sábado, maio 31, 2014

IMAGINÁRiO #507

José de Matos-Cruz | 16 Março 2015 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
REMINISCÊNCIAS
As Aventuras de Blake e Mortimer principiaram em 1946, com O Segredo do Espadão, logo patenteando a arte monumental de Edgar Pierre Jacobs (1904-1987). Em causa, a dualidade do Bem - simbolizada na instituição militar (o bravo Capitão Francis Blake, responsável pelo MI5, serviço de contra-espionagem britânico) e no poder da ciência (o Professor Philip Mortimer, um especialista em Física e Aeronáutica, com gosto pelos fenómenos bizarros); contra a perversão do Mal - concentrada num arqui-inimigo (o sinistro e volúvel Coronel Olrik). Um presente de ameaças, cumplicidades e perigos - virtualizado entre o passado e o fantástico, o futuro e a arqueologia… Bob de Moor, Jean Van Hamme e Ted Benoît asseguraram uma continuidade, como Yves Sente & André Juillard, que imaginaram O Juramento dos Cinco Lords após A Marca Amarela - um clássico inolvidável (1956), do qual Jean Dufaux, Antoine Aubin & Étienne Schreiber recriam uma estimulante sequela com A Onda Septimus, sempre sob chancela das Edições Asa. Hábeis a lidar com os mistérios e desafios que se repercutem entre o céu e a terra, Blake e Mortimer voltam aos cenários e às tradições de Inglaterra - em Londres, «após anos de guerra e destruição», celebrando o aniversário da jovem rainha - e acabam, afinal, por protagonizar, a par com Olrik, a sua intermitente coexistência, no universo contemporâneo da banda desenhada.
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CALENDÁRiO
¨1949-03ABR2014 - Jorge Faustino Fallorca Gaspar, aliás Jorge Fallorca: Poeta e tradutor português, jornalista e radialista - «Contaram-me que as letras descansam de lado, nas páginas macias dos livros antigos. / Outros afirmam-me que os textos mudam ao sabor das edições, e que nenhuma se compara / à que se leu primeiro» (Telhados de Vidro - excerto). >IMAG.411

®1947-05ABR2014 - José Wilker: Actor brasileiro de teatro, cinema e televisão, protagonista de Gabriela (1975) - «O Brasil perde um actor de inteligência aguda, que impregnava as interpretações com humor e ironia» (Regina Duarte).

10ABR2014 - Na Amadora, Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem/CNBDI expõe Todos Fazemos Tudo, de Madalena Matoso.

¢12ABR2014 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Espaço de Jogo de Marilice Corona.
           
VISTORiA
A Outra Metade

¨Quando este corpo meu esfacelado
Baixar à leiva húmida da cova,
Hão de os jornais carpir a infausta nova,
Taxando-me de sábio consumado.

Estalará na imprensa enorme brado,
Pedindo a ressurgência d’um Canova
Que a morta face em mármore renova
Para insculpir meu busto laureado.

E algum dos imbecis necrologistas,
Com soluçantes vozes de saudade,
Dirá em ricas frases nunca vistas:

«Esse génio imortal, rei dos artistas,
No céu pede ao Senhor que a outra metade
Reparta por vocês, ó jornalistas!

Camilo Castelo Branco
- Nas Trevas (1890)

É Um Lugar Cercado de Água

¨É um lugar cercado de água por todos os lados. Ilha.
Nome próprio e singular.
Quer seja oceano, bairro, monte, eu não sei como lhe
Chamam no sul, por exemplo:
Ilha é outra coisa. É ser.
Cercar de todas as maneiras a possibilidade
De acesso.
Ilha rima com filha, partilha (esta é dos karts), matilha
Camilha, e outros rores.
Que sempre falaram de ser.
Por todos os lados como o ar.

Jorge Fallorca
- Alpendre (1988)

MEMÓRiA
¨16MAR1825-1890 - Camilo Castelo Branco: Ficcionista e poeta português - «Homem que pensa, que estuda, que trabalha, sob influência tenaz de uma ideia, que cisma na imortalidade que lhe pode dar a ciência, ou no dinheiro que lhe pode dar um livro, tal homem só serve para marido depois que o reumatismo lhe faz ver o celibato à luz da higiene».
>IMAG.27-31-41-87-111-113-145-146-161-171-179-180-185-209-227-236-237-244-256-277-293-328-334-389-390-414-421-432-453-497

17MAR1585 - Morre D. Francisco de Sá Menezes, nascido no Porto por 1510, 1º Conde de Matosinhos, poeta e camareiro-mor de El-Rei D. Sebastião, e um dos governadores que o Cardeal-Rei nomeou, por sua morte, para a gerência do reino e nomeação de sucessor.

¯17MAR1945-1982 - Elis Regina: Cantora brasileira - «Cantar, para mim, é sacerdócio. O resto é o resto… / Me tomam por quem? Um imbecil? Sou algo que se molda do jeitinho que se quer? Isso é o que todos queriam, na realidade. Mas não vão conseguir, porque quando descobrirem que estou verde já estarei amarela. Eu sou do contra. Sou a Elis Regina do Carvalho Costa que poucas pessoas vão morrer conhecendo». >IMAG.27-459-468

¯21MAR1685-1750 - Johann Sebastian Bach: Compositor alemão, cantor, maestro, professor, organista, cravista, violista e violinista - «A música é uma harmonia agradável em honra de Deus, e um deleite privilegiado para a alma humana». >IMAG.32-58-163-198-203-212-216-220-240-248-267-268-269-277-280-284-305-308-332-334-340-363-375-384-389-392-393-423-432-457-462

¨1872-23MAR1935 - Ana de Castro Osório: Escritora, fundadora do Grupo de Estudos Feministas - «Associai-vos como mulheres, porque antes de serdes operárias já o éreis e depois continuareis a ser. E ser mulher é ser escrava nas leis, na família, no trabalho. É ser a desprezada por faltas, que para os homens nem faltas são. É ser criminosa, por factos que para os homens são virtudes. A mãe sem poder nos filhos. A esposa sem reciprocidade de direitos.» (Carta a Martins dos Santos, director de Germinal). 1911 - Radical. 
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VISTORiA
O Rio Leça

¨Ó Rio de Leça,
Como corres manso;
Se eu tiver descanso,
Em ti se começa.

Sempre sossegados
Vão teus movimentos:
Não te turvam ventos,
Nem tempos mudados.

Corres por areias,
E bosques sombrios:
Não te turvam rios,
Nem fontes alheias.
- D. Francisco de Sá Menezes
  
PARLATÓRiO
Elis Regina
¯Poucas pessoas sabem quem realmente descobriu Elis. Foi um vendedor da gravadora Continental chamado Wilson Rodrigues Poso, que a ouviu cantando menina, aos quinze anos, em Porto Alegre. Ele sugeriu à Continental que a contratasse, e em 1962 saiu o disco dela. Levei Elis ao meu programa, fui o primeiro a tocar seu disco no rádio. Naquele dia eu disse: Menina, você vai ser a maior cantora do Brasil. Está gravado.
Walter Silva
    
GALERiA
Todos Fazemos Tudo foi o livro vencedor de um concurso realizado pelas Éditions Notari, em colaboração com o município de Genebra. A capital dos direitos humanos ofereceu um exemplar a todas as crianças do ensino pré-primário, contribuindo assim para a promoção da igualdade entre homens e mulheres. À importância da mensagem, junta-se a forma como ela é apresentada através do corte horizontal das páginas e da combinação das ilustrações, que transformam este livro num jogo. Mas, a maior riqueza de Todos Fazemos Tudo é o saber ser um mapa possível e sem coordenadas fixas para que cada um descubra o mundo, e o confirme diverso e sem monotonia.
Editado por Planeta Tangerina, Todos Fazemos Tudo foi distinguido com o Prémio Nacional de BD 2012 - Melhor Ilustração de Livro Infantil.


BREVÁRiO
¨Relógio D’Água edita Pnin de Vladimir Nabokov (1899-1977); tradução de Telma Costa. >IMAG.63-223-253-272-325-338-418-503-504-505

Gradiva edita em banda desenhada A Batalha - 14 de Agosto de 1385 de Pedro Massano - argumentista e ilustrador, sobre Aljubarrota. >IMAG.57-127-149-256-265-416-430

¨Parsifal edita A Mensagem de Fernando Pessoa (1888-1935); comentários de Miguel Real, ilustrações de João Pedro Lam. >IMAG.26-28-64-82-130-131-157-182-187-196-207-211-236-264-323-326-330-333-343-347-376-382-384-385-395-399-403-404-417-426-433-450-460-467-491

¯Deutsche Grammophon edita em CD, The Wigmore Hall Recital por Maria João Pires e António Meneses. >IMAG.106-411-449-463-495

¨Quetzal edita O Relatório de Brodie de Jorge Luis Borges (1899-1986); tradução de António Alçada Baptista. >IMAG.69-86-88-240-272-334-474

EXTRAORDINÁRiO
OS ALTERNATIVOS
- Folhetim Aperiódico

ATRAPALHADO NA CARCAÇA
O ESCARAVELHO FAZ-SE MORTO - 4
 Graciosa e o seu rotundo rebento passaram, então, a encolher-se em qualquer vão de escada, pela urbe piolhosa, levando a tralha que lhes restava numa trouxa de serapilheira.
No fundo, era uma lástima mordida à flor da pele. Filosoficamente, Damião achou um dia que as côdeas de seu pão, amassado pelo diabo, se pareciam com as crostas da porcaria que lhe cobriam o corpo.

– Continua

sexta-feira, maio 23, 2014

IMAGINÁRIO #506

José de Matos-Cruz | 8 Março 2015 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
ENCANTAMENTOS
Durante décadas, e através da referência unitária a Walt Disney (1901-66), inúmeros cineastas dirigiram gigantescas equipas, tornando-se inestimável uma imagem de marca - quanto ao estilo de animação, à narração ficcional e à expressão estética. O recurso às mais recentes tecnologias, na época de feitura, converteu-se num dos principais aliciantes, com exploração no universo imaginário. A titularidade de Disney provou, sobretudo, o equilíbrio entre a liberdade criativa e uma galeria heróica indissociável dessa progenitura - que reconcilia ou absorve, mesmo, as obras literárias que lhe servem de inspiração… Em 1990, os sucessos do dissidente Don Bluth sob os auspícios de Steven Spielberg - com Fievel, Um Conto Americano (1986), ou Em Busca do Vale Encantado (1988) - terão estimulado os herdeiros de Disney, quanto a um financiamento tributário aos clássicos da animação em longa metragem. E, após provarem - através de Quem Tramou Roger Rabbit? (1988 - Robert Zemeckis) - uma opção propícia à revitalização do imaginário, precisamente em aliança com o pai de ET - O Extra-Terrestre (1982), decidiram apostar ainda mais forte num sortilégio tradicional. Assim surgiu A Pequena Sereia / The Little Mermaid (1990) por John Musker & Ron Clements…


VISTORiA
Regresso Eterno
Altos silêncios da noite e os olhos perdidos,
Submersos na escuridão das árvores
Como na alma o rumor de um regato,
Insistente e melódico,
Serpenteando entre pedras o fulgor de uma ideia,
Quase emoção;
E folhas que caem e distraem
O sentido interior
Na natureza calma e definida
Pela vivência dum corpo em cuja essência
A terra inteira vibra
E a noite de estrelas premedita.
A noite! Se fosse noite…

Mas os meus passos soam e não param,
Mesmo parados pelo pensamento,
Pelo terror que não acaba e perverte os sentidos
A esquina do acaso;
Outros mundos se somem,
Outros no ar luzes reflectem sem origem.
É por eles que os meus passos não param.
E é por eles que o mistério se incendeia.

Tudo é tangível, luminoso e vago
Na orla que se afasta e a ilha dobra
Em balas de precário sonho…
Tudo é possível porque à vida dura
E a noite se desfaz.
Em altos silêncios puros.

Mas nada impede o renascer da imagem,
A infância perdida, reavida.
Nuns olhos vagabundos debruçados,
Junto a um regato que sem cessar murmura.
Ruy Cinatti

Estarás muitas vezes à beira da morte, mas não morrerás, até que um dia chegará a tua verdadeira perdição: quando acontecer, lembrar-te-ás da promessa da tua mãe, e tornar-te-ás frade.
Nikolai Leskov
- O Peregrino Encantado
(1873 – excerto


COMENTÁRiO
A PEQUENA SEREIA
A Pequena Sereia / The Little Mermaid (1990) por John Musker & Ron Clements, parte da fábula maravilhosa de Hans Christian Andersen. Um desafio logrado em plenitude: através do recurso à maior sofisticação, voltamos ao imaginário fértil, à magia romântica e fantástica, em que evoluem as aventuras de Ariel - uma sereiazinha apaixonada por Eric, um príncipe humano e, sobretudo, deslumbrada pelo mundo aéreo que ele simboliza. Ariel tudo sacrifica ao apelo da superfície, inquietando seu pai, o Rei dos Mares, e acaba por estabelecer com a feiticeira Ursula, pérfida e voluptuosa cefalópode, um contrato quase fatídico...

A aliança entre mundos paralelos, no mar e da terra, e uma perspectiva humanista mutuamente protagonizada, por todos os seres vivos em bizarra essência naturalista, transfiguram-se com a virtualização dos sentimentos, anseios, desafios, consumados pelos desígnios do bem e do mal. Dimensões contíguas, figuras exuberantes, pais possessivos, rivais perversas - tudo se representa, ainda, pela caricatura singela mas tão aliciante sobre a realidade intemporal. Como sempre sob a chancela Walt Disney, é através de secundários que o espectáculo se anima - em caprichos, humor e solidariedade.
Aliás, assinalando o elo científico das nossas origens - com uma alegoria mítica quanto aos seres metade mulher / metade peixe, em que se estilizaram convencionalmente musas e sedutoras - os cineastas retomaram um dos mais genuínos elementos da fantasia heróica, através do signo Disney: o antropomorfismo - esse nexo prodigioso da personificação, por todas as criaturas vivas, em que se universalizaria o elã animatográfico… O envolvimento musical, logo as canções de Howard Ashman & Alan Menken, foi justamente galardoado com dois Oscars, pela Academia de Hollywood.
   
MEMÓRiA
08MAR1915-1986 - Ruy Cinatti: Poeta e antropólogo português - «Agarrei no ar um véu / esmaecido de azul, / igual ao azul do céu / iluminado pela lua. // Eu passo a vida a sonhar / iluminado pela lua.». >IMAG.95
12MAR1925-2012 - Henry Maxwell Dempsey, aliás Harry Harrison: Escritor americano de ficção científica, autor de Mundo-Nosso - «Creio que o fantástico se esgotou… Talvez tenha morrido, como género. Os actuais autores exploram-no, quando devia ser ele a explorá-los». >IMAG.422
1920-12MAR1955 - Charlie Parker: Compositor americano, saxofonista de jazz - «A música é a tua própria experiência, o teu pensamento, a tua sabedoria. Se tu não a viveres, ela jamais vai soltar-se do teu instrumento». >IMAG.32-339
1804-15MAR1895 - Cesare Cantú: Escritor e historiador italiano - «A dor possui um grande poder educativo: faz-nos melhores, mais misericordiosos, mais capazes de nos recolhermos em nós mesmos, e persuade-nos de que esta vida não é um divertimento, mas uma obrigação». >IMAG.493
1831-05MAR1895 - Nikolai Semyonovich Leskov, aliás Nikolai Leskov: Escritor russo, autor de O Peregrino Encantado - «Embora por vezes se tenha deixado levar pelo maravilhoso, a sua preferência, mesmo na devoção, é a natureza. Para ele, o homem ideal é aquele que encontra o seu caminho na terra, sem se misturar demasiado com ela» (Walter Benjamin).

COROLÁRiO
Nikolai Leskov
Leskov era uma personalidade orgulhosa, apaixonada e frequentemente irascível; no decorrer da sua vida, conseguiu indispor-se com quase toda a gente que conhecia, como também com todas as tendências e movimentos correntes na literatura russa. Isso também nos diz algo sobre a sua impetuosa independência, a sua recusa a reverenciar os lemas ideológicos do momento. A sua polémica mais conhecida, causa do virtual ostracismo que os radicais lhe impuseram durante a maior parte da sua vida, envolvia os famosos incêndios de São Petersburgo, de 1862, que coincidiram aproximadamente com a circulação das proclamações sanguinárias do Rússia Jovem, que pugnavam pelo extermínio da família real e de todos os seus partidários. A maioria acreditava que os radicais tinham começado o incêndio, e o populacho suspeitava de que a população estudantil em geral fosse simpática quanto aos supostos incendiários. Leskov, com a intenção de proteger os estudantes, publicou um artigo onde pedia à polícia que, se houvesse qualquer prova de incêndio criminoso, nomeasse os culpados para que a suspeita pudesse ser retirada das costas dos inocentes. À primeira vista, nada pareceria mais inofensivo do que tal pedido, mas o facto de Leskov ter dado algum crédito à hipótese de incêndio culposo e ter, aparentemente, apelado à polícia contra os radicais, foi o suficiente para torná-lo um homem marcado.
Joseph Frank
(excerto)
     
PARLATÓRiO
É estranho que Dostoievski seja tão lido… Em compensação, não compreendo por que não se lê Leskov. Ele é um escritor fiel à verdade!
Leon Tolstoi
     
CALENDÁRiO
1924-01ABR2014 - Jacques Le Goff: Historiador francês, distinguido com o Prémio Dr. A.H. Heineken Para a História, pois, «ao transformar a nossa visão da Idade Média, modificou a forma como lidamos com a história». >IMAG.38
03ABR2014 - ZON Audiovisuais estreia Sei Lá de Joaquim Leitão; com Leonor Seixas e António Pedro Cerdeira. >IMAG.122-269-453-490
03ABR2014 - Em Lisboa, Museu Nacional de Etnologia expõe Artes de Pesca: Pescadores, Normas, Objectos Instáveis.
    
BREVÁRiO
Disney edita em DVD, A Pequena Sereia / The Little Mermaid (1990) por John Musker & Ron Clements; com vozes originais de Jodi Benson e Christopher Daniel Barnes.

sexta-feira, maio 16, 2014

IMAGINÁRiO #505

José de Matos-Cruz | 1 Maio 2015 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
SUPERAÇÕES
Numa incidência fulgurante, sensual, entre passado e fantástico, o realismo primitivo e a magia intemporal, expande-se a saga de O Mercenário / El Mercenario - segundo a exploração plástica e narrativa de Vicente Segrelles, originalmente apresentada pela revista espanhola Cimoc, a partir de 1980, e relatando as façanhas de um guerreiro a soldo, projectadas sobre a mística ou enfrentando o mal. Até que, a três anos e dois dias do ano 1000, uma nefasta conjugação astral suscita ansiedade ou pânico entre os habitantes do País das Nuvens. Inspirado pela bela Nan-Tay, o Mercenário acorre, então, ao apelo para acompanhar o Grande Lama, prior da Ordem da Cratera, numa extraordinária incursão… 
Clássico e moderno, eis um prodigioso épico, em que o estilo pessoalíssimo de Segrelles - onírico e simbólico, numa perturbante mas violenta exaltação - transcende a óleo o talento do retratista, cujo herói - com a fisionomia do actor Giuliano Gemma (1938-2013) - explora outros domínios para a banda desenhada.


CALENDÁRiO
05DEZ2013-23MAR2014 - Em Lisboa, Museu da Electricidade / Cinzeiro 8 expõe, com Fundação EDP, A Escala de Mohs de Jorge Molder, sendo comissário João Pinharanda. >IMAG.165-237-252-475-491

16JAN-13ABR2014 - Em Lisboa, Museu da Electricidade expõe, com Fundação EDP, Ilustrarte 2014 - VI Bienal Internacional de Ilustração Para a Infância.

27FEV-25MAR2014 - Em Lisboa, Galeria São Mamede expõe Um Grande Inventor de Pintura - em homenagem a Mário Cesariny de Vasconcellos (1923-2006). >IMAG.17-19-20-29-66-123-179-430-442-475-486

06MAR2014 - O Som e a Fúria co-produziu, e estreia Rincón deDarwin / Rincón de Darwin de Diego Fernández; com Carlos Frasca e Jorge Esmoris.

13MAR2014 - Na Amadora, Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem/CNBDI expõe Eros Uma Vez… O Humorista Zé Manel. >IMAG.149-218-230-237-256-416-430

1921-15MAR2014 - Zé Penicheiro: Pintor, ilustrador e caricaturista português - «Nunca o geometrismo das suas composições está inquinado por uma visão esquematizadora ou redutora, friamente académica ou superficialmente decorativista. Muito pelo contrário: aí culmina uma busca exigente e constante de captação do essencial, aí se exprime um olhar agudo, depurado e depurador. Ao serviço desta opção estética, refinando-a e acentuando-a, uma paleta de grande sobriedade, de onde o artista extrai matizes e efeitos surpreendentes» (Fernando Fausto Almeida).

27MAR2014 - Medeia Filmes estreia Cadências Obstinadas / Cadences Obstinées de Fanny Ardant; com Ásia Argento e Nuno Lopes.

27MAR2014 - UkBar Filmes estreia J.A.C.E. / J.A.C.E. de Menelaos Karamaghiolis; com Diogo Infante e Stefania Goulioti.

VISTORiA
Para L.F. Lindley Cintra

Na noite a voz cristal a voz macia
de um jogral
para a vertigem antiga:
– um novo olhar barco
para a vida
nesta ilha de névoa
e maresias já esquecida.



Tua fronteira no meu braço
que te contorna: evidente
oceano. E me navega
pelas ruas da cidade
entorpecida:
– certeza na espada e na chama
da aliança
em sangue consentida.

J. David Pinto Correia
- Este Branco Silêncio

MEMÓRiA
01MAR1445-1510 - Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi, aliás Sandro Botticelli: Pintor italiano, renascentista, da Escola Florentina, autor de A Primavera e O Nascimento de Vénus, protegido pela família Medici. >IMAG.189-214

1900-04MAR1945 - Mark Sandrich: Realizador de cinema norte-americano, distinguido pela Academia de Hollywood com a curta metragem So This Is Harris! (1934). >IMAG.26-40-288

05MAR1925-1991 - Luís Filipe Lindley Cintra: Professor universitário, filólogo, linguista, membro da Academia das Ciências de Lisboa (1962) - «Tenho de reconhecer humildemente que fui um homem cujas leituras, como diria o Professor Hernâni Cidade, foram quase sempre dirigidas, feitas pela necessidade de me informar sobre certos aspectos» (a José Mattoso - Penélope, 1989 - excerto). >IMAG.38-335

06MAR1925-1968 - Wes Montgomery: Guitarrista americano de jazz, Prémio New Star (1960) da revista Down Beat - «desenvolveu um estilo único de dedilhado com o polegar, bem como um modo de tocar em oitavas, que se tornariam as suas marcas registadas. A sua extrema liberdade e fluidez no instrumento chamaram, desde o início, a atenção» (Fernando Jardim) - «Se um artista de jazz está efectivamente a tocar, o executante de música clássica tem, necessariamente, de o respeitar». >IMAG.419

07MAR1875-1937 - Joseph-Maurice Ravel, aliás Maurice Ravel: Compositor e pianista francês - «Toda a criança é sensível à música - a todo tipo de música. O meu pai, muito mais culto nesta arte que a maioria dos aficionados, soube desenvolver os meus gostos e estimular precocemente a minha paixão». >IMAG.104-160-272


ANUÁRiO
85aC-43ac - Publilius Syrius, aliás Públio Siro: Escritor e pensador latino - «O juiz é condenado, quando o culpado é absolvido» (Sententiæ). >IMAG.416

1865 - Em Paris, calcula-se que morrem, por dia, cerca de 30 cavalos, podendo perfazer 12.775 por ano.
Cada cavalo produz: pele - 2$700 réis; crina - 360; carne fresca - 90; tendões - 280; óleo das vísceras - 240; cascos - 110; ossos - 10. Soma: 3$790 réis.



GALERiA
Eros Uma Vez…
- O Humorista ZÉ Manel
A sala de exposições temporárias do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem/CNBDI, um novo espaço que abriu portas em 2013, por ocasião do 24º AmadoraBD, recebe esta mostra dedicada à obra humorística de José Manuel Alves Mendes, o desenhador virtuoso que assina Zé Manel. Esta exposição, que foi produzida por Osvaldo Macedo de Sousa / Humorgrafe e integrou o 18º Salão Internacional MouraBD 2013, traça um breve percurso pelo trabalho de Zé Manel que, para além da banda desenhada, da ilustração e da caricatura, pode apreciar-se em áreas tão distintas como os vitrais, o design gráfico, a cenografia para teatro e para cinema de animação, ou a ilustração para livros escolares (quem não se lembra de Nicole, Robert, e Petit Patapouf?, personagens que animaram os livros de francês Je Commence). Composta por pranchas, ilustrações, desenhos originais e publicações, esta mostra apresenta-se em três núcleos distintos, o primeiro dedicado à banda desenhada – para um público infantil e adulto, o segundo ao humor na Imprensa – os diferentes jornais e revistas em que colaborou, e o terceiro ao erotismo – tema que atravessa grande parte da sua obra.

Zé Penicheiro
- Caricatura Em Volume
Com a sacola a dar-a-dar nos fundilhos dos calções desenfiavas-te para a beira do teu pai, carpinteiro. Do legado paterno há-de ser evidente o gosto pelos trabalhos em madeira com os quais iniciaste a tua carreira artística. Foi através dos bonecos que o público teve pela primeira vez acesso ao teu talento criativo. Desenhavas na madeira as figuras da rua - o guarda-nocturno, o pescador, a peixeira - o teu pai recortava-as e nascia a caricatura em volume reveladora do teu espírito observador.

S.M.
      

BREVÁRiO
Althum edita Bichos, Bichinhos e Bicharocos de Sidónio Muralha (1920-1982 - poemas), Júlio Pomar (ilustrações) e Francine Benoit (1894-1990 - música). >IMAG.19-312-449-478-495

Sony Music edita em CD, High Hopes por Bruce Springsteen. >IMAG.41-96-177-236-502

Estampa edita Rómulo de Carvalho / António Gedeão [1906-1997] - O Príncipe Perfeito de Cristina Carvalho. >IMAG.82-123-355

A Divina Comédia edita História da Minha Vida - Páginas Escolhidas de Giacomo Casanova (1725-1798); tradução e notas de Pedro Tamen, selecção e organização de Miguel Viqueira. >IMAG.299-347

Relógio D’Água edita Riso Na Escuridão de Vladimir Nabokov (1899-1977); tradução de Telma Costa. >IMAG.63-223-253-272-325-338-418-503-504