoiado, de pé, encostado ao gesso da fria parede. No entanto, acontece-me às vezes sonhar, mas sem que por um só instante perca a vivaz sensação da minha personalidade e a livre faculdade de me mexer: sabei que o pesadelo que se oculta nas esquinas fosfóricas da sombra, a febre que me tacteia a face com o coto do braço, cada um dos animais impuros que erguem suas garras sangrentas, sim, é a minha vontade que, para alimentar estavelmente a sua perpétua actividade, os faz andar à minha volta. Na verdade, átomo que se vinga na sua extrema fraqueza, o livre arbítrio não teme afirmar com poderosa autoridade que não conta o embrutecimento no número dos seus filhos: aquele que dorme é menos que um animal castrado de véspera. Embora a insónia arraste para as profundezas da cova estes músculos que exalam já um odor a cipreste, nunca a branca catacumba da minha inteligência abrirá seus santuários aos olhos do Criador. Uma secreta e nobre justiça, para cujos braços estendidos me lanço por instinto, manda-me que persiga sem tréguas esse ignóbil castigo. Temível inimigo da minha alma imprudente, à hora em que se acende uma lanterna na costa não deixo que os meus rins infortunados se deitem sobre o orvalho das relvas. Vencedor, rejeito os embustes da hipócrita dormideira. Por consequência, é coisa certa que o meu coração, por essa luta estranha, ergueu muros aos seus desígnios, como um esfomeado que se come a si mesmo. Impenetrável como os gigantes, eu vivi sempre com a largura dos olhos bem aberta. Pelo menos, está provado que, durante o dia, todos podem opor útil resistência ao Grande Objecto Exterior (quem não sabe o nome dele?); porque, então, a vontade vela pela sua própria defesa com notável afinco. Mas logo que o véu dos vapores nocturnos se estende, até sobre os condenados que vão ser enforcados – oh, então é ver o intelecto nas mãos sacrílegas de um estrangeiro. Um escalpelo implacável esquadrinha os seus densos silvedos. A consciência exala um longo estertor de maldição, pois o véu do seu pudor sofre cruéis rasgões. Humilhação! a nossa porta está aberta à curiosidade feroz do Celeste Bandido. Eu não mereci este suplício infame, ó horrendo espião da minha causalidade! Se existo, é porque não sou outro. Não admito em mim esta equívoca pluralidade. Quero morar sozinho no meu íntimo raciocinar. A autonomia… ou então transformem-me em hipopótamo. 
Conde de Lautréamont
- Os Cantos de Maldoror (1868 - excerto)
- Tradução de Pedro Tamen
ANTIQUÁRiO

¸06ABR1956 - Nasce o Cine-Clube de Faro, através de uma primeira sessão no Cinema Santo António.

COMENTÁRiO

¨Um grau de conhecimento ao alvorecer é um pequeno-almoço para a mente. O verdadeiro conhecimento não tem utilidade prática ou valor abstracto…
Deus à raiz de menos um. Ele é uma profundidade demasiado imensa para poder ser abrangido pelo cérebro humano… Menos Um, Zero e Mais Um são os três enigmas insolúveis da Criação.
Flann O’Brien
- Uma Caneca de Tinta Irlandesa (1939 - excertos)
GALERiA

VASCO GRANJA E O CINEMA DE ANIMAÇÃO
Ao perspectivar esta exposição, propôs-se à Família considerar uma abordagem de cariz pessoal, organizada a partir do espólio de Vasco Granja (1925-2009) sobre cinema de animação, com referências inevitáveis à banda desenhada. Aliando um testemunho contextualizado pelas suas vivências e memórias, patentes ou alusivas aos documentos e materiais conservados no afecto dos seus herdeiros.
Não se trata, pois, de uma mostra acentuada apenas pelo cunho artístico ou lúdico, mas sobretudo manifesta nos sinais e emoções de quem privou intimamente com Vasco Granja, e usufruiu das suas paixões e experiências significativas. As quais sagraram uma intervenção ampla e pioneira na divulgação em Portugal dos quadradinhos e da animação, com uma autêntica motivação e sensibilidade.
O estilo peculiar de Vasco Granja, o seu entusiasmo e a sua generosidade, pairam por este universo fascinante, diverso e prodigioso, em que o pleno privilégio do imaginário corresponde, afinal, à própria evolução que – através das suas diversas tendências e expectativas, concretizações e manifestações, por todo o mundo – marcou um vasto e decisivo panorama cultural e de entretenimento, a partir de meados do Século XX.
@José de Matos-Cruz
          
BREVIÁRiO

¯VGM edita em DVD, sob chancela Alpha, Venus & Adonis de John Blow (1649-1708), por Céline Sheen, Marc Mauillon e Grégoire Augustin, com Les Musiciens du Paradis, sob a direcção de Bertrand Cuiller. 

domingo, maio 10, 2015

IMAGINÁRiO #556


PRONTUÁRiO
 
VIVÊNCIAS
Ao longo de décadas, sob o signo da escola franco-belga, tem-se revelado em quadradinhos, a nível europeu, uma múltipla e versátil gama de criadores, em que se conjugam várias nacionalidades. A partir de 1979, em Paris, assinalou-se mais uma aliciante experiência, graças ao artista congolês Curd Ridel - que, em 1997, atingiria um expressivo sucesso com Ângela & René/Angèle & René, cujo primeiro álbum foi então distinguido no Festival de Banda Desenhada de Audincourt, ao receber o Prémio Cosinus Jeune Public. Em causa, as aventuras de Ângela, uma menina como todas as outras… até que adopta, como mascote, o porquinho René! As peripécias e os contrastes que ambos partilham, constituem uma vivência irresistível, logo para o público infantil. E os mais velhos facilmente detectarão outras implicações significativas, sobre as diversidades e os valores humanos. Autor de vários livros, ilustrador publicitário, Ridel testemunha, afinal, uma fluência narrativa e um talento gráfico sublimados pela perspectiva crítica e universalista.
                                                     

CALENDÁRiO

01FEV-24MAI2015 - Em Lisboa, Museu da Cidade apresenta, no Palácio Pimenta, Varinas de Lisboa, Memórias da Cidade - exposição de gravuras, pinturas, postais, fotografias, esculturas, vídeos, literatura e recortes de jornais, sendo comissária Sofia Tempero.

11FEV-24MAI2015 - Em Lisboa, Museu Colecão Berardo expõe Palmeiras Bravas / The Current Situation de Pedro Barateiro, incluindo peças inéditas (esculturas, fotografias, instalações e filmes) feitas para as salas do museu, e sendo curador Pedro Lapa. IMAG.349

µ21FEV-19ABR2015 - Em Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian expõe, em Gulbenkian Próximo Futuro na Galeria de Exposições Temporárias, Modernidades: Fotografia Brasileira (1940-1964) - com obras de José Medeiros, Thomaz Farkas, Marcel Gautherot e Hans Gunter Flieg, do Instituto Moreira Salles, sendo curadores Samuel Titan Jr, Ludger Derenthal e António Pinto Ribeiro. IMAG.448
                      
®1931-27FEV2015 - Leonard Simon Nimoy, aliás Leonard Nimoy: Actor americano de teatro, televisão e cinema, realizador, fotógrafo, poeta e cantor, intérprete de Mr. Spock em Star Trek / O Caminho das Estrelas - «Para a cultura popular, Nimoy e Spock são quase sinónimos, duas facetas do mesmo homem, que se influenciaram mutuamente ao longo dos anos» (Ricardo Simões Ferreira). IMAG.35-134

¯1934-27FEV2015 - Fernando Alvim: Músico e guitarrista português, acompanhante de Carlos Paredes, autor de Os Fados e as Canções do Alvim (2011) - «É uma espécie de apanhado da minha vida artística, porque não tive tempo para me concentrar o suficiente para compor durante o tempo em que estava com os espectáculos».

27FEV-24MAI2015 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga/MNAA expõe Azul Sobre Ouro - A Sala das Porcelanas do Palácio de Santos, sendo comissários Conceição Borges de Sousa e Rui Trindade.
          
VISTORiA

¨Não é bom dizer mentiras;
mas quando a verdade puder trazer uma terrível ruína,
então, dizer o que não é bom também é perdoável.
Sófocles

®Creonte: Se eu tolerar os desmandos da minha gente, perderei autoridade sobre os demais… O insolente, o transgressor das leis, o que se opõe às autoridades não conte com meu aplauso. A quem a cidade conferiu poder, a este importa obedecer, seja nas grandes questões, seja nas justas… e até nas injustas. Não há mal maior que a anarquia, ela devasta cidades, arrasa casas, aniquila a investida de forças aliadas.
Sófocles
- Antígona (excerto)
MEMÓRiA

¯ 1867-24MAR1916 - Enrique Granados: Compositor espanhol, autor de Goyescas - «No olvidaré jamás la lectura de la primera parte de Goyescas; aquellas frases tonadillescas traducidas con tal sensibilidad; la elegancia de ciertos giros melódicos, unas veces impregnados de ingenua melancolía, otras de alegre espontaneidad, pero siempre distinguidos y sobre todo evocadores, como si expresaran visiones interiores del artista» (Manuel de Falla). IMAG.382

¯ 25MAR1926-2014 - Riziero Ortolani, aliás Riz Ortolani: Compositor italiano, distinguido com o Prémio Pipo Barzizza / Carreira (2004), autor da música para filmes de Vittorio De Sica, Dino Rizzi, Franco Zeffirelli ou Quentin Tarantino. IMAG.498

¢1888-25MAR1976 - Josef Albers: Artista plástico americano, de origem alemã - teórico e professor em Bauhaus, pintor abstracto, designer e tipógrafo - «Posso fazer dançar o cinzento mais sombrio… Gosto de fazer rica a cor muito pobre, obrigar as cores vizinhas a tornarem-na bonita». IMAG.411

¯ 29MAR1926-2014 - Eugénia Lima: Acordeonista portuguesa, fundadora da Orquestra Típica Albicastrense (1956), popular com Fadinho de Silvares, Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1995) - «Mais de oitenta por cento das minhas músicas, nasceram no palco, de improviso» (2011). IMAG.508

¢30MAR1746-1828 - Francisco de Goya: Pintor espanhol, autor de Desastres da Guerra - «O sono da razão produz monstros». IMAG.207-357-446-469

¨ 31MAR1596-1650 - René Descartes: Filósofo e matemático francês, autor de O Discurso do Método - «Ninguém pode conceber tão bem uma coisa e fazê-la sua, quando a aprende de uma outra pessoa, em vez de a inventar ele próprio». IMAG.80-262-342

ANTIQUÁRiO

24MAR1646 - Reunidas as Cortes em Lisboa, com elas jura El-Rei D. João IV defender a concepção da Imaculada Maria, tomando a Virgem Nossa Senhora da Conceição por padroeira do Reino de Portugal, e prometendo-lhe, em seu nome e dos seus sucessores, um tributo anual de cinquenta cruzados de ouro. IMAG.33-64-76-356-452

BREVIÁRiO

¨ Âncora Editora lança Contos Bárbaros de João de Araújo Correia (1899-1985). IMAG.349-544

¯Universal Music edita em CD, Grrr! - Greatest Hits por The Rolling Stones. IMAG.54-118-206-309-313-384-463
¨Quetzal edita Biblioteca Pessoal de Jorge Luis Borges (1899-1986); tradução de Cristina Rodríguez e Artur Guerra. IMAG.69-86-88-240-272-334-474-507

¨Clube do Autor edita Ode Marítima / Maritime Ode de Álvaro de Campos / Fernando Pessoa (1888-1935); versão para inglês de Richard Zenith, ilustrações de Pedro Sousa Pereira. IMAG. 26-28-64-82-130-131-157-182-187-196-207-211-236-264-323-326-330-333-343-347-376-382-384-385-395-399-403-404-417-426-433-450-460-467-491-507-509-524-540-551

¯Valentim de Carvalho edita em CD, Amália No Chiado de Amália Rodrigues (1920-1999). IMAG.20-33-226-239-245-270-276-279-283-326-341-408-470-536-546

ANUÁRiO

¨ 496 aC-406 aC - Sófocles: Dramaturgo grego - «Não tentes indagar tudo: é melhor que certas coisas permaneçam ocultas. Não queiras esconder nada: o tempo vê, escuta e revela tudo». IMAG.291

EPISTOLÁRiO

A Bernardo de Iriarte, Vice-Protector da Real Academia de Bellas Artes de San Fernando
+ Para ocupar a imaginação mortificada na consideração dos meus males, e para ressarcir em parte os grandes dispêndios que me ocasionaram, dediquei-me a pintar uma série de quadros de atelier, em que logrei fazer observações que normalmente não são possíveis em obras de encomenda, e em que o capricho e a invenção não têm oportunidade.
Goya

- 04JAN1794 

sábado, maio 02, 2015

IMAGINÁRiO #555

José de Matos-Cruz | 16 Março 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

SUBVERSÕES

Alargando o território da aventura a todo o mundo, a banda desenhada europeia amplia também as implicações temáticas e as expectativas de entretenimento, suscitando aos leitores a consciencialização para problemáticas que escapam às convenções e às vivências do quotidiano. Em alternativa ao ciclo Reflets d’Écume (1994), que lhe proporcionou justo prestígio, o artista de origem portuguesa Alberto Varanda sondou, em 1996, um ambíguo universo político-criminal, ambientado em futuro próximo, no qual se estigmatizam os desafios e as tensões de um realismo fantástico. Eis Bloodline – um tríptico perturbante, sobre argumento da dupla Anje (aliás, Anne & Gérard Guero) – em coloração por computador de Stew Patrikian. A acção decorre em 2003. Tendo assistido ao massacre da família, sem razões aparentes, os gémeos Kevin e Lauren são forçados a uma sobrevivência de traições e ameaças, motivada pelos seus extraordinários dons psíquicos… Uma aventura fascinante, que Varanda transfigurou ao seu estilo insólito mas sugestivo.


CALENDÁRiO

13FEV-18ABR2015 - Em Lisboa, Galeria Quadrado Azul expõe Protótipos de Francisco Tropa, sendo curadora Simone Menegoi. IMAG.399

27JUL1955-18FEV2015 - Albano Melo Matos, aliás Albano Matos: Jornalista português, ligado ao Diário de Notícias - «Era um representante de um certo jornalismo que está a acabar, com uma cultura vastíssima, de conhecimento sólido e sedimentado, com uma prosa absolutamente notável» (Feliciana Ferreira).

¸19FEV-19ABR2015 - No âmbito do 15º aniversário do festival Monstra, Museu da Marioneta expõe Papel de Natal - cenários e personagens do filme de animação (2014) de José Miguel Ribeiro; e Entre a Realidade e a Fantasia - marionetas, cenários e adereços de todos os filmes de marionetas da eslovena Špela Cadež. IMAG.548

MEMÓRiA

¯1710-16MAR1736 - Giovanni Battista Pergolesi: Compositor, organista e violinista italiano, autor de La Serva Padrona (1733 - «o primeiro andamento é o dueto mais completo e mais comovente jamais composto» - Rousseau) ou Stabat Mater (1736). IMAG.296-318-327-387-490-512

¯17MAR1446 - Morre o padre Martim Lourenço, natural de Lisboa e educado no Paço, ao tempo de El-Rei D. João I, homem de letras e pregador - a quem, pela sua estremada eloquência, chamavam Boca de Oiro.

¸02NOV1906-17MAR1976 - Luchino Visconti: Cineasta e encenador italiano - «Parece que o tédio é uma das grandes descobertas do nosso tempo. A ser assim, eis um aspecto em que somos pioneiros». IMAG.105-222-319-320-331-475

¸19MAR1946-2013 - Bigas Luna: Cineasta espanhol, realizador de Bilbao / História de Um Fascínio (1978) - «O desejo é como um marrón glacé envolto em papel de prata». IMAG.460

R1937-19MAR2006 - Fernando Gil: Filósofo português, distinguido com o Prémio Pessoa (1993) - autor de Mimésis e Negação (1984), Traité de l'Évidence (1993) ou Viagens do Olhar: Retrospecção, Visão e Profecia No Renascimento Português (com Hélder Macedo - 1998) - «…Um dos mais interessantes e importantes na renovação da filosofia em Portugal nos últimos vinte e cinco anos» (Eduardo Lourenço).

21MAR1846-1905 - Raphael Bordallo Pinheiro: Artista português, pintor, caricaturista, escultor, ceramista, criador do Zé Povinho - «…Retratos muito mais vivos, muito mais parecidos com o original do que as próprias fotografias das personagens que representam, desenhou-os ele de um só jacto na pedra litográfica ou no papel autógrafo, entre a meia-noite e as cinco horas da madrugada, em pé à banca, sob a luz crua e mordente do gás, sempre à última hora, febricitante de pressa, escorrendo suor, com a testa e o nariz manchados de preto pelas dedadas de craião, fumando avidamente cigarrettes, falando sempre, cantando, assobiando ou deitando complacentemente a língua de fora às figuras» (pxRamalho Ortigão - As Farpas, ABR1882). IMAG.22-32-43-59-77-98-115-197-208-242-246-256-304-365-381-499-517-518-545


VISTORiA

Bordallo
Rafael Bordallo foi um artista eminentemente progressivo. Como caricaturista, como ceramista e até como estatuário, satisfez essas condições máximas. Antes de Bordallo, em Portugal, a caricatura não ia muito além duma tentativa infantil. Ele veio, num período de luta e de indecisão para a Arte Portuguesa, quando sobre tabiques românticos erguidos em entulhos clássicos se construíam águas-furtadas naturalistas. Ele veio com a sua cabeleira de romântico e o seu monóculo de observador, e topou no entulho, encostado aos tabiques, toda transida e a tremer, uma caricatura seca, enfezadinha, mal nascida e moribunda. Pegou nela, mirou-a, acariciou-a e sorriu-se. Aquele sorriso luminoso, aquele sorriso superior foi para a pobre enfezadinha, que até ali só vivera de ódios, a ressurreição e a esperança. Ele, então, transformou-a. Deu-lhe forma, deu-lhe força, deu-lhe vida, deu-lhe originalidade; e, pela escolha dos assuntos, pela análise contínua do nosso viver político, pela compreensão das tendências nacionais, pela sua grande confiança no futuro - sempre trazendo a caricatura atenta - contribuiu mais que qualquer tratadista dogmático para que entre nós a crítica social se desenvolvesse, independente, nos espíritos e a esperança nascesse nas almas frouxas. Foi um reformador, não só da Arte, mas dos costumes. Foi reformador… e talvez um precursor.
O português até ali não soubera rir. Era sorumbático e encolhido, apegando-se à tradição, sem pensamento nem critério, por hábito já inveterado, como uma beata, de cangalhas no nariz, e gato no regaço, se apega ao seu rosário. Com a caricatura política ele libertou-o da melancolia e da tradição, isto é, da instituição. Fazendo-o rir, tornou-o mais agudo, mais liberal, mais independente. Do riso nasceu a liberdade de crítica, a liberdade natural de quem reconhece que tem direito a ser o que é, independentemente do que os outros já foram. Se politicamente em Portugal, isto pode parecer revolução, em Arte é Progresso; e aí está porque digo que Rafael Bordallo foi como artista, eminentemente progressivo.
Logo no Álbum das Glórias a caricatura de Fontes - caro como o oiro - se desenha em linhas sóbrias, mas profundamente sugestivas. Aí se encontra já o poder criador do Artista na figura da Universidade e, sobretudo, na admirável síntese, criação genial de ironia e amor, que enche ao depois toda a obra de Bordallo e é um dos seus melhores títulos de glória: Zé Povinho, o soberano. A sua independência manifesta-se logo na primeira fase da sua obra, que é O António Maria, onde estão talvez as suas melhores composições de detalhe e os seus mais fundos ataques à política arbitrária dos homens-ídolos.
É a fase política, a que se segue a fase que se poderia chamar social: Pontos Nos ii. Aí o seu espírito, já mais sereno, observa a vida portuguesa com mais imparcialidade e mais risonho cuidado. Mas com a vida activa, vem a experiência, vem o cansaço, vem o cepticismo também; o labor aumenta, multiplicam-se-lhe as aptidões. O Artista, na sua oficina das Caldas, continua como louceiro o seu inquérito à vida nacional. Tem um riso de esperança, confia na sua obra, cria jóias de altíssimo valor… Curto instante de renascença artística! O público não compreende ainda, os governos abandonam-no, e o grande homem, com uma lágrima a adoçar-lhe o riso irónico, de cabeleira já grisalha e monóculo suspenso na mão trémula, de novo se volta para a caricatura, vestindo-a, como um bom amante, de novas galas…
É a sua última fase, e o título da obra define ainda o estado de alma do Artista. Se luta e cria, é por dever, por necessidade talvez; porque parece que já não vale a pena, no meio dessa indiferença geral, dessa incompreensão dos dirigentes, desse arremedo da vida nacional, lutar e criar. Não vale a pena…
Isto já nem é vida de confiança nem sequer marcha do progresso. Não há sinceridade nem critério. Isto não é vida real, é uma comédia, é uma Paródia. E o que é a Paródia? Ele mesmo o diz: «é a caricatura ao serviço da tristeza pública, é a dança da Bica no cemitério dos Prazeres».
A.M.
20FEV1910 - O Círculo das Caldas

GALERiA

PROTÓTIPOS
De acordo com o dicionário, protótipo é «o modelo no qual se baseiam ou ao qual podem ser reportados factos ou fenómenos que se verificam subsequentemente», ou ainda, «o modelo realizado na última fase de um projecto (de uma máquina, dispositivo, etc.) que se destina a servir de ponto de partida para a produção em série». Ambas as definições se aplicam às obras apresentadas nesta exposição. Boa parte delas datam da década de 1990, e contêm ideias que Francisco Tropa continuaria a explorar e a desenvolver até hoje: são «protótipos», ou precedentes, de grande parte da sua produção. E quase todas se inspiram na ideia de obra enquanto utensílio / instrumento / máquina, seja do ponto de vista formal (adoptando uma estética que habitualmente é associada a objectos com intuitos práticos), seja do ponto de vista filosófico. Apesar de não se poder falar de uma produção em série, em alguns casos, a primeira versão da obra – o «protótipo», desta vez na segunda acepção da palavra – é seguida, à distância de um tempo, por uma ou mais instâncias que são aqui expostas lado a lado com a original.
E as máquinas de Francisco Tropa são, evidentemente, instrumentos paradoxais. Os seus «painéis solares» (Placas Solares, 1992), que explodem se forem expostos ao sol, os seus instrumentos de medição linear (Cana, 2006; Metros, 2007), que não respeitam a norma, ou os seus objectos para recolher poeira ou orvalho (propósitos que são, por si só, singulares) não respondem ao imperativo da eficiência (quanto muito, ao da elegância).

BREVIÁRiO

¨Abysmo edita Que Luz Estarias a Ler? de José António Gomes/João Pedro Mésseder (escrita) e Ana Biscaia (ilustração). IMAG.310-416-430-509-531

¯Legacy edita em CD, Band of Brothers por Willie Nelson. IMAG.211-317

¨Relógio D’Água edita Henderson, o Rei da Chuva de Saul Bellow (1915-2005); tradução de João Palma-Ferreira. IMAG.36-87-360-421-518-546-553

¨Dom Quixote edita Um Circo Que Passa de Patrick Modiano; tradução de Ana Cristina Costa. IMAG.535-552-553